
Começou nesta quarta-feira (7), no Vaticano, o conclave que definirá o novo líder da Igreja Católica, após a morte do papa Francisco em 21 de abril de 2025, aos 88 anos. O processo de votação ocorre a portas fechadas na Capela Sistina e envolve 133 cardeais eleitores, dos quais 117 são considerados papáveis, ou seja, podem ser eleitos segundo as normas canônicas.
A primeira sessão foi iniciada com a missa Pro Eligendo Pontifice, celebrada pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício. Após a cerimônia, os cardeais seguiram em procissão até a Capela Sistina, onde fizeram o juramento de segredo sobre todo o conteúdo das deliberações. As votações começaram logo em seguida, e a expectativa é de que ocorram até quatro escrutínios diários: dois pela manhã e dois à tarde.
Não há prazo definido para o anúncio do novo papa, que só será confirmado quando um dos candidatos atingir ao menos dois terços dos votos — o equivalente a 89 votos, conforme o número total de eleitores habilitados. A tradicional fumaça branca, sinal visível no alto da Capela Sistina, indicará ao mundo que o novo pontífice foi escolhido.
Cobertura e tradição
Durante o conclave, a comunicação dos cardeais com o exterior é rigorosamente vedada. Equipamentos eletrônicos são proibidos, e medidas de segurança cibernética foram reforçadas. O Vaticano mantém uma cobertura especial por meio da Rádio Vaticano, da mídia digital da Santa Sé e da Sala de Imprensa, que emite boletins regulares com atualizações oficiais.
Esta será a primeira eleição papal no século XXI após a morte de um papa em exercício desde João Paulo II, em 2005. A eleição de Francisco, em 2013, ocorreu após sua renúncia, o que conferiu características excepcionais àquele conclave.
Representatividade e perfil dos brasileiros
O novo papa herdará uma Igreja com cerca de 1,3 bilhão de fiéis em todo o mundo, em meio a desafios relacionados à modernização das estruturas eclesiásticas, à presença da Igreja nos países em desenvolvimento e à perda de fiéis em regiões historicamente católicas.
Entre os cardeais eleitores, há representantes de todos os continentes. O Brasil conta com quatro cardeais votantes, o que representa uma das maiores delegações nacionais no conclave:
- Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, é reconhecido por sua atuação pastoral no Nordeste e pelo trabalho com a juventude católica.
- Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, já participou do conclave de 2013 e é um dos nomes mais conhecidos da Cúria brasileira.
- Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, tem forte presença nos meios de comunicação católicos e é ativo em pautas sociais.
- Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, foi criado cardeal em 2022 e tem se destacado por sua atuação na Amazônia Legal, especialmente em temas ligados à ecologia integral e aos povos originários.
Histórico dos conclaves recentes
O conclave de 2025 é o terceiro do século XXI. O primeiro ocorreu em 2005, com a eleição de Bento XVI após a morte de João Paulo II. O segundo, em 2013, resultou na escolha do argentino Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, após a inédita renúncia de Bento XVI. Francisco foi o primeiro papa latino-americano da história da Igreja e o primeiro jesuíta a ocupar o cargo.
A tradição do conclave remonta ao século XIII, com regras progressivamente estabelecidas para garantir a confidencialidade e a legitimidade do processo de escolha do papa. Desde 1878, a eleição é realizada na Capela Sistina, sob o famoso afresco do Juízo Final, de Michelangelo.
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