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Porto de Maceió vira estudo de caso global contra lixo plástico marinho

Selecionado como porto de demonstração da América Latina, Porto de Maceió terá dados usados para avaliar melhorias na recepção e destinação de resíduos de embarcações
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  1. Porto de Maceió integra projeto global GloLitter da Organização Marítima Internacional contra poluição plástica marinha.
  2. Único porto latino-americano selecionado para estudo de caso sobre gestão de resíduos de embarcações e lixo marinho.
  3. Volume de resíduos plásticos recebidos no terminal alagoano dobrou de 36 m³ em 2023 para 73 m³ em 2024.
  4. Missão técnica com IMO, ANTAQ e Porto de Antuérpia avaliou infraestrutura e fluxos de recepção portuária entre 18 e 20 maio.
  5. Brasil elaborará Plano de Ação Nacional para reduzir lixo plástico marinho dos setores navegação e pesca entre 2023–2025.
Porto de Maceió
Único escolhido em toda a América Latina, Porto de Maceió vai compor rede de estudos sobre gestão de resíduos e lixo marinho. Foto: Jonathan Lins Secom Maceió

Escolhido como porto de demonstração da América Latina no projeto global GloLitter, o Porto de Maceió passou a integrar um grupo de terminais usados como estudo de caso para aprimorar a gestão de resíduos de embarcações e reduzir o lixo plástico marinho. A iniciativa é conduzida pela Organização Marítima Internacional (IMO), com participação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e cooperação técnica do Porto de Antuérpia-Bruges Internacional.

Técnicos e representantes das instituições estiveram em Maceió entre os dias 18 e 20 de maio e participaram de diversas atividades, além de acompanhar os fluxos de retirada, recepção e destinação dos resíduos gerados por embarcações no terminal alagoano. A ação integra uma avaliação preliminar de viabilidade técnico-econômica para Instalações de Recepção Portuária, conhecidas como PRF, e sua conexão com alternativas de gerenciamento de resíduos.

O Porto de Maceió se junta a terminais portuários localizados Madagascar, na África; Jamaica, na América Central; Indonésia, na Ásia; e Vanuatu, no Pacífico nos estudos e colaborações para debater a preservação marinha.

Segundo divulgou a ANTAQ, o grupo brasileiro é composto pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, pela Marinha do Brasil e pelo Ministério da Pesca e Aquicultura. A força-tarefa será responsável pela elaboração do Plano de Ação Nacional para Lidar com o Lixo Plástico Marinho Proveniente dos Setores de Navegação e Pesca 2023–2025.

Atualmente, o Porto de Maceió já opera o recebimento de resíduos por meio de empresas especializadas, responsáveis pela gestão de plásticos, lodo e resíduos domésticos enquadrados no Anexo V da Convenção MARPOL. O volume de resíduos plásticos recebidos no terminal passou de 36 m³ em 2023 para 73 m³ em 2024, segundo a administração portuária.

Segundo a ANTAQ, a experiência em Maceió deverá servir como estudo de caso para subsidiar propostas de aperfeiçoamento regulatório voltadas ao descarte adequado dos resíduos gerados por navios.

“Nós sempre debatemos, na ANTAQ, sobre o correto descarte desses resíduos vindos dos navios. E esse encontro no Porto de Maceió nos serviu de estudo de caso a fim de termos subsídios para trabalharmos nas propostas de aperfeiçoamento regulatório”, afirmou Uirá Oliveira, superintendente de ESG e Inovação da agência.

Missão Antuérpia Porto de Maceió
Comitiva contou com representantes do Porto de Antuérpia,  Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), pela Marinha do Brasil e pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Foto: ANTAQ

Missão avaliou estrutura e destino dos resíduos no Porto de Maceió

A programação da missão técnica incluiu reuniões com representantes da comunidade portuária, operadores, órgãos ligados à gestão ambiental e demais atores envolvidos na cadeia de retirada e destinação de resíduos. Os participantes também visitaram as instalações do Porto de Maceió, incluindo um terminal açucareiro.

A comitiva conheceu ainda uma cooperativa de reciclagem responsável pelo recebimento de parte dos resíduos retirados das embarcações que atracam no porto. A proposta é compreender o funcionamento do fluxo completo, desde a geração do resíduo a bordo dos navios até a recepção, triagem e destinação final em terra.

O projeto prevê ainda a coleta de dados estatísticos dos últimos anos sobre escalas de navios e entrega de resíduos, além da elaboração de relatórios técnicos que deverão ser concluídos até setembro de 2026. A expectativa é que os estudos apontem alternativas para fortalecer a estrutura de recepção portuária e ampliar a eficiência da gestão ambiental no terminal.

antuerpia Porto de Maceió
Missão técnica visitou um terminal açucareiro e outras instalações no Porto de Maceió. Foto: ANTAQ

Cooperação pode orientar melhorias no setor portuário

A missão técnica em Maceió é um desdobramento das oficinas promovidas pela IMO em dezembro de 2024, quando Brasil e Jamaica desenvolveram propostas para fortalecer os procedimentos de recepção e destinação do lixo proveniente das atividades portuárias e marítimas.

Para a chefe da Assessoria de Relações Internacionais da ANTAQ, Cyrce Queiroz, a participação brasileira em iniciativas desse tipo reforça o papel do país em agendas internacionais de sustentabilidade e cooperação técnica.

“Ações com esse objetivo fortalecem a imagem do Brasil como um parceiro ativo e engajado em soluções internacionais para desafios comuns, ampliando oportunidades de cooperação técnica, investimentos e aproximação com organismos internacionais”, afirmou.

Leia mais: Equatorial amplia rede no Sertão de Alagoas com obra de R$ 30 milhões

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