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Nova pecuária ganha força em Pernambuco com foco em gestão e eficiência

Iniciativas do Sebrae e parceiros impulsionam produtores da Zona da Mata e do Agreste a sair do modelo tradicional e adotar práticas mais rentáveis
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Encontro reuniu especialistas, gestores e criadores de gado do Agreste e da Zona da Mata no Sebrae, no Recife – Foto: Divulgação/Sebrae

As transformações na pecuária pernambucana, impulsionadas por mudanças econômicas e pela necessidade de maior eficiência produtiva, foram temas do Seminário de Bovinocultura de Corte, promovido pelo Sebrae-PE, nesta terça-feira (31), no Recife. Voltado a produtores da Zona da Mata e do Agreste, o encontro reuniu especialistas, gestores e criadores para discutir desde a tributação do setor até estratégias de gestão e inovação no agronegócio.

A iniciativa ocorre em um momento de reconfiguração da Zona da Mata, tradicionalmente marcada pela monocultura da cana-de-açúcar. Com o declínio da atividade, muitos produtores migraram para a pecuária de corte, aproveitando condições naturais favoráveis e a proximidade de mercados consumidores, além da instalação de uma unidade frigorífica de grande porte da Masterboi.

Apesar das oportunidades, o novo cenário trouxe desafios importantes, especialmente na gestão das propriedades. Para enfrentar esse gargalo, o Sebrae-PE estruturou um conjunto de ações que já soma 1,7 mil horas de consultorias, focadas em gestão, adoção de práticas ESG e uso de dados para tomada de decisão.

De acordo com a gestora estadual do agronegócio do Sebrae, Jussara Leite, o foco é transformar o pequeno produtor em um agente mais estratégico dentro da cadeia produtiva. “O nosso trabalho vai além da produção em si. A gente atua para que esse produtor entenda o negócio como um todo, desde o planejamento até a comercialização. A lógica é fortalecer o pequeno produtor rural, seja na bovinocultura ou em outras atividades, para que ele consiga não só produzir melhor, mas também beneficiar sua produção e encontrar canais mais eficientes de venda”, afirma.

Parcerias e investimentos ampliam alcance no Agreste

No Agreste, o trabalho também envolve parceria com a Adepe e investimentos superiores a R$ 400 mil em projetos que beneficiam criadores de municípios como Bezerros, Sairé e Gravatá. As ações incluem melhoramento genético, implantação de forragens estratégicas para períodos de estiagem e incentivo à organização coletiva dos produtores.

Segundo Lucas Farias, gestor de projetos do Sebrae em Caruaru, a atuação tem sido direcionada para resolver entraves históricos da atividade. “A gente identificou que os principais gargalos estavam na gestão, na sanidade e no melhoramento genético. Então, estruturamos um trabalho integrado nesses três pilares”, explica.

Ele ressalta que os resultados já aparecem de forma concreta no dia a dia dos produtores, apresentando-lhes uma visão mais empresarial, com ganhos no controle e na eficiência. Farias também destaca o impacto das tecnologias aplicadas. “A gente já trabalhou com inseminação artificial, avaliação de carcaça por ultrassonografia, acompanhamento nutricional e reprodutivo. Tudo isso melhora a qualidade do animal e permite que o produtor alcance mercados que pagam melhor. No fim, isso se traduz em renda”, completa.

Desafios estruturais na Zona da Mata

Na Zona da Mata, o desafio foi ainda mais estrutural. Muitos produtores migraram da cana de açúcar para pecuária sem conhecimento técnico, o que exigiu uma abordagem mais ampla e pedagógica. “Pecuária não é simplesmente alimentar o animal e vender. Existe toda uma lógica de gestão, de planejamento, de equilíbrio do rebanho que precisa ser compreendida. Muitos estavam desbalanceados, com custos altos e baixa eficiência. O foco foi reorganizar isso para aumentar a produtividade e o resultado financeiro”, explica Milena Oliveira, gestora de projetos do Sebrae na região.

Milena também destaca o eixo ambiental como parte da transformação. “Trabalhamos muito a questão do Cadastro Ambiental Rural, porque muitos produtores não tinham regularização e, com isso, ficavam fora de oportunidades de crédito e programas. Mostramos que a adequação ambiental não é um problema, mas uma porta de entrada para novos benefícios e para uma produção mais sustentável”, diz.

Resultados já percebidos na cadeia produtiva

Os resultados começam a aparecer tanto na qualidade dos animais quanto na organização da cadeia produtiva. Para Carlos Dias, coordenador contábil da Masterboi, empresa que compra desses criadores, a evolução já impacta diretamente a indústria.

“A gente percebe claramente uma melhoria na qualidade do gado que chega para abate, tanto no manejo quanto no rastreamento. Esse trabalho do Sebrae é fundamental porque conscientiza o produtor sobre a importância desses cuidados. Quanto melhor o animal, maior a possibilidade de valorização e de inserção em mercados mais exigentes. Existe um ganho coletivo. O produtor melhora, a indústria recebe um produto melhor e o consumidor final também é beneficiado”, afirma.

Na ponta, os produtores relatam mudanças concretas na forma de conduzir o negócio. Ricardo Kuhni, da Fazenda Coqueiral, em Sairé, destaca que o projeto trouxe uma quebra de paradigmas. “A gente passa muitos anos fazendo as coisas do mesmo jeito e acaba criando uma zona de conforto. O projeto trouxe uma visão nova, mais atualizada, e fez a gente repensar processos que já estavam automatizados. São melhoria na gestão que fazem com que a gente tome decisões mais assertivas. Hoje, conseguimos enxergar melhor os resultados e planejar o futuro com mais segurança”, diz.

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