
O preço do café moído caiu 1,01% em julho, interrompendo uma sequência de 18 meses de altas. A queda, conforme apontado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), decorre de uma safra mais abundante e precede a vigência, em 6 de agosto, das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos — chamadas de “tarifaço” de Donald Trump — sem que seus efeitos tenham influenciado o comportamento dos preços domésticos.
Na comparação anual, os preços internos do café acumulam elevação de 41,46%, e nos últimos 12 meses, de 70,51%. O produto ocupa o segundo lugar em contribuição para o IPCA, com impacto de 0,30 ponto percentual — atrás apenas das carnes (0,54 p.p.). Uma maior disponibilidade de grãos no mercado interno é apontada por Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa no IBGE, como o fator determinante para o recuo nos preços.
Exportações do agronegócio em alta e tensão no comércio exterior
Paralelamente, o agronegócio brasileiro registrou desempenho exportador histórico em julho: US$ 15,6 bilhões em vendas — o maior valor já apurado para o mês —, com alta de 1,5% em relação a julho de 2024, impulsionada tanto pelo aumento no volume embarcado quanto pela elevação dos preços.
O café se destacou nas exportações ao avançar 25,3% em valor comparado ao mesmo mês do ano anterior. Além disso, o preço médio do café não torrado aumentou 57,5%, passando de US$ 4.113,80 por tonelada em julho de 2024 para US$ 6.479,20 em julho de 2025. Apesar da queda no volume de cafés torrado e derivados — 7.670 toneladas contra 8.493 no mesmo período anterior —, o faturamento dessas categorias também subiu, totalizando US$ 102,07 milhões frente a US$ 82,09 milhões em 2024.
No plano internacional, o cenário de ameaça tarifária dos EUA reforçou o protagonismo do setor produtivo nacional. Desde a primeira ameaça tarifária direcionada ao Brasil — publicada em 9 de julho —, o governo federal e segmentos empresariais intensificaram esforços para mitigar riscos e abrir novos mercados.
Safra histórica e papel do Nordeste na produção de café
No cenário produtivo, a Conab prevê uma safra histórica para um ano de bienalidade negativa: crescimento estimado em 2,7%, atingindo 55,7 milhões de sacas de 60 kg — a maior produção para esse tipo de ciclo desde o início da série histórica.
No Nordeste, a produção estimada para 2025 chega a 3,68 milhões de sacas, equivalendo a 6,6% da produção nacional, consolidando a segunda posição entre as regiões produtoras. Esse desempenho reforça a relevância crescente da região na geopolítica do café, com ampliação de área plantada, ganho de produtividade e contribuição significativa no volume nacional.
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