
O Brasil deve registrar uma produção histórica de 353,4 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2025/26, segundo dados do 6º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O desempenho representa um crescimento de 0,3% com relação à safra anterior, impulsionado por um aumento de 1,7% na área plantada, que atingiu 83,2 milhões de hectares. Dentro desse cenário, o Nordeste brasileiro apresenta papel fundamental, com uma produção regional estimada em 29,5 milhões de toneladas, sustentada pela expansão das fronteiras agrícolas e condições climáticas favoráveis em estados como Maranhão e Piauí.
A soja é o principal vetor de crescimento tanto nacional quanto regional. No Nordeste, a oleaginosa deve entregar 18,9 milhões de toneladas, enquanto o milho totaliza 8,7 milhões de toneladas. A região também se destaca na produção de fibras, com a Bahia projetando a colheita de 1,9 milhão de toneladas de algodão em caroço, consolidando o estado como o segundo maior produtor desta cultura no país, atrás apenas de Mato Grosso.
Expansão de área e liderança regional
Segundo a Conab, a área destinada aos grãos no Nordeste acompanhou a tendência nacional de crescimento, sendo um fator decisivo para compensar retrações em outras culturas, como o arroz, que teve queda nacional de 12,4%.
O levantamento da Conab aponta que o avanço da tecnologia no campo e a regularidade das chuvas em polos como o Matopiba (região composta por partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) permitiram que a produtividade média fosse preservada, garantindo o suprimento dos mercados interno e externo.
Atualmente, o Centro-Oeste detém 49,9% da produção nacional, com Mato Grosso liderando isolado (123,4 milhões de toneladas). No entanto, os dados da Conab destacam que o Nordeste amplia sua relevância no balanço de oferta, especialmente em culturas de alto valor agregado.

De acordo com João Edegar Pretto, diretor-presidente da companhia, o monitoramento das lavouras indica que, apesar de desafios fitossanitários pontuais como a ferrugem-asiática em Minas Gerais, o país caminha para consolidar este volume recorde.
Monitoramento e riscos fitossanitários
O documento aponta que o sucesso da safra no Nordeste e no restante do país depende agora da finalização do ciclo das culturas de segunda e terceira safras. No Maranhão e no Piauí, o enchimento de grãos ocorre sob condições satisfatórias, enquanto na Bahia o foco é o manejo de pragas para assegurar a qualidade da fibra do algodão.
A Conab ressalta que o planejamento logístico e a disponibilidade de capital para investimento permanecem como fatores de atenção para os produtores que visam as próximas etapas de comercialização, visto que o volume recorde de 353,4 milhões de toneladas exige uma operação de escoamento eficiente nos portos e terminais ferroviários do país.
Balanço hídrico e variabilidade pluviométrica
O levantamento da Conab ressalta que, em fevereiro de 2026, o cenário climático brasileiro foi marcado por uma distribuição irregular de umidade, com precipitações acima de 150 mm na maior parte do território nacional. No entanto, faixas do Nordeste, Sul e o extremo-norte da Região Norte registraram volumes inferiores a 120 mm, o que resultou em níveis de umidade do solo mais reduzidos nessas áreas estratégicas.
Na região Norte, o aporte hídrico foi consistente, com chuvas superando os 150 mm em estados como Amapá, Amazonas, Tocantins e Pará, garantindo a estabilidade hídrica necessária para as culturas locais. A exceção crítica foi o norte de Roraima, onde o acumulado não atingiu 40 mm, provocando uma queda severa no armazenamento de água no solo.
Já no Nordeste, o quadro apresentou contrastes severos. Enquanto o oeste da Paraíba, o norte do Maranhão e o noroeste da Bahia registraram chuvas abundantes acima de 200 mm, outras áreas enfrentaram dificuldades.
No Piauí, Ceará, Pernambuco, Alagoas e Sergipe as precipitações ficaram abaixo dos 150 mm, volume insuficiente para promover uma recuperação efetiva da umidade do solo no período, destaca o relatório.
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