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Açúcar sustenta exportações, mas AL inicia 2026 com déficit comercial

Alagoas ampliou parceiros comerciais e o açúcar respondeu por 95% das vendas para o exterior em janeiro
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Exportações de açúcar
Alagoas ampliou parceiros comerciais e o açúcar respondeu por 95% das vendas para o exterior em janeiro. Foto: Divulgação

A balança comercial de Alagoas iniciou 2026 em terreno negativo. Em janeiro, o estado exportou US$ 48,1 milhões e importou US$ 92,2 milhões, resultando em um déficit de US$ 44,1 milhões, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). Na comparação