
Os produtores rurais pernambucanos devem realizar a atualização cadastral obrigatória dos rebanhos e propriedades rurais até o final do mês de maio. O prazo atende à primeira etapa da Campanha de Atualização Cadastral 2026, promovida pela Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco (Adagro). A ação ocorre em todos os 162 escritórios da Agência espalhados pelo Estado. Instituída pela Portaria Adagro nº 065, de outubro de 2024, a atualização cadastral ocorre duas vezes ao ano, nos meses de maio e novembro.
A atualização pode ser feita presencialmente, inclusive nos postos que funcionam em parceria com prefeituras, ou pela internet, por meio do Sistema de Integração Agropecuária (Siapec), disponível no site da Adagro, para os produtores que já possuem senha de acesso e cadastro regularizado.
A campanha é obrigatória para todos os criadores de animais e integra a política de vigilância sanitária animal do Estado. Quem deixar de atualizar as informações ficará com o cadastro bloqueado, impedido de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), além de poder receber advertências, multas e enfrentar restrições no acesso a linhas de crédito agropecuário.
Segundo o diretor-presidente da Adagro, Moshe Dayan Fernandes, a iniciativa é considerada estratégica para o fortalecimento da defesa agropecuária pernambucana. “O objetivo é promover o controle sanitário, aperfeiçoar as ações de proteção e monitoramento da sanidade animal, além de garantir o trânsito seguro de animais que circulam no estado”, afirma.
Agropecuária reforça vigilância sanitária no estado
A campanha ganha ainda mais relevância em um momento em que Pernambuco e o Brasil receberam, em 2025, o reconhecimento internacional de Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Para a Adagro, manter os dados atualizados é essencial para preservar esse status sanitário, considerado estratégico para a economia agropecuária.
Durante todo o mês, fiscais estaduais agropecuários e assistentes de defesa agropecuária estarão mobilizados para atender os produtores e reforçar as orientações sobre a atualização dos dados.
O coordenador do Programa de Vigilância da Febre Aftosa da Adagro, Edmilson Martins, destaca que o levantamento das informações é decisivo para garantir respostas rápidas em casos de suspeitas de doenças.
“A ação é fundamental para gestão e a defesa agropecuária de Pernambuco e os dados sobre quantidade de animais e localização das propriedades permite uma rápida resposta em caso de notificação de alguma doença, além de colaborar com a formulação de políticas públicas voltadas para o agro, além de reforçar as atividades de fiscalizações de trânsito agropecuário e maior controle sanitário de eventos como feiras, leilões e exposições, onde ocorre aglomeração de animais”, explica.
PE possui mais de 218 mil propriedades cadastradas
De acordo com dados do Siapec, Pernambuco possui atualmente 218,9 mil propriedades rurais e cerca de 259 mil produtores cadastrados. A atualização envolve informações sobre todos os animais sob responsabilidade dos criadores, incluindo bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos, suínos, equídeos, aves comerciais e de subsistência, animais aquáticos e abelhas.
Entre os maiores rebanhos do Estado estão os ovinos, com 3,5 milhões de animais, seguidos pelos caprinos, com 3 milhões, e pelos bovinos, que somam 2,63 milhões de cabeças. Pernambuco também contabiliza 94,3 mil equinos, 75,1 mil suínos e mais de 60,9 mil aves.
Para efetivar a atualização, os produtores precisam informar os quantitativos de animais existentes nas propriedades, incluindo nascimentos e mortes ocorridos desde a última campanha, além de dados pessoais, documentação da propriedade e localização geográfica.
Desafio é ampliar adesão de criadores
Apesar da obrigatoriedade, a Adagro ainda enfrenta dificuldades para ampliar os índices de atualização cadastral, especialmente entre criadores de caprinos, ovinos e suínos. Neste ano, a Gerência de Defesa Animal intensificou as ações de mobilização para aumentar a participação desses segmentos.
A superintendente de Defesa e Inspeção Animal da Adagro, Samy Bianchini, ressalta que as informações fornecidas pelos produtores são fundamentais para o planejamento das ações sanitárias no Estado. “É a partir dessas informações que as ações são planejadas e é realizado o monitoramento de defesa animal, garantindo uma sanidade efetiva dos rebanhos pernambucanos”, pontua.
Geolocalização reforça monitoramento
Outro ponto considerado essencial pela Agência é a inclusão das coordenadas geográficas das propriedades rurais durante a atualização cadastral. A medida busca garantir maior precisão no monitoramento sanitário e facilitar o deslocamento das equipes técnicas em situações emergenciais.
Segundo a Adagro, a geolocalização permitirá maior agilidade no atendimento de ocorrências sanitárias, suspeitas de doenças e ações preventivas no campo. Os produtores que não possuem aparelho de GPS poderão procurar os escritórios da Agência para receber orientações sobre como identificar corretamente a localização das propriedades.
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