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Rota Energética: tecnologia descarboniza o agro em usinas de Alagoas

Série mostra como a geração de energia verde avança pelo interior de Alagoas, conectando agro, indústria e pesquisa em uma nova economia de baixo carbono.
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  1. Usinas alagoanas produzem 200 mil MWh de energia renovável a partir do bagaço da cana-de-açúcar.
  2. Excedente energético das usinas Caeté é comercializado no mercado livre e utilizado em irrigação regional.
  3. Unidade Marituba instala planta de energia solar com capacidade de 0,3 MW complementando geração de bioenergia.
  4. Cooperativa Pindorama incorpora milho na produção de etanol para eliminar oscilações da entressafra da cana.
  5. Setor sucroenergético alagoano avança em soluções sustentáveis conectando agronegócio, indústria e pesquisa científica.
Usina Caeté, em São Miguel dos Campos, é referência na geração de energia a partir do bagaço da cana em Alagoas
Usina Caeté, em São Miguel dos Campos, é referência na geração de energia a partir do bagaço da cana em Alagoas. Foto: Divulgação

Na era da economia de baixo carbono, a busca pelo desperdício zero deixou de ser apenas uma meta de governança ambiental (ESG) para se transformar em uma nova e robusta linha de receita. Em Alagoas, as soluções energéticas avançam a passos largos pelos municípios do interior, abrangendo experiências integradas no agronegócio, na indústria e na pesquisa científica de vanguarda. Em três matérias, série especial do Movimento Econômico vai mostrar como a geração de energia verde avança pelo interior de Alagoas, conectando agro, indústria e pesquisa em uma nova economia de baixo carbono.

O setor sucroenergético vem ampliando o reaproveitamento de biomassa na geração de energia, garantindo a autossuficiência de plantas fabris e abrindo canais para a comercialização do excedente produzido, o que contribui para o abastecimento regional de forma muito mais limpa.

As usinas Caeté, do Grupo Carlos Lyra, localizadas em Igreja Nova (Unidade Marituba) e São Miguel dos Campos (Unidade Matriz), por exemplo, produziram na safra 2025/2026 cerca de 200 mil MWh de energia renovável a partir do bagaço da cana-de-açúcar. Desse total, aproximadamente 40% correspondem ao excedente energético destinado à irrigação e à comercialização no mercado livre de energia, enquanto os 60% restantes abastecem os processos industriais das próprias unidades.

Ao longo do último ciclo, a Unidade Marituba esmagou 1.395.468 toneladas de cana-de-açúcar, resultando na produção de 1.937.825 sacos de açúcar e 47.803.286 litros de etanol. Já a Unidade Matriz moeu 1.857.344 toneladas de cana, gerando 3.241.626 sacos de açúcar e 48.519 m³ de etanol.

Maurício Veras, gerente da usina Caeté
Gerente de manutenção elétrica da Usina Caeté, Maurício Veras, destaca avanços na geração de energia a partir do bagaço da cana em Alagoas. Foto: Assessoria

O gerente de manutenção elétrica da Usina Caeté, Maurício Veras, explicou ao Movimento Econômico que, além da bioenergia gerada pelo aproveitamento do bagaço da cana, a Unidade Marituba também conta com uma planta de energia solar com capacidade instalada de 0,3 MW.

“Em um cenário marcado pela transição energética e pela busca contínua por maior eficiência nos processos produtivos, o setor sucroenergético segue se destacando por iniciativas sustentáveis e inovadoras. Nesse contexto, a Usina Caeté e a Unidade Marituba reafirmam seu protagonismo na geração de energia renovável em Alagoas”, destacou.

Pindorama e o pioneirismo do combustível que quebra a entressafra

No Litoral Sul de Alagoas, a Cooperativa Pindorama inovou ao incorporar o milho em sua matriz de biocombustíveis. A estratégia protege a operação em um cenário onde as últimas safras de cana-de-açúcar sofreram oscilações em virtude de fatores climáticos. Com o modelo flex, a usina passou a produzir etanol o ano inteiro, eliminando o fantasma da entressafra.

