
A Construção Civil foi o único setor com saldo positivo em todos os nove estados nordestinos em janeiro de 2026, respondendo por 10.826 postos na região. Sem esse desempenho, o resultado regional teria fechado no negativo: os demais setores acumularam retração líquida de 4.692 vagas, levando o saldo total a 6.134 postos formais — 297.724 admissões e 291.590 desligamentos —, segundo dados do Novo Caged divulgados nesta terça-feira (3) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Pernambuco liderou a geração de empregos na Construção Civil, (+3.069), seguido por Bahia (+2.722), Rio Grande do Norte (+883), Paraíba (+816) e Ceará (+785). Os demais estados também registraram crescimento no setor: Sergipe (+457), Maranhão (+372) e Piauí (+259). O resultado geral de janeiro contrasta com o desempenho acumulado: nos últimos 12 meses (fev/25 a jan/26), a região gerou 348.505 vagas, variação de 4,38% sobre o estoque.
Dos nove estados nordestinos, cinco registraram saldo positivo em janeiro. A Bahia liderou com 6.124 vagas (84.539 admissões e 78.415 desligamentos), variação relativa de 0,27% sobre o estoque anterior. O Maranhão contribuiu com 2.516 postos (variação de 0,36%), o maior crescimento relativo da região. O Rio Grande do Norte registrou 1.164 vagas (0,21%), Pernambuco somou 889 postos (0,06%) e Sergipe fechou com 293 vagas (0,08%). As maiores retrações ficaram com Alagoas (-2.922 postos, -0,60%) e Ceará (-1.291 vagas, -0,09%). Paraíba (-302) e Piauí (-337) completaram o grupo com saldo negativo no mês.
Em nível regional, 18 das 27 Unidades da Federação tiveram saldo positivo. Os maiores avanços foram registrados em Santa Catarina (+19.000), Mato Grosso (+18.731) e Rio Grande do Sul (+18.421). Em termos percentuais, Mato Grosso apresentou o maior crescimento (1,9%), seguido por Santa Catarina (0,7%) e Goiás (0,7%).
Indústria derruba Alagoas e Comércio recua em toda a região
A Indústria foi o principal vetor de queda em Alagoas, onde o setor registrou retração de -2.057 postos, impulsionada pelas Indústrias de Transformação (-2.003). O estado acumulou perdas em quase todos os segmentos em janeiro, com exceção de Construção (+353), Alojamento e Alimentação (+106), Saúde Humana (+119) e Atividades Imobiliárias (+88). Pernambuco também recuou na Indústria (-695), assim como Paraíba (-404) e Maranhão (-72).
O Comércio registrou retração generalizada em toda a região, padrão sazonal consistente com o resultado nacional. Ceará concentrou o maior recuo (-3.052 postos), seguido por Bahia (-2.924) e Pernambuco (-1.302).
Os Serviços sustentaram o saldo positivo da Bahia (+4.324 postos) e do Maranhão (+2.241), puxados em ambos os casos por Atividades Administrativas e Serviços Complementares (Bahia: +3.290; Maranhão: +457) e por Informação, Comunicação e Atividades Financeiras (Bahia: +3.492; Maranhão: +540). No Rio Grande do Norte, os Serviços responderam por 1.051 vagas do saldo total de 1.164, com destaque para Atividades Administrativas (+783) e Informação, Comunicação e Atividades Financeiras (+997). Piauí (-372) e Alagoas (-263) registraram retração no segmento.
A Agropecuária apresentou queda na maioria dos estados nordestinos. As maiores retrações ocorreram em Pernambuco (-791), Rio Grande do Norte (-640) e Paraíba (-310). Apenas Bahia (+980) e Maranhão (+55) registraram saldo positivo no setor.
