
As estradas que ligam povoados entre Porto Real do Colégio e Penedo e integram a rota Caminhos do Imperador, percorrida por Dom Pedro II há 167 anos, serão pavimentadas. O governo anunciou nesta segunda-feira (11) um investimento de R$ 91,2 milhões e com isso pretende melhorar o deslocamento e impulsionar o turismo na região do Baixo São Francisco
A rota completa compreende quase 300 quilômetros e refaz a expedição de Dom Pedro II pelas cidades banhadas pelo Rio São Francisco, que foi documentada no livro “Viagem às províncias do Norte do Brasil”, passando por diversas cidades até chegar a Piranhas.
Nas obras anunciadas hoje, o trecho revitalizado será de apenas 35,5 quilômetros e contemplará drenagem e pavimentação entre as cidades de Penedo e Porto Real do Colégio. A data de conclusão não foi divulgada.
Durante a agenda, o governador de Alagoas, Paulo Dantas, destacou a importância da obra para o turismo e a melhoria do deslocamento da população local.
“Hoje iniciamos uma obra fundamental para o desenvolvimento do estado, que é a Rota do Imperador, os Caminhos do Imperador, contemplando Penedo, Igreja Nova, Piaçabuçu e Porto Real do Colégio”, disse.

Rota do Imperador percorre cidades banhadas pelo Velho Chico
A rota original tem início em Piaçabuçu, onde documentos datam a chegada de Dom Pedro II e Teresa Cristina em 1859. De lá, eles percorreram cidades como Traipu, Porto Real do Colégio e Pão e Açúcar até chegar a Piranhas, onde a comitiva seguiu a cavalo para a cidade de Paulo Afonso, na Bahia.
Apesar de parte do trecho ser de estradas não pavimentadas, atualmente a rota é realizada por ciclistas ou passeios turísticos que incluem percursos pelo Rio São Francisco via Catamarã.
As obras de revitalização são aguardadas por diversas cidades como forma de ampliar o turismo na região com um novo roteiro turístico. Em Piranhas e Pão de Açúcar, por exemplo, há roteiros customizados onde é possível conhecer parte do percurso original, realizar visitas a pontos turísticos e prédios históricos, que se conectam com roteiros que incluem ainda ida à Grota do Angico, que faz parte da Rota do Cangaço.
Em Penedo, os roteiros que incluem a Rota do Imperador combinam uma imersão no complexo arquitetônico e cultural da cidade histórica.

Projeto ferroviário amplia aposta no turismo histórico
Além das obras anunciadas pelo governo estadual, a prefeitura de Delmiro Gouveia anunciou em março um projeto para resgatar a linha férrea que liga a cidade à Piranhas e Olho D’Água do Casado.
O Trem do Imperador é outro equipamento que busca ampliar o turismo na região dos Cânions do São Francisco, unindo paisagens a história. A Infra S.A, empresa ligada ao Ministério dos Transportes, iniciou em abril a fase de levantamento de dados e elaboração do projeto executivo.
A ferrovia do Imperador tem origem histórica datada de 1859, quando Dom Pedro II percorreu o Rio São Francisco e foi de Piranhas a Paulo Afonso, na Bahia, de cavalo. Posteriormente, ele autorizou que a estrada que ele percorreu fosse transformada em ferrovia, que ligaria Piranhas a Jatobá, em Pernambuco. A ferrovia, de fato, funcionou entre 1881 e 1964, quando foi desativada.
“O ‘Trem do Imperador’ não é apenas um resgate nostálgico, mas uma ferramenta de geração de emprego e renda. Queremos oferecer uma experiência imersiva que encante o turista e fortaleça nossa economia regional”, afirmou a prefeita de Delmiro Gouveia.
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