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Bahia terá projeto de US$ 4 milhões para cultivo de tâmaras no semiárido

Meta é criar nova cadeia produtiva para o mercado interno e exportação de tâmaras, com o apoio dos Emirados Árabes Unidos
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Bahia terá projeto de US$ 4 milhões para cultivo de tâmaras no semiárido
Em 2024, representantes dos Emirados Árabes Unidos estiveram no interior da Bahia avaliando locais para cultivo de tâmaras. Foto: Embrapa/Divulgação

Os Emirados Árabes Unidos vão transferir tecnologia para que a Bahia possa produzir, em área do semiárido, as tâmaras que são frutos de palmeiras originárias do Oriente Médio e norte da África. O projeto será conduzido pela Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri) e pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), em cooperação com a Fundação Zayed e a Al Foah Company, e prevê investimento de US$ 4 milhões ao longo de cinco anos, com plantio inicial de 10 mil mudas.

Em reunião online realizada na segunda-feira (11), foram discutidos os termos do acordo de cooperação técnica, que deverá ser formalizado durante a COP 30, marcada para novembro, em Belém (PA). O documento prevê transferência de tecnologia, capacitação técnica de agricultores e assistência especializada para viabilizar o cultivo em regiões de clima seco e quente, propício à tamareira.

Segundo o secretário da Agricultura da Bahia, Pablo Barrozo, o objetivo é consolidar o estado como novo polo produtor da fruta.

“Estamos unindo esforços com parceiros internacionais e instituições de pesquisa para implantar uma cadeia produtiva sólida, geradora de emprego, renda e desenvolvimento regional”, afirmou.

Bahia terá projeto de US$ 4 milhões para cultivo de tâmaras no semiárido
Mudas de tamareiras passaram por quarentena de cerca de dez meses em Brasília antes de serem enviadas à Bahia. Foto: Adab/Divulgação

Primeiras mudas já chegaram à Bahia

Em julho, chegaram ao estado as primeiras 100 mudas de tamareira, de 12 variedades diferentes, doadas pelos Emirados Árabes Unidos. As plantas desembarcaram no Brasil em setembro de 2024 e permaneceram cerca de 10 meses em quarentena no Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), da Embrapa, em Brasília, para garantir a segurança fitossanitária e evitar a entrada de pragas exóticas. Após inspeção, foram liberadas pela Adab para distribuição inicial.

O diretor-geral da Adab, Paulo Sérgio Menezes, destacou que a introdução da cultura seguirá protocolos rigorosos e será implantada prioritariamente em áreas aptas ao cultivo, como Riachão das Neves, São Gabriel, Presidente Dutra e Ipecaetá.

“Estudos indicam que a tamareira se adapta bem a climas quentes e secos, com irrigação controlada e manejo adequado, sendo alternativa viável para diversificação produtiva e geração de renda, principalmente na região semiárida do estado”, disse.

Bahia terá projeto de US$ 4 milhões para cultivo de tâmaras no semiárido
As tâmaras podem ser classificadas em três categorias: secas, semi-secas e suculentas, todas famosas pelo sabor adocicado. Foto: Altibbi/Reprodução

Potencial produtivo e mercado em expansão

A Phoenix dactylifera pode começar a produzir entre quatro e seis anos após o plantio, atingindo até 70 quilos de frutos por planta quando em maturidade plena. A espécie é uma palmeira robusta, que pode chegar a 30 metros de altura, e seus frutos têm polpa carnuda, sabor adocicado e alto valor nutricional.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pesca (Mapa), as importações brasileiras de tâmaras cresceram mais de 450% na última década — de 776 toneladas para mais de 4,3 mil toneladas anuais. O avanço indica potencial para substituição de importações e abertura de espaço para exportações a partir de produção nacional no semiárido.

A segunda etapa do projeto prevê a importação de até 10 mil novas mudas, cuja autorização depende do Mapa. A meta é estruturar uma cadeia produtiva capaz de abastecer o mercado interno e explorar oportunidades no comércio exterior.

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