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Com ouro em alta, Nordeste entra no radar global da mineração

Setor mineral no Nordeste cresce com alta do ouro e investimentos milionários de mineradoras estrangeiras, destacando-se projetos no RN e Ceará
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Ouro no Nordeste chama atenção de mineradoras estrangeira
Região Nordeste é um dos polos mais promissores para mineradoras no país. Foto: Pixabay

A presença crescente de mineradoras estrangeiras no Nordeste do Brasil confirma a região como nova fronteira de exploração mineral em escala global. Gigantes do setor, como a canadense Aura Minerals e a ValeOre Metals, intensificam seus aportes no semiárido nordestino, atraídas pela diversidade geológica e pelas perspectivas econômicas de longo prazo. A aquisição da South Atlantic Gold pela ValeOre para atuação no Ceará e o avanço da Aura no projeto Borborema, no Rio Grande do Norte, ilustram o novo ciclo de investimentos no subsolo da região.

Impulsionado pela valorização de commodities estratégicas, como o ouro — que acumula alta de 23% em 2024 e ultrapassou os US$ 3.500 a onça-troy [equivalente a 28,35 gramas] nesta segunda-feira (5) — o interesse internacional na mineração nordestina vai além da geologia. Pesam na equação fatores geopolíticos recentes, como o tarifaço implementado pelo ex-presidente Donald Trump em 2025, que abalou cadeias de suprimento e acentuou a busca por ativos físicos de reserva.

Com a desconfiança no dólar e a expectativa de cortes nos juros dos EUA, o ouro se tornou uma “âncora de confiança” para investidores, aumentando ainda mais o apetite por projetos minerários. Enquanto isso, o Nordeste se consolida como uma das fronteiras mais estratégicas para o setor, combinando recursos naturais abundantes e um ambiente favorável para investimentos internacionais.

Mas não é só o ouro que desperta o interesse das mineradoras pelo Nordeste. A região possui reservas relevantes de gipsita (gesso), sal-gema, cromita, titânio, fosfato, ferro, níquel, cobre, chumbo e zinco. Também têm importância as rochas ornamentais e os minerais industriais, como calcário e bentonita. E ainda diamantes.

Na Bahia, a região de Santo Inácio, distrito de Gentio do Ouro — identificada no histórico Manuscrito 512 como uma “cidade perdida” — retorna ao mapa da mineração com o projeto Diamante de Santo Inácio, leiloado pelo Serviço Geológico do Brasil. A vencedora foi a A.S.X. Mineração Ltda, de origem maranhense, com resultado publicado no Diário Oficial da União em 3 de dezembro de 2024. Além da jazida baiana, a empresa arrematou área mineral na cidade de Natividade (TO), onde há estimativa de 724 mil toneladas de ouro.

Aura Minerals inicia operações no Rio Grande do Norte
Projeto Borborema da Aura Minerals contempla uma área de 29 km² no território potiguar. Foto: Mazilton Galvão/Divulgação

Ouro potiguar pode gerar até US$ 5,6 bi em lucros

No Rio Grande do Norte, o projeto Borborema da Aura Minerals envolve um investimento de US$ 188 milhões para três concessões de lavra mineral em uma área de 29 km², com capacidade de produzir 815 mil onças de ouro ao longo de 11,3 anos. Segundo o estudo de viabilidade, apenas no primeiro ano deverão ser extraídas entre 33 mil e 40 mil onças.

Em 2023, a empresa identificou a possibilidade de expansão: um grande depósito com mais de dois milhões de onças foi localizado em uma área já pertencente à mineradora, atravessada pela BR-226, próximo a Currais Novos.

Caso o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) autorize a liberação da estrada, a produção poderá dobrar, saltando de 815 mil onças para 1,6 milhão de onças de ouro — o que, considerando a cotação atual de cerca de US$ 2.670 por onça-troy, representaria até US$ 5,6 bilhões em lucros. O Projeto Borborema apresenta uma taxa interna de retorno (TIR) pós-impostos de 41,8% em base desalavancada e de 81,4% quando alavancada em 50%, considerando o preço do ouro a US$ 3,315.57 por onça.

Esses números ainda não contabilizam o potencial adicional de crescimento das reservas, especialmente após a possível realocação da estrada.

ValeOre mineradora canadense busca ouro no Nordeste
Trabalho de pesquisa mineral em Pedra Branca, no sertão cearense. Foto: South Atlantic Gold/Reprodução

Avanço da ValeOre Metals no Ceará

Além do projeto Borborema no Rio Grande do Norte, o Nordeste brasileiro também desponta no cenário internacional com a recente movimentação da mineradora canadense ValeOre Metals. A empresa anunciou a assinatura de um acordo para adquirir 100% das ações da South Atlantic Gold, também com sede no Canadá.

Essa operação terá impacto direto em projetos de exploração de ouro, platina, paládio e outros minerais preciosos no sertão do Ceará, abrangendo os territórios de Pedra Branca, Mombaça e Tauá. Esse foi o primeiro projeto de exploração comercial de ouro na história do Estado, iniciado em 2021.

Segundo comunicado da ValeOre, o objetivo é criar um distrito mineral de 100 mil hectares no interior cearense. O negócio unificará os projetos de Pedra Branca sob uma mesma estrutura corporativa, aumentando a escala, a viabilidade econômica e o potencial exploratório da região.

A operação envolverá a incorporação da South Atlantic pela ValeOre, por meio da subsidiária ValOre Subco, em uma transação já aprovada por unanimidade pelos conselhos das duas companhias. Após a conclusão, a nova empresa (Amalco) será integralmente controlada pela ValeOre.

“Estamos muito animados para iniciar os programas de exploração nas áreas combinadas e expandidas do projeto Pedra Branca, uma vez concluído o acordo”, afirmou Jim Paterson, presidente e CEO da ValeOre, em nota oficial.

A efetivação da transação ainda depende da aprovação dos acionistas da South Atlantic, em assembleia prevista para maio.

O projeto Pedra Branca é dividido em duas frentes principais: Pedra Branca PGE (platina e elementos associados) e Pedra Branca Au (ouro). Ambos estão situados em uma área estratégica e já possuem recursos identificados por estudos técnicos independentes. A nova configuração proporcionará à ValeOre uma área contínua para desenvolvimento mineral no sertão cearense, fortalecendo o objetivo de transformar Pedra Branca em uma referência nacional na mineração de metais preciosos.

O avanço desse novo polo mineral pode gerar mais de mil empregos nos próximos anos, reforçando o impacto socioeconômico do setor. A South Atlantic já havia investido pelo menos R$ 15 milhões em pesquisas minerais na região.

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