
O tarifaço dos Estados Unidos sobre o açúcar do Brasil e a queda do preço deste produto no mercado internacional estão provocando a queda de 20% no preço da cana-de-açúcar nesta safra e isso está atingindo, principalmente, os fornecedores de cana-de-açúcar, segundo o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar (AFCP), Alexandre Andrade Lima. Este cenário está levando a entidade a articular reuniões com representantes do governo estadual e federal para enfrentar os prejuízos do setor.
“Com o governo estadual, estamos pedindo um programa para ajudar aos fornecedores com a compra de fertilizantes”, conta Alexandre, lembrando que isso já ocorreu em outras situações adversas que atingiram o setor durante as gestões de Miguel Arraes, Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos.
Alexandre diz que a entidade marcou uma reunião com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, para tratar da subvenção para os fornecedores de cana do Nordeste depois do Carnaval. Os fornecedores estão pedindo uma subvenção de R$ 12 por cada tonelada de cana-de-açúcar.
Segundo Alexandre, este ano está sendo difícil para todo o setor, mas as usinas que fizeram mais álcool conseguiram uma remuneração melhor. A safra ainda está ocorrendo e deve se encerrar, no máximo, até abril.
O tarifaço de Trump fez com que o açúcar brasileiro fosse taxado ao entrar nos Estados Unidos. As usinas do Nordeste também foram prejudicadas pois não conseguiram vender açúcar aos EUA dentro da cota americana, que permitia o pagamento de um preço mais alto do que o estabelecido no mercado internacional.

De agosto a dezembro de 2025, a quantidade de cana processada apresentou uma redução de 18,3% em comparação ao mesmo período, segundo Alexandre. Mesmo com os custos de produção maiores, a queda de 20% no preço da cana está fazendo à tonelada ser comercializada, em média, por R$ 137,23, contra os R$ 172,46 pagos, também em média, no mesmo período da safra passada.
Alexandre explica também que a queda no preço do açúcar também traz consequências no preço de venda da cana. Este cenário já trouxe um prejuízo estimado em cerca de R$ 500 milhões, segundo a AFCP.
Os fornecedores de cana em Pernambuco
Em Pernambuco, existem 13 usinas ativas e mais de 10 mil fornecedores de cana-de-açúcar. O setor emprega cerca de 50 mil trabalhadores em 50 municípios do estado.
Em Pernambuco, os fornecedores são responsáveis por 53% da produção de cana-de-açúcar. Dentre os fornecedores, 92% são enquadrados como agricultores familiares, produzindo menos de mil toneladas por safra. “Eles respondem por 26,2% da produção de cana dos fornecedores no Estado”, comenta Alexandre.
Além da AFCP, a articulação para que sejam implementadas medidas que ajudem o setor conta com a participação do Sindicato dos Cultivadores de Cana de Pernambuco (Sindicape), Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Sindicatos de Trabalhadores Rurais e deputados estaduais que apresentaram propostas para adoção de políticas públicas emergenciais ao secretário estadual da Casa Civil, Túlio Vilaça.
Os representantes das entidades citadas acima vão se reunir nesta quinta-feira (05) com Túlio Vilaça no Palácio dos Campo das Princesas. De acordo com a AFCP, a expectativa é de que sejam adotadas medidas que minimizem os prejuízos do setor.
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