O cereal foi inserido na linha de produção em 2024, resultando inicialmente em 12 milhões de litros. Já na safra 2025/2026, a cooperativa deu um salto de escala, produzindo aproximadamente 35 milhões de litros de etanol de milho, além de 40 mil toneladas de WGD (Wet Distillers Grains), uma mistura proteica residual que é integralmente absorvida como ração animal.

Segundo o gerente industrial da cooperativa, Erikson Viana, a operação contínua trouxe ganhos expressivos de eficiência. “Desde que nossa planta flex entrou em operação, ampliamos o poder de produção e incrementamos tecnologia de automação. Enquanto a usina de cana pausa para o reparo das máquinas, fabricamos etanol de cereais, o que amplia nossa margem produtiva”, explicou.

Cooperativa Pindorama e Veolia
Cooperativa Pindorama, em Coruripe, vai gerar biocombustíveis em parceria com a Veolia e avança no processo de descarbonização. Foto: Assessoria

A nova fronteira do biogás e do biometano para gerar energia

O próximo passo rumo à descarbonização na Pindorama foca no reaproveitamento da vinhaça, um resíduo líquido gerado durante a destilação do etanol. Fruto de uma parceria estratégica com a multinacional francesa Veolia, o projeto denominado “Bioenergias Pindorama – Veolia” prevê a biodigestão de 350 m³/h anuais de vinhaça oriunda do processamento de cana, milho e sorgo.

O início das operações está programado para o segundo semestre de 2028. A tecnologia prevê a retenção do resíduo para capturar o gás metano e convertê-lo em energia industrial de altíssimo valor, substituindo o uso de combustíveis fósseis tradicionais, mantendo ainda o composto restante para a fertirrigação do canavial.

“A fábrica de recuperação de gás metano consiste em um grande reator que vai absorver esse resíduo. Há uma retenção de aproximadamente 24 horas, tempo necessário para a geração do gás por meio de um processo enzimático. Teremos sensores avaliando a propagação do gás em cada camada do tanque”, detalhou Erikson Viana.

De acordo com o gerente, a capacidade atual de geração de vinhaça na cooperativa é de 14 litros do resíduo para cada litro de álcool de cana processado. Já a vinhaça oriunda dos grãos possui um teor alcoólico menor, gerando um volume diário inferior, mas igualmente reaproveitável.

Quando a unidade estiver operando a pleno vapor, parte do biogás gerado na biodigestão será destinada à produção de 15 toneladas por hora de vapor verde para os processos internos da própria cooperativa. Outra fração será purificada para produzir 10.000 m³ de biometano por dia.

Com o biometano, a meta da Cooperativa Pindorama é substituir o diesel de suas frotas pesadas e trocar metade do combustível fóssil comercializado em seu posto de serviços em Coruripe. A iniciativa deve evitar a emissão de aproximadamente 10 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano na atmosfera.

Inauguração Complexo Exygen I
Parceria da Usina Caeté, Santo Antônio e Granbio prevê início de operações ainda em 2026 de biorrefinaria que produzirá biocombustíveis sustentáveis em Alagoas. Foto: Felipe Brasil

São Miguel dos Campos deve ganhar biorrefinaria

A GranBio, em parceria com as Usinas Caeté e Santo Antônio e a Impacto Bioenergia, lançou a pedra fundamental da Exygen I, uma biorrefinaria inovadora em São Miguel dos Campos, distante 58 quilômetros de Maceió. Esta será a primeira unidade brasileira a produzir biocombustíveis sustentáveis, com previsão de início da produção em 2026.

investimento anunciado é de R$ 1,5 bilhão para serem executados pelos próximos quatro anos. O projeto da Exygen I prevê a produção anual de 160 milhões de litros de etanol neutro em carbono a partir de 2026, que utilizará resíduos do açúcar como matéria-prima, e de 50 milhões de m³ de biometano por meio da vinhaça da cana-de-açúcar.

Leia outras matérias da série: Rota Energética: indústria de Alagoas avança com gás, vapor verde e resíduos

Rota Energética: pesquisa prepara interior de AL para transição energética

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