Em 12 meses, Nordeste acumula 348.505 vagas
No acumulado de fevereiro de 2025 a janeiro de 2026, a Bahia registrou o maior saldo absoluto da região (92.283 vagas), seguida por Pernambuco (76.127) e Ceará (47.857). Em crescimento relativo, a Paraíba liderou com +6,08% (31.283 vagas), à frente do Piauí (+5,75%, 20.750 vagas) e de Pernambuco (+5,03%, 76.127 vagas). Alagoas registrou o menor crescimento relativo da região no período (+3,09%, 14.391 vagas).
O salário médio real de admissão no Nordeste em janeiro foi de R$ 2.070,49, alta de 4,44% em relação a dezembro de 2025. Na comparação com janeiro de 2025, o crescimento foi de 0,31%, o menor entre todas as regiões. A Bahia registrou R$ 2.108,14 (+5,21% sobre dezembro e +0,68% sobre janeiro de 2025).
O Piauí apresentou o maior crescimento mensal da região (+12,70%, chegando a R$ 2.206,68) e o maior crescimento anual (+8,17%). O Maranhão (R$ 2.062,17) registrou retração de 4,56% na comparação com janeiro de 2025, a maior queda anual entre os estados nordestinos.
Brasil gera 112.334 vagas em janeiro com quatro setores no positivo
O resultado nordestino integra o saldo nacional de 112.334 postos gerados em janeiro, a partir de 2.208.030 admissões e 2.095.696 desligamentos. O número é o menor saldo positivo registrado em um mês de janeiro desde 2020, abaixo dos 154.396 postos de janeiro de 2025 e dos 173.127 de janeiro de 2024, sinalizando desaceleração no ritmo de geração formal de empregos no início do ano.
Quatro dos cinco grandes grupamentos apresentaram crescimento. A Indústria registrou o melhor resultado, com 54.991 vagas, puxada pelas Indústrias de Transformação (53.237 postos). A Construção Civil gerou 50.545 empregos, com a maior variação relativa entre os grandes setores (1,72%). Os Serviços somaram 40.525 postos e a Agropecuária contribuiu com 23.073 vagas (1,26%).
O Comércio foi o único setor com retração, com fechamento de 56.800 vagas, resultado associado ao ajuste sazonal pós-festas de fim de ano. Dentro dos Serviços, Alojamento e Alimentação (-7.674) e Transporte, Armazenagem e Correio (-4.380) também recuaram, enquanto Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas (+13.042) e Atividades Administrativas e Serviços Complementares (+25.803) lideraram os ganhos no segmento.
Perfil dos postos: empregos típicos, jovens e trabalhadores pardos lideram
Dos 112.334 postos gerados em janeiro, 65.252 (58%) são classificados como empregos típicos e 47.082 (42%) como não típicos, categoria que inclui aprendizes, intermitentes, temporários, contratos via CAEPF e jornadas de até 30 horas semanais. A diferença salarial entre os dois grupos é de 13,7%: o salário médio dos típicos foi de R$ 2.428,67, contra R$ 2.136,37 dos não típicos.
Por faixa etária, trabalhadores de 18 a 24 anos responderam pelo maior saldo (69.185 postos), seguidos pelos de até 17 anos (42.620). Trabalhadores com 25 a 29 anos registraram retração de 2.723 postos. Por raça ou cor, pardos concentraram o maior saldo (76.561), seguidos de brancos (33.567) e pretos (13.216). Por sexo, homens responderam por 94.536 postos do saldo total e mulheres por 17.798.
Em todo o país, o salário médio de admissão foi de R$ 2.389,50, alta de 3,32% sobre dezembro e crescimento de 1,76% em relação a janeiro de 2025. O estoque total de trabalhadores formalizados chegou a 48.577.979, crescimento de 2,6% frente a janeiro de 2025. No acumulado de fevereiro de 2025 a janeiro de 2026, o saldo nacional é de 1.228.483 empregos formais criados. Os dados completos do Novo Caged estão disponíveis no portal do Ministério do Trabalho e Emprego.
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