
Para Eugênio da Fonte Neto, a Drogafonte nunca foi apenas a empresa da família. Foi o lugar onde passou boa parte da infância, observando o pai negociar, acompanhando a avó cuidar das pessoas e descobrindo, ainda menino, que empreender significava muito mais do que vender medicamentos. As primeiras lembranças da empresa são dos dias em que circulava pela antiga farmácia que deu origem ao grupo, ajudando em pequenas tarefas, acompanhando a rotina dos colaboradores e vendo de perto o esforço do pai e da avó para transformar um pequeno negócio fundado há 43 anos em uma das maiores distribuidoras de medicamentos do país. Foi ali, entre prateleiras e caixas de remédios, que nasceu uma ligação que jamais seria rompida.
“Desde muito cedo eu queria trabalhar com meu pai. Nunca me imaginei em outra empresa. Sempre vi o esforço dele para fazer a Drogafonte crescer e aquilo me inspirava”, diz. Hoje aos 39 anos, Eugênio costuma brincar com uma mistura de humor e orgulho que a empresa foi a primeira filha do seu pai. Crescer para ele significou crescer junto com o negócio da família. Depois de passar por praticamente todos os setores da operação, liderar a criação do braço logístico do grupo e participar da implantação de uma nova estrutura de governança, Eugênio é o CEO do Grupo Drogafonte e representa uma liderança que combina respeito à história construída pela família com uma visão voltada para inovação, tecnologia e crescimento sustentável.
Eugênio acredita que conhecer profundamente a empresa foi o principal diferencial de sua formação. Antes de ocupar posições estratégicas, percorreu todos os departamentos da Drogafonte, aprendendo na prática cada etapa do negócio e convivendo diariamente com as duas maiores referências da sua trajetória: o pai, Eugênio da Fonte Filho, fundador da empresa e atual diretor-presidente do Grupo Drogafonte, e sua avó, Zane da Fonte, diretora de Recursos Humanos durante décadas, que acompanhou toda a construção da empresa e tornou-se uma conselheira para o neto.
“Minha avó era extremamente conciliadora. Ela entendia as pessoas, ajudava a mediar conflitos e sempre me mostrava o melhor caminho”, conta. A convivência entre três gerações da família acabou moldando sua maneira de enxergar os negócios. Enquanto observava o pai tomar decisões comerciais e estratégicas, aprendia com a avó que nenhuma empresa cresce sem cuidar das pessoas que fazem parte dela.
Quando concluiu o ensino médio, não houve período sabático nem experiência em outras empresas. No dia seguinte ao término das aulas, já estava trabalhando na Drogafonte. Mas o pai impôs uma condição: antes de assumir qualquer posição de liderança, seria preciso conhecer profundamente cada etapa da operação. A primeira função foi no estoque, separando medicamentos. Depois vieram logística, cobrança, licitações, vendas privadas, vendas públicas e praticamente todos os setores da empresa. Em cada área havia um profissional experiente encarregado de ensinar o funcionamento da operação. Mais do que treinamento técnico, era um processo de construção de repertório.
Foi também durante esse período que outra influência familiar deixou marcas e a passagem pela logística teve um significado especial. Trabalhando ao lado do avô, que comandava essa área, percebeu que o grande diferencial da Drogafonte não era apenas vender medicamentos, mas entregá-los com eficiência. “Aquilo ficou guardado na minha cabeça. Sempre entendi que o nosso negócio era, acima de tudo, logística.”
Enquanto percorria os diferentes departamentos da empresa, Eugênio também construía sua formação acadêmica. Graduou-se em Administração pela Universidade Católica de Pernambuco, fez MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e aprofundou conhecimentos em gestão de projetos no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, além de cursos voltados às áreas de licitações e gestão pública, segmentos diretamente ligados ao modelo de atuação da empresa. Mas foi a experiência prática que definiu sua visão empresarial.
No setor de vendas públicas, percorreu praticamente todo o Brasil participando de licitações presenciais. Conheceu hospitais, secretarias de saúde e mercados completamente diferentes entre si. Ao viajar pelo país, percebeu como decisões estratégicas tomadas dentro da empresa impactavam diretamente o atendimento na ponta. “Foi ali que consegui entender o Brasil e enxergar o negócio acontecendo. Você deixa de olhar apenas a estratégia e passa a ver o resultado dela na prática.”
Depois de conhecer toda a operação, Eugênio passou a acompanhar o pai nas negociações com indústrias farmacêuticas, aprofundando sua visão estratégica do negócio. Ao mesmo tempo, começou a investir em tecnologia e análise de dados para apoiar a tomada de decisões. “Meu pai sempre teve uma capacidade extraordinária de guardar informações. Eu procurei transformar isso em processos e tecnologia.”
Inovação na Drogafonte
Essa vivência prepararia o caminho para a etapa seguinte da sua trajetória: deixar de aprender a empresa para começar a transformá-la. Foi sob sua liderança que a empresa estruturou uma área dedicada à gestão de projetos e acelerou a adoção de inteligência artificial para processar grandes volumes de informações e apoiar decisões estratégicas. Outro marco de sua trajetória foi a criação da Ziplog, braço logístico do grupo, fundada há 13 anos. Inicialmente voltada para atender a Drogafonte, a empresa passou a prestar serviços também para indústrias farmacêuticas em todo o país. “Foi minha primeira experiência construindo um negócio praticamente do zero. Aprendi errando, corrigindo e fazendo a empresa crescer.”
Nos últimos anos, Eugênio também assumiu a missão de fortalecer a governança corporativa da Drogafonte. O grupo profissionalizou sua gestão, incorporou executivos ao quadro de liderança e passou a dedicar mais tempo ao planejamento estratégico. Os resultados acompanham essa evolução. Em 2004, a Drogafonte atuava como distribuidora regional, possuía cerca de 35 colaboradores e faturava aproximadamente R$ 7 milhões por ano. Hoje, o grupo reúne seis empresas, emprega mais de 320 pessoas, fatura cerca de R$ 340 milhões por ano e atua em todo o território nacional.
Essa busca permanente por evolução também o levou a integrar o Conselho de Lideranças Familiares da Cambridge Family Enterprise Group Recife (CFEG-Recife), espaço voltado ao desenvolvimento da nova geração das empresas familiares. Segundo Eugênio, participar do grupo ampliou sua forma de enxergar os desafios da sucessão e da convivência entre família e negócios. “Percebi que os conflitos fazem parte de praticamente todas as empresas familiares. O Conselho tem me ajudado muito a ouvir outras experiências e refletir antes de tomar decisões. Muitas vezes um problema pode ser visto por outro ângulo e se transformar em oportunidade.”
Ao olhar para o futuro, Eugênio mantém a inquietação herdada do pai, mas reconhece que o legado construído pela família continua sendo seu maior patrimônio. “Meu pai sempre me incentivou a pensar grande e buscar novos caminhos. Quero contribuir para que a Drogafonte continue crescendo com estrutura, inovação e governança, tornando-se cada vez mais relevante para a saúde do Brasil.”
Entre as lições recebidas do pai e da avó, Eugênio acredita ter encontrado o equilíbrio que pretende levar para a próxima geração: crescer sem perder os valores familiares que deram origem à empresa e preparar o negócio para atravessar muitas outras décadas.
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