
A Usina Cucaú iniciou, em fevereiro último, os testes para uma colheita mecanizada usando a colhedora chinesa 4GD1 fabricada pela FM World Agriculture. O equipamento permite operar com segurança áreas de declive de 20º a 25º, o que representa uma inclinação de 36% a 46% aproximadamente. Para o leitor ter ideia, as colhedoras convencionais trabalham com 11% de inclinação. A experiência é importante porque uma parte da Zona da Mata de Pernambuco apresenta muitos declives, dificultando a mecanização.
“A China produz equipamentos de porte mais compacto que conseguem operar numa inclinação maior”, diz o diretor Agrícola do Grupo EQM, Heleno Barros. Ele afirma que é necessária “toda uma conjuntura” para o uso da colhedora chinesa dar certo, como uma preparação do solo, fazer as entradas e saídas dos canaviais, nivelamento das áreas, entre outros. A máquina também apresenta um resultado melhor se a variedade da cana-de-açúcar for mais ereta.
Há duas décadas, era senso comum de que a colheita da cana-de-açúcar não poderia ser feita de forma mecanizada na Zona da Mata de Pernambuco por causa dos declives. Hoje, o pensamento é outro. “Não existe um equipamento para colher em todos os tipos de declive. A solução vai ser formada por um combo de equipamentos diferentes. Não vai se encontrar uma solução única. Desse modo, cada usina vai desenvolver duas ou três formas de colheita mecanizada, dependendo do grau de inclinação”, argumenta Barros.

Projeto piloto da colhedora chinesa na Cucaú
Localizada na Mata Sul de Pernambuco e com sua sede na cidade de Rio Formoso, a Usina Cucaú tem 66% das suas áreas com vários tipos de declives. O projeto piloto com a colhedora chinesa inclui a compra de duas máquinas. A primeira chegou no mês passado – no final da safra da empresa, que se encerrou na última semana de fevereiro -. A segunda colhedora está a caminho.
A máquina chinesa também efetua o despontamento, que é separa a palha do restante da planta, e acondiciona a cana em seu cesto para posterior carregamento. “A nossa expectativa é de que a colhedora chinesa atue com melhor resultado na próxima safra. Durante a entressafra, vamos fazer alguns ajustes que consideramos necessários”, comenta o diretor de Motomecanização do grupo EQM, Renato Avellar.
Ele cita alguns pontos a serem modificados como o sistema de desponte – que retira a palha da cana-de-açúcar-, melhorias do motor de corte de base (para aumentar a produtividade do corte) e um sensor de flutuação que vai contribuir para que o corte da planta ser realizado, de forma mais precisa, rente ao solo. “Existem sensores que fazem com que as máquinas acompanhem isso”, comenta Avellar.
Atualmente, as usinas do Grupo EQM utilizam a colhedora de cana-de-açúcar compacta modelo CASE A4010, que permitem operar com segurança em áreas com declividade de até 15°, aproximadamente 26% de inclinação. As empresas também usam a colhedora modelo CASE A4000.
Alternativas ao corte manual de cana
O grupo vem desenvolvendo alternativas ao corte manual da cana-de-açúcar há quase duas décadas. “Inicialmente, foram desenvolvidas soluções internas, incluindo a criação de implementos de corte fabricados na própria usina. Um marco desse esforço foi a máquina Atrevida, projetada em 2009 e fabricada em 2010, representando uma iniciativa pioneira do Grupo na busca por maior eficiência operacional em áreas de difícil mecanização”, comenta Renato.
Atualmente, o Grupo conta com um total de 40 colhedoras de cana-de-açúcar, sendo 8 unidades tecnicamente aptas a operar em terrenos com maior inclinação, ampliando a capacidade operacional em áreas de relevo mais acidentado, segundo Renato.
Com 135 anos de história, a Usina Cucaú emprega cerca de 5 mil trabalhadores numa safra e 2,2 mil na entressafra. Numa moagem, a unidade processa, em média, 1,4 milhão de toneladas de cana-de-açúcar, sendo 815 mil toneladas próprias e o restante é adquirido de fornecedores. A área de abrangência da empresa inclui sete municípios da região.
Além da Usina Cucaú, o Grupo EQM tem as usinas Utinga Leão, na cidade de Rio Largo, em Alagoas, e a Usina Estivas, em Arês, no Rio Grande do Norte.
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