
Pelo menos cinco cidades do Semiárido disputam a sede do primeiro armazém pulmão permanente do Nordeste da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab): Patos (PB), Petrolina (PE) e o Triângulo Crajubar (CE) — polo formado por Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. A estrutura, inexistente na região, é essencial para redistribuir estoques públicos de grãos em um território que concentra 80% do milho comercializado pelo Programa de Venda em Balcão (ProVB) no país.
Patos larga na frente: o diretor-executivo de Desenvolvimento, Inovação e Gestão de Pessoas da Conab, Lenildo Dias de Morais, reuniu-se na sexta-feira passada (6) com representantes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) para discutir a elaboração do estudo técnico que definirá a localização do hub — encontro que contou com o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, e a superintendente regional da Paraíba, Kelly Ramalho.
A escolha da UFPB como interlocutora para o estudo e a presença da superintendente regional da Paraíba na reunião inaugural sinalizam protagonismo do estado no processo. Patos, no Sertão paraibano, apresenta argumento logístico concreto: posição geográfica intermediária entre sub-regiões nordestinas e proximidade com zonas produtoras de milho.
A cidade já abriga uma Unidade Armazenadora da Conab na BR-230 e teve inaugurada, no dia seguinte à reunião (7), uma Unidade Satélite de Venda (USV) em Itaporanga, município do Vale do Piancó vinculado à sua estrutura. Petrolina e o Triângulo Crajubar disputam com infraestrutura logística equivalente e posicionamento estratégico no eixo interestadual do Semiárido, mas sem o mesmo envolvimento institucional registrado até agora.
Além do armazém pulmão, Morais anunciou, durante a visita à Paraíba, ampliação dos produtos comercializados no armazém de Patos: a unidade passará a oferecer farelo de soja subsidiado, com previsão também para caroço de algodão — ambos condicionados à publicação de portaria federal em elaboração. A inclusão do caroço de algodão foi descrita pelo diretor-executivo como demanda histórica dos produtores da região.

Pulmão provisório em Sergipe
A urgência da decisão fica evidente na solução provisória já adotada pela companhia. No dia 26 de fevereiro deste ano, a Conab operacionalizou um armazém privado em Simão Dias (SE) para estocar 9 mil toneladas de milho adquiridas da agricultura familiar sergipana e abastecer o ProVB nos estados de Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e outros da região.
O diretor-executivo da companhia, Arnoldo de Campos, descreveu a estrutura como um “grande pulmão” provisório e reconheceu a limitação estrutural: a Conab não dispõe de estrutura própria para armazenar grãos naquela sub-região.
A iniciativa marcou ainda o ineditismo de a companhia comprar milho produzido no próprio Nordeste para vender na região — historicamente, os estoques vinham do Centro-Oeste. Segundo o proprietário do armazém, Crizanto Rocha, cerca de 70% do milho consumido em granjas de Pernambuco já é originário de Sergipe, Bahia e Alagoas, o que torna a armazenagem local logisticamente mais vantajosa.
Rede própria insuficiente da Conab
A lacuna que o armazém pulmão permanente pretende preencher é estrutural. A rede própria da Conab é composta por 64 Unidades Armazenadoras e 126 armazéns em 24 estados e no Distrito Federal, com capacidade estática de 1,6 milhão de toneladas — aproximadamente 1% da capacidade nacional. Somada à rede privada credenciada, a capacidade total sobe para 2,96 milhões de toneladas.
No Nordeste, as unidades próprias são escassas e geograficamente dispersas: na Bahia, maior estado da região, a Conab mantém instalações em apenas 3 municípios — Irecê, Itaberaba e Ribeira do Pombal —, insuficiência que levou o órgão a lançar, no dia 3 de março, o Chamamento Público 01/2026 para credenciar armazéns privados no estado.
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