
Nos 10 primeiros meses deste ano, os cortes de geração trouxeram uma perda de receita de R$ 5,4 bilhões as usinas eólicas e solares – principalmente no Nordeste -, segundo informações da consultoria Volts Robotics, baseado em dados do Operador Nacional do Sistema (ONS). Ou seja, foram descartados 20,4% de toda a geração renovável que poderia ser produzida no Brasil de janeiro a outubro de 2025.
Os cortes de geração são determinados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) e ocorrem, na maioria das vezes, ou quando há excesso de geração num determinado horário – como por exemplo pela manhã e começo da tarde – ou quando não há linhas de transmissão suficientes para escoar a energia que seria produzida.
O próprio relatório da consultoria explica: “Isso significa que as usinas renováveis poderiam gerar 100 unidades de energia, mas geraram somente 79,6 unidades”. Ou seja, as empresas produziram menos do que o esperado e perderam receitas.
No último mês de outubro, as usinas solares sofreram cortes em 37% de seu potencial de geração, com mais de 1,3 mil gigawatt-hora (GWh) não escoados e perdas equivalentes a R$ 192 milhões, de acordo com o relatório da consultoria. Entre as eólicas, os cortes chegaram a 37,1%, com quase 4,6 mil GWh cortados e R$ 741 milhões em prejuízo. No total, 5,9 mil GWh deixaram de ser gerados em outubro último e o prejuízo dos geradores de renováveis somou R$ 1,1 bilhão somente no mês passado.
Os cortes de geração renovável em outubro concentraram-se no Rio Grande do Norte (43,8%), Ceará (34,9%), e Minas Gerais (30,8%).
Cortes de geração geram uma situação “insustentável”
O diretor geral da Volt Robotics, Donato Filho, disse que esta situação é física e economicamente insustentável, argumentando que este é um problema a ser resolvido com um conjunto de medidas e em pelo menos 10 anos para chegar a um patamar considerado aceitável.
Donato citou algumas iniciativas que podem ser adotadas, contribuindo para reduzir os cortes de geração. Uma delas é o e armazenamento de energia em grandes baterias, tipo BESS. Caso seja acrescentado sistemas tipo BESS que armazenem 3 mil megawatts (MW) até 2028, isso reduziria os cortes de geração em 31%, de acordo com Donato.
Se até 2029, os sistemas tipo BESS tivessem a capacidade de armazenar 7 mil MW, os cortes de geração teriam uma redução de 71%. E essa diminuição poderia chegar a 81%, caso fossem instalados sistemas tipo BESS que armazenassem 10 mil MW em 2030. “O BESS é um coringa”, resume Donato.
Os sistemas de armazenamento tipo BESS ainda não são implantados em larga escala no Brasil porque as empresas estão esperando uma regulamentação. O texto aprovado na MP 1304 deu isenção fiscal de vários tributos para a implantação desse tipo de sistemas no Brasil, mas ainda depende da sanção presidencial para virar lei.
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