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Axia investe R$ 90 mi em planta híbrida com baterias, eólica, solar e data center

O projeto de P&D da Axia Energia vai testar uma planta híbrida, em Casa Nova, na Bahia. A unidade vai funcionar conectada ou não à rede de transmissão do setor elétrico
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Planta híbrido da Axia Energia que funciona em Casa Nova, na Bahia. Foto: Axia Energia/Divulgação

Um parque híbrido com usinas de geração solar, eólica, grandes baterias para armazenar energia – tipo BESS – e um pequeno data center fazem parte de um projeto de Pesquisa & Desenvolvimento que está sendo implantado no interior da Bahia, na cidade de Casa Nova, pela empresa Axia Energia, antiga Eletrobras. A companhia é dona da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que também passou a se chamar Axia. Caso o experimento dê certo, pode contribuir para diminuir os cortes de geração no Nordeste, além de mostrar que é viável a instalação de data centers flexíveis na região sem dependerem da rede de distribuição ou de transmissão de energia.

O projeto recebeu um investimento de R$ 90 milhões e faz parte do programa de P&D da companhia aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). E, se quiser, o projeto pode testar a integração disso tudo com geração hidrelétrica, porque o município de Casa Nova faz divisa com o reservatório de Sobradinho que armazena água para a usina hidrelétrica de mesmo nome.

“A nossa intenção é estudar como destravar o potencial da energia renovável no Nordeste. Um dos grandes desafios da região é o curtailment”, diz o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (P,D &I), da Axia Energia, Alexandre Orth.

O curtailment é o corte de geração determinado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) que faz com que várias usinas eólicas e solares, principalmente no Nordeste, tenham redução de receitas por terem que produzir uma quantidade de energia menor do que a prevista. O corte de geração ocorre por faltas de linhas de transmissão – para escoar a energia para outras regiões – ou por excesso de geração em alguns horários, como por exemplo, durante a manhã.

O pequeno data center do projeto poderá funcionar conectado à rede de distribuição/transmissão de energia ou não. Somente lembrando, há alguns meses, data centers que planejavam se instalar no Nordeste tiveram o seu pedido de conexão à rede elétrica negados por faltas de linhas de transmissão para transportarem a energia que os empreendimentos desejavam.

Ou seja, este experimento aponta para o futuro, testando como vai ser o comportamento de empreendimentos, que consomem muita energia – como os data centers – que, provavelmente, tendem a estar próximos da geração de energia sem precisar usar a rede de transmissão/distribuição, como já vai ocorrer nos experimentos do projeto, que avaliará também a viabilidade econômica disso.

Segundo Alexandre, para avaliar o impacto da influência das renováveis na transmissão e distribuição vão ser realizadas experiências com uma carga (quantidade de energia) flexível – (que pode variar) – e um data center também flexível. Os datas centers são grandes processadores de dados que usam muita energia, precisam de climatização e de grandes servidores.

O sistema de armazenamento de baterias tipo BESS já está implantado na planta híbrida e o pequeno data center flexível vai começar a operar em duas semanas, de acordo com Alexandre. Por exemplo, quando o data center estiver fazendo uma atividade que não pode parar, poderá usar a energia renovável armazenada no BESS, caso as eólicas e solares não estejam gerando energia naquele momento.

“Estamos fazendo tudo em baixa escala para não causar perturbação no sistema”, conta Alexandre. No setor elétrico, perturbação no sistema pode provocar transtornos, como a falta de energia. “O objetivo da empresa é entender de vários pontos de vistas, como o tecnológico, o modelo de negócio, os cenários e tentar gerar valor com uma energia produzida de forma sustentável”, comenta Alexandre. Também será analisado o custo do armazenamento da energia em sistemas tipo BESS.

O projeto tem como parceiros três unidades do Senai, como o Cimatec, da Bahia, o de Energias Renováveis, do Rio Grande do Norte, e o de Tecnologias da Informação e Comunicação, além da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento (Fade) da UFPE.

Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação, Alexandre Orth, diz que a planta híbrida pode funcionar isolada “como uma ilha”. Foto: Axia Energia/Divulgação

Projeto pode funcionar como uma “ilha isolada”

O projeto da planta híbrida começou em 2021 e será concluído em março de 2026. De acordo com o diretor, a empresa começou a experimentar novas tecnologias antes delas estarem totalmente “prontas”. “Se eu domino esta tecnologia agora, vamos estar prontos para implementá-las, quando ficarem mais competitivas”, resume Alexandre.

Segundo Alexandre, todas as partes do projeto vão funcionar conectados ou desconectados à rede elétrica. Por exemplo, quando a rede (de transmissão) estiver com muita energia e não aceitar a energia gerada no projeto, o mesmo ficará desconectado à rede, funcionando como se fosse “uma ilha isolada”, trabalhando sem perturbar o grid (a rede) e podendo armazenar a energia não usada nas baterias.

Para Alexandre, “o segredo para destravar o potencial da energia renovável se chama flexibilidade. Quanto mais flexibilidade a gente tiver e fornecer ao sistema, vai ser melhor para todo mundo, porque vai se adaptar às situações que vão ficar cada vez mais voláteis, cada vez mais cargas distribuídas, geração distribuída, e tudo mais que vai trazer muita volatilidade ao sistema” elétrico.

Ele argumenta que o projeto vai trazer flexibilidade “e que isso compensa a volatilidade, estabiliza, e pode otimizar, por exemplo, a capacidade de transmissão de energia”. A pesquisa, na pequena planta híbrida, vai testar o quanto de flexibilidade o projeto consegue dar ao sistema, o quão rápido consegue ligar e desligar, conectar ou desconectar à rede todas as partes envolvidas no projeto, como a usina eólica, a solar, o BESS e o data center. “Todos esses aspectos são objetos de pesquisa, serão estudados”, afirma, elogiando a Aneel por ter aprovado um projeto “inovador”.

O teste ocorre num pequeno sistema que, posteriormente, pode ser ampliado e contribuir para a energia renovável do Nordeste não depender de uma conexão que às vezes é negada por falta de linha de transmissão. Uma planta que também pode consumir ou armazenar sua própria energia, quando a rede não consegue recebê-la. É o futuro chegando numa experiência do sertão da Bahia.

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