
A Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) escolheu a empresa GNLink para ser a fornecedora do Gás Natural Liquefeito (GNL) que será levado, de caminhão, até as cidades do Sertão do Araripe. O projeto é muito importante porque vai fazer com que indústrias do polo gesseiro deixem de usar lenha nos seus fornos, contribuindo para menos desmatamento da caatinga. Na primeira fase do projeto, será realizado um investimento de R$ 60 milhões pela Copergás e parceiros.
“A previsão é de fornecer 4 milhões de metros cúbicos de gás natural por ano na primeira etapa do projeto. Num primeiro momento, a nossa intenção é atender oito empresas”, comenta o assessor técnico especial da diretoria, Jacinto Sousa. Nesta primeira etapa, além da compra do gás, a Copergás está construindo 5 km de gasodutos que ficarão prontos até agosto e também será implantado um pequeno terminal de regaseificação.
O projeto inteiro prevê o fornecimento de 40 milhões de metros cúbicos por ano que serão usados em 46 indústrias com a implantação de um total de três terminais de regaseificação e um investimento total de cerca de R$ 300 milhões. “Na última etapa do projeto, a rede de gasodutos vai quadruplicar”, afirma Sousa, acrescentando que isso deve ocorrer no final de 2028 ou começo de 2029.
Os recursos investidos são da Copergás e seus parceiros. O primeiro terminal de regaseificação do Araripe será implantado pela GNLink, empresa que venceu o chamamento público para fornecer o gás naquela região. A GNLink pertence pertence à Lorinvest e Copa Energia.
O gás que vai para o Araripe vai vir de um terminal de liquefação de gás que a GNLink tem no município de Assú, no Rio Grande do Norte. O contrato da Copergás com a GNLink é de quatro anos. A Copergás já leva gás, de caminhão, para Petrolina e Garanhuns, comprado de outros fornecedores.
Antes do atual projeto, a Copergás iniciou o fornecimento de gás, num projeto piloto, para a SM Gesso, no município de Trindade, testar a viabilidade técnica e econômica do gás numa fábrica de gesso. Esse fornecimento vem a partir de Gravatá e vai continuar até chegar o GNL da GNLink à região do Araripe.

“A chegada de uma maior oferta de gás a região é uma oportunidade para que as empresas deixem de desmatar e tenham melhorias operacionais como uma maior produtividade no forno”, argumenta Sousa, acrescentando que o forno que forno que produzia 50 toneladas diárias pode chegar entre 80 e 90 toneladas por dia devido ao controle mais rigoroso neste processo, além de poluir muito menos. A troca da lenha por gás natural resulta numa diminuição de 90% da fuligem.
GNLink começou a operar a unidade de gás em Assú (RN)
Com investimento de R$ 125 milhões, a GNLink iniciou a operação da sua unidade de liquefação e compressão de gás natural em Assú, no Rio Grande do Norte, na semana passada após receber a Autorização de Operação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A instalação é a primeira do tipo no estado e contou com a parceria da PetroReconcavo no suprimento do gás. É a terceira planta construída pela empresa em três anos de atuação.
A unidade potiguar tem capacidade total de produção de até 100 mil metros cúbicos de gás por dia. A planta é a segunda da GNLink dedicada à liquefação e compressão de gás natural voltada ao atendimento do interior do Nordeste. “O nosso objetivo é chegar onde o gasoduto não chega em parceria com a distribuidora”, afirma o diretor-presidente da GNLink, Marcelo Rodrigues.
A estrutura do terminal do Assú foi projetada para abastecer localidades em um raio de até 1.000 quilômetros que não possuem acesso à rede canalizada de gás. A distância entre Trindade, no Sertão do Araripe, e Assu é de cerca de 500 km.
“O projeto do Araripe é o mais importante, ambientalmente, no País. Vamos fornecer gás para o principal polo produtor de gipsita em cidades como Trindade, Araripina e Ouricuri, que operam basicamente com lenha”, resume Marcelo.
A GNLink já leva gás para o interior do Ceará e da Bahia. Em 2025, a GNLink firmou contratos de fornecimento com distribuidoras estaduais no Nordeste. A empresa venceu a chamada pública da Companhia de Gás do Ceará (Cegás) para fornecimento de 79,3 milhões de metros cúbicos de gás natural ao polo Crajubar, no Ceará, e implantou uma unidade de regaseificação em Juazeiro do Norte, com capacidade de 50 mil metros cúbicos por dia. Na Bahia, firmou contrato com a Bahiagás para atender Vitória da Conquista, com previsão de fornecimento de 54,7 milhões de metros cúbicos de gás natural.
Com a entrada em operação da planta de Assú, a GNLink está com três unidades concluídas e um total de R$ 450 milhões investidos. O primeiro ciclo de investimentos a implantação de uma planta em Itabuna, na Bahia, Barra Bonita, no Paraná, e, por último, a de Assú, no Rio Grande do Norte. As três têm uma capacidade total instalada de 300 mil metros cúbicos de gás por dia.
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