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Projeto Everest: Ceará iniciará obras da maior torre eólica das Américas

Parceria entre CTZ Eolic Tower e Protende viabiliza estrutura de concreto com sistema de içamento por strand jacks que elimina guindastes heavy lift e permite torre eólica atingir 166 metros em São Gonçalo do Amarante
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  1. Ceará sedia construção da maior torre eólica das Américas com 257 metros de altura
  2. Investimento de R$ 100 milhões do Grupo Cortez iniciará obras de preparação no pátio da ArcelorMittal
  3. Tecnologia pioneira cearense da CTZ Tower elimina necessidade de guindastes pesados dispendiosos e indisponíveis
  4. CTZ Eolic Tower acumula experiência com 183 torres construídas em parques eólicos do Brasil
  5. Sistema inovador de auto içamento reduz custos e tempo de execução da estrutura
Projeto Everest: Ceará inicia obras da maior torre eólica das Américas
O empreendimento de R$ 100 milhões para construção da torre eólica utiliza uma tecnologia pioneira e 100% cearense, desenvolvida pela CTZ Tower, braço de engenharia do grupo que tem origens na região do Cariri. Foto: Grupo Cortez/Divulgação

O Ceará vai sediar a maior torre eólica das Américas. Em reunião realizada nesta terça-feira (2) na Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), o governo estadual anunciou parceria com o Grupo Cortez para a construção do Projeto Everest, uma estrutura de 166 metros de altura que, com as pás, atingirá 257 metros, com investimento de R$ 100 milhões. As obras de preparação e fundação começam na próxima semana no pátio da ArcelorMittal Pecém, em São Gonçalo do Amarante. O padrão nacional de torres eólicas varia entre 80 e 120 metros, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

A tecnologia é desenvolvida e patenteada pela CTZ Eolic Tower, braço do Grupo Cortez, holding cearense sediada em Fortaleza com raízes no Cariri. A empresa não chega ao Projeto Everest sem histórico: já construiu 56 torres em Água Doce (SC), 27 em Taíba (CE), 31 em Icaraí de Amontada (CE) e 69 em Itarema (CE), acumulando expertise em fabricação e montagem de torres de concreto pré-moldado por meio de unidades móveis de produção instaladas dentro dos próprios parques eólicos. O modelo de fábrica itinerante gera empregos locais e utiliza matéria-prima regional, dois argumentos que reforçam o impacto econômico direto do projeto para o Ceará.

O diferencial central do Projeto Everest é o sistema de içamento desenvolvido em parceria com a Protende, empresa com 37 anos de atividade em sistemas de protensão e içamento pesado. A solução elimina a necessidade de guindastes heavy lift, equipamentos de alto custo, logística complexa e mobilização demorada que atualmente não estão disponíveis no Brasil para alturas superiores a 135 metros.

estrutura de montagem de torre eólica no Ceará do Grupo Cortez Engenharia
Canteiro de obras de montagem de uma torre eólica. A CTZ Eolic Tower, braço do Grupo Cortez, já ergueu 56 estruturas deste tipo. Foto: Grupo Cortez/Divulgação

Sistema auto içável: como funciona

A estrutura é construída em dois módulos: uma torre externa e uma torre interna. Os segmentos de concreto têm 4 metros de altura cada, com diâmetros variando de 7,6 metros na base a 3,2 metros no topo, e são empilhados por guindastes telescópicos de 500 toneladas, modelo Liebherr LTM 1500, equipamento disponível no mercado.

O aerogerador é montado na torre interna a 60 metros de altura. Em seguida, 6 strand jacks de 120 toneladas cada, posicionados no topo da torre externa, içam o conjunto formado pela torre interna e pelo aerogerador até o nó cônico de conexão entre as duas estruturas. A tecnologia também adota juntas secas entre os segmentos, dispensando grout e resinas e reduzindo tempo de execução e risco de desperdícios.

A opção pelo concreto em vez do aço tem justificativa técnica e econômica. A torre metálica se torna mais cara que a de concreto a partir de 90 metros e exige fundações com volume 72% maior, de 1.265 toneladas-força contra 730 tf da estrutura em concreto. O concreto também oferece durabilidade superior a 50 anos, maior tolerância a impactos e rajadas de vento, resistência ao fogo superior ao aço e necessidade insignificante de manutenção ao longo da vida útil.

Parceria com o Grupo Cortez para construção da torre eólica foi anunciada em reunião realizada na Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE)
Parceria com o Grupo Cortez para construção da torre eólica foi anunciada em reunião realizada na Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE). Foto: Ascom SDE

Parceiros, financiamento e licenciamento

As turbinas e a tecnologia dos aerogeradores serão fornecidas pela Goldwind, fabricante chinesa entre as maiores do mundo no segmento eólico. A Casa dos Ventos e a TotalEnergies, empresa de origem francesa que em 2022 formou uma joint-venture com a Casa dos Ventos para desenvolver um portfólio de 12 GW em renováveis no Brasil, integram o projeto pelo interesse na nova tecnologia.

O apoio federal veio por meio de subvenção econômica da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, via edital de chamadas públicas para renováveis. A licença ambiental foi emitida na semana passada pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). O lançamento da Pedra Fundamental está previsto para julho em evento oficial no Complexo do Pecém.

Cadeia produtiva para projetos eletro-intensivos

O impacto do projeto ultrapassa o setor eólico. Com energia renovável produzida a custo menor e em escala maior, o Ceará amplia a competitividade para atrair investimentos em segmentos eletro-intensivos. Para o engenheiro Edgar Nunes, do Grupo Cortez, os desdobramentos são diretos: uma energia mais barata abre caminho para iniciativas como a produção de Hidrogênio Verde e a instalação de Data Centers. O secretário Fábio Feijó, da SDE, destacou que o governador Elmano de Freitas já havia articulado a atração do maior data center das Américas para o Ceará, criando a demanda que torna o Projeto Everest ainda mais estratégico para a matriz energética estadual.

A SDE e o Grupo Cortez trabalham em agenda conjunta de cinco pontos estratégicos para dar visibilidade institucional à tecnologia. Entre as ações planejadas está a aproximação com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com campus em implantação no Ceará, para envolver pesquisadores e estudantes no projeto que o estado pretende consolidar como referência global em engenharia eólica.

Leia mais: Na Bahia, complexo de R$ 90 milhões simula sistema elétrico do futuro

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