- Publicidade -

Projeção da Aneel indica tarifa de energia 2025 acima da inflação

Alta é puxada pelo aumento da Conta de Desenvolvimento Energético e de encargos setoriais. Nordeste mantém liderança na geração eólica e atrai investimentos bilionários em projetos de energia limpa e hidrogênio verde
- Publicidade -
conta de energia jabuti custos aumento
O governo federal espera que a conta de energia fique mais barata, no futuro, com a MP da reforma do setor elétrico. Foto: Arquivo/Agência Brasil

O efeito médio das tarifas de energia elétrica no Brasil em 2025 deve ser de 6,3%, segundo projeção atualizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no boletim InfoTARIFA divulgado na segunda-feira (11). O índice supera a inflação estimada para o ano, medida pelo IGP-M (1,3%) e pelo IPCA (5,1%). O principal fator foi o aumento do orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), homologado após o encerramento da Consulta Pública nº 38/2024.

O orçamento da CDE foi aprovado em R$ 49,2 bilhões, alta de 32,4% sobre 2024 e R$ 8,6 bilhões acima do previsto inicialmente. Os principais acréscimos vieram dos repasses para fontes incentivadas (+R$ 3,8 bi), subsídios de geração distribuída (+R$ 2,0 bi), Conta de Consumo de Combustíveis (+R$ 1,8 bi), tarifa social (+R$ 1,6 bi) e Programa Luz para Todos (+R$ 1,4 bi). A quota CDE-Uso, de R$ 41,4 bilhões, será rateada entre todos os consumidores, enquanto a CDE-GD, de R$ 5,4 bilhões, incidirá até 2025 apenas sobre clientes cativos.

Impactos regionais e setoriais na conta de energia

De acordo com a Aneel, o impacto médio da CDE nas tarifas em 2025 será de 3,85% para consumidores do Norte e Nordeste e de 5,76% no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A variação também decorre do aumento das quotas do Encargo de Potência para Reserva de Capacidade (ERCAP) e de custos de compra de energia, influenciados por contratos da Eletrobras e pela taxa de câmbio do dólar aplicada à energia de Itaipu.

A projeção considera ainda ajustes na Parcela B, que reflete custos operacionais e investimentos das distribuidoras, e fatores financeiros como devoluções do PIS/Cofins menores que o previsto. Em contrapartida, a revisão da metodologia de cálculo dos custos operacionais, aprovada em maio, deve reduzir em média 0,22% a tarifa final ao longo dos próximos anos.

Potência regional e liderança renovável

O Nordeste consolidou-se como protagonista da transição energética nacional em 2025. A produção regional alcançou 14.031,8 GWh, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A região responde por mais de 90% da geração eólica brasileira, com destaque para investimentos de cerca de R$ 50 bilhões em novos parques eólicos e solares na Bahia, que lidera o ranking nacional.

O setor de energia limpa (eletricidade, gás, água e resíduos) impulsionou o PIB do Nordeste, registrando crescimento de 6,6% em 2024, acima da média nacional. Além disso, o Nordeste tornou-se centro de projetos de hidrogênio verde, com 28,3 GW de capacidade renovável instalada — 82,6% do total nacional — e perspectiva de investimentos que podem superar US$ 90 bilhões em hubs como Pecém (CE) e Suape (PE).

Outros fatores tarifários

O boletim InfoTARIFA registra que as bandeiras tarifárias estão no patamar vermelho 2 desde agosto, devido à redução da geração hidrelétrica e maior uso de termelétricas. A CCEE projeta retorno à bandeira verde apenas em dezembro, com a recuperação dos reservatórios.

A Medida Provisória 1.300/2025 ampliou a Tarifa Social, garantindo isenção total para famílias de baixa renda com consumo de até 80 kWh/mês a partir de julho. Em janeiro de 2026, entrará em vigor o Desconto Social, que concederá isenção da CDE a famílias com renda entre meio e um salário mínimo per capita para consumo de até 120 kWh/mês.

A Aneel também destacou o pagamento do “Bônus de Itaipu”, que devolverá R$ 937 milhões a consumidores residenciais e rurais, e o avanço dos projetos-piloto de modernização tarifária em sete distribuidoras, com previsão de expansão até o fim do ano.

Leia mais: Novo sistema vai informar, em tempo real, número de clientes sem energia no país

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -