
O mercado de seguros no Nordeste mantém trajetória de crescimento em 2026. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que a arrecadação da região alcançou R$ 15,16 bilhões no primeiro trimestre do ano, alta de 6,3% em relação ao mesmo período de 2025.
O avanço foi puxado principalmente pela Bahia, Pernambuco e Ceará, maiores mercados da região, mas estados como Paraíba (14,9%), Piauí (12,3%) e Rio Grande do Norte ( 11,6%) registraram as taxas mais expressivas de expansão. Os números refletem o fortalecimento da demanda por seguros patrimoniais, de pessoas e empresariais, acompanhando o crescimento da atividade econômica e a maior percepção sobre a importância da proteção financeira.
Alta nas apólices de riscos de engenharia
O seguro de riscos de engenharia teve crescimento próximo de 40% em relação ao mesmo período do ano passado, em Pernambuco. Esse produto puxou a alta no estado. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que o estado movimentou R$ 2,075 bilhões no primeiro trimestre do ano. De acordo com o Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste (Sindsegnne) essa alta reflete o aumento de novos empreendimentos imobiliários, especialmente na Região Metropolitana do Recife.
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“A gente interpreta esse crescimento pelo grande aumento de novas construções e novos empreendimentos, não só no Recife, mas também na Região Metropolitana e em outras áreas de Pernambuco”, afirma Emerita Lyra, diretora executiva do Sindsegnne.

O desempenho dos seguros residencial e de condomínio reforça essa leitura. O seguro residencial avançou mais de 18%, enquanto o seguro de condomínio registrou alta próxima de 17%. Para Emerita, os três segmentos estão conectados ao mesmo movimento de expansão imobiliária e maior preocupação com a proteção de imóveis e áreas comuns.
No caso dos condomínios, a cobertura envolve principalmente áreas comuns, como garagens, corredores, elevadores, portões e espaços externos. Também pode incluir responsabilidade civil do condomínio e do síndico, em situações nas quais o condomínio ou a gestão sejam responsabilizados por danos ou decisões que tenham causado prejuízos.
A diretora observa, no entanto, que ainda há confusão entre o seguro condominial e o seguro residencial. Segundo ela, o seguro do condomínio não cobre, por exemplo, bens e danos dentro dos apartamentos. Por isso, a contratação individual continua sendo necessária para proteger o patrimônio interno de cada unidade.
Outro destaque do trimestre foi o seguro de vida, que cresceu quase 29% em Pernambuco. O segmento vem mantendo trajetória de expansão desde a pandemia, quando aumentou a percepção da população sobre riscos financeiros associados a doenças, acidentes e morte.
“O seguro de vida já vem crescendo há algum tempo, com aumentos consecutivos. A pandemia ajudou a criar uma cultura maior de proteção, como já se observa há mais tempo no seguro de automóvel”, afirma Emerita Lyra.
O seguro de automóvel também apresentou desempenho positivo, com alta de 12,5% no estado. Apesar do crescimento, a penetração do produto em Pernambuco ainda é considerada baixa quando comparada a mercados mais maduros do país, como São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná.
Segundo Emerita, Pernambuco movimentou R$ 368 milhões em seguro de automóvel no primeiro trimestre. Embora o resultado indique avanço, o mercado local ainda tem espaço para crescer em comparação com outros estados. “A gente ainda está caminhando, enquanto outros mercados já estão correndo”, compara.
Seguro empresarial
O seguro empresarial também registrou expansão superior a 12%, acompanhando a maior preocupação das empresas com riscos operacionais, patrimônio e continuidade dos negócios. A procura por esse tipo de proteção tem crescido à medida que empresários passam a considerar o seguro como parte do planejamento financeiro.
Além da arrecadação, o setor também teve papel relevante na recomposição financeira de famílias e empresas. Em Pernambuco, as seguradoras devolveram R$ 605,6 milhões em indenizações, benefícios, resgates e sorteios nos três primeiros meses de 2026.
Para o Sindsegnne, os números indicam amadurecimento do mercado e maior conscientização sobre o papel do seguro como instrumento de proteção financeira. O movimento também é favorecido pela atuação dos corretores, que passaram a oferecer soluções mais alinhadas às necessidades de consumidores e empresas.
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