
O Ceará tem dado passos firmes para se consolidar como um novo polo nacional na produção de cacau, fruto base para o chocolate e com alto valor agregado. O cultivo, ainda recente no Estado, tem atraído investimentos públicos e privados, com destaque para regiões como o Vale do Jaguaribe, onde a cultura foi implantada em 2010 como alternativa à seca que castigava os agricultores da região.
Segundo o engenheiro agrônomo Diógenes Abrantes, responsável pela marca Cacau do Ceará, o projeto na região surgiu a partir de uma parceria entre produtores locais, a Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), o Sebrae e a Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE). A partir de pesquisas conduzidas pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), foi desenvolvido um modelo produtivo adaptado ao clima do semiárido.

“A cultura do cacau foi implantada na região do Jaguaribe em 2010, em resposta à seca daquele ano. Buscávamos alternativas viáveis, e o cacau se mostrou promissor. O fruto aqui tem um terroar diferenciado, com notas que lembram cana-de-açúcar, e uma produtividade alta já no segundo ano de cultivo”, afirma Abrantes.
O Ceará conta ainda com uma vantagem competitiva importante: a ausência de doenças como a vassoura-de-bruxa, praga que afeta plantações de cacau em estados tradicionais como a Bahia. “Estamos há 15 anos sem incidência desse problema. Isso torna a cultura ainda mais atrativa para o investidor”, completa o agrônomo.
Expansão e oportunidades
Hoje, o cacau cearense já abastece cidades como Quixeré, Russas, Morada Nova e começa a ganhar mercado em Fortaleza. Além disso, há parcerias comerciais com produtores do Rio Grande do Norte. A produção local inclui nibs de cacau, chocolates com diferentes intensidades de cacau (46% e 70%), sem lactose, além de pó e manteiga de cacau.

De acordo com Diógenes Abrantes, o investimento para implantação de um hectare gira em torno de R$ 45 mil, com acesso facilitado a linhas de crédito que oferecem até três anos de carência. Com irrigação e acompanhamento técnico, ele diz que a produtividade pode chegar a 3 mil quilos por hectare, gerando até R$ 180 mil por ano.
“O cacau no Ceará pode ser produzido durante todo o ano, o que garante renda contínua ao produtor. O nosso objetivo agora é expandir as parcerias com o Sebrae, instituições financeiras e centros de pesquisa, para consolidar o Estado como um polo reconhecido nacionalmente”, destaca Abrantes.
Apoio institucional e diversificação agrícola
Silvio Carlos Ribeiro, secretário executivo do Agronegócio da SDE, em conversa com o Movimento Econômico, ressalta que o cacau é uma das culturas estratégicas dentro de um plano maior de diversificação agrícola do Estado. “O projeto foi idealizado com o apoio de instituições como a Embrapa e a Adece. A ideia era testar o cultivo do cacau em áreas ocupadas por produção de banana, o que deu resultados muito positivos. Hoje, o cultivo já se expandiu para regiões como a baixa Acaraú, onde foi integrado à produção de coco”, explica.
O governo estadual tem atuado na promoção do cacau por meio da criação de unidades demonstrativas, que funcionam como modelos de referência para novos produtores. Além disso, investimentos em ciência, tecnologia, uso eficiente da água e do solo têm sido priorizados.

Ribeiro destaca que o Estado também aposta em outras culturas de alto valor, como pitaya, açaí, café, avocado e mirtilo. Há ainda projetos experimentais para introdução de amêndoas como pistache, tâmara e avelã, em parceria com a Embrapa.
“Acreditamos no potencial do Ceará para se tornar referência na produção de culturas antes impensáveis para o nosso semiárido. O cacau é o exemplo mais concreto dessa transformação. E estamos apenas começando”, conclui o secretário.
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