
A Axia Energia vai implantar um pequeno data center no Centro de Referência de Energia Solar de Petrolina (CRESP). O investimento será de R$ 20 milhões. No mesmo local, a AXIA Energia concluiu, há cinco meses, uma Planta Solar Híbrida de Torre Central de Alta Concentração Fotovoltaica (HCPV), a segunda no mundo a utilizar a tecnologia RayGen, desenvolvida por uma startup australiana. Nesta planta experimental, a empresa está testando 10 tecnologias diferentes, inclusive a heliotérmica, que, como o nome diz, produz energia térmica a partir da radiação do sol. O projeto já recebeu um investimento de R$ 74 milhões até 2026.
Do total de recursos empregados, R$ 67,9 milhões vieram do progama de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica e R$ 6,85 milhões foram a contrapartida da Axia Energia.
A planta híbrida foi concluída há cinco meses e buscando uma maior eficiência da geração solar e térmica também realizada a partir da radiação solar, o que a torna totalmente sustentável. De um lado do terreno, estão instaladas as placas fotovoltaicas que usam um tracker pra se movimentar e produzir mais energia elétrica. E do outro lado do terreno, estão os 247 heliostatos, grandes espelhos que seguem a luz do sol para concentrar num ponto. Os heliostatos são monitorados usando a Internet das Coisas (IOT). Não há um fio no chão ligando os heliostatos.
Ainda na parte heliotérmica, próxima aos heliostatos, está uma uma torre central de 40 metros de altura com um receptor – instalado no topo da mesma – formado por módulos fotovoltaicos de multijunção de alta eficiência que convertem a luz solar concentrada em eletricidade com eficiência significativamente superior à da fotovoltaica convencional. Desse modo, o calor excedente é capturado, possibilitando seu armazenamento, viabilizando aplicações térmicas e estratégias de armazenamento de longa duração.
O calor térmico pode ser usado em vários setores da indústria, como para lavar frutas, pintura automotiva e em data centers. Isso significa que no próprio Cresp será testada a eficiência deste calor térmico, quando o data center estiver instalado. É um cenário um pouco futurista, mas que está ocorrendo na área rural de Petrolina e que vai trazer novas soluções para o setor elétrico.
“São várias peças de lego. A quantidade e como misturar é o cerne desta pesquisa que estamos fazendo aqui. Isoladamente, uma tecnologia pode não fazer sentido, mas o que ser perda de uma, pode ser ganho em outra”, resumiu o diretor do Cepel e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Axia, Alexandre Orth, se referindo as tecnologias desenvolvidas no Cresp, na usina solar flutuante do lago de Sobradinho e em Casa Nova, ambas na Bahia. Ele lembrou também que o Brasil está no mapa dos data centers.
Também foi destacado que a planta híbrida e as tecnologias usadas são de fácilo tropicalização, porque usam materiais encontrados no País, como vidro, aço, entre outros.

Refrigeração do data center
Ainda no Cresp, será implantado também uma tecnologia com chillers que absorvem a água quente, entregando mais água fria e mais água quente. Esse calor térmico pode ser absorvido pelo data center que será instalado no local, tornando mais eficiente o sistema de refrigeração.
A junção de tudo que está instalado permite maior aproveitamento da energia solar, além de testar soluções integradas de geração elétrica e térmica, estratégias de armazenamento de energia térmica de longa duração em água e novas aplicações para expansão da matriz renovável.
A unidade piloto do Cresp possui capacidade elétrica para gerar 1 MW – que corresponde ao consumo equivalente de mil residências – e capacidade térmica de 2,2 MW. “O Brasil cresce, vai precisar de mais energia. O futuro não vai ser igual ao passado. E por isso, estamos testando essas novas tecnologias”, disse o vice-presidente da Axia Inovação e Energia, Juliano Dantas.
Antiga Eletrobras e também dona da Chesf, a Axia Energia tem 17% da capacidade instalada de geração do Brasil. São 81 usinas em operações, sendo 47 hidrelétricas, 33 eólicas e uma solar. Em transmissão, é a maior empresa do Brasil com 74.000 km de linha de transmissão, que correspondem a 37% do Sistema Interligado Nacional (SIN).
*A repórter viajou para conhecer o Cresp a convite da Axia Energia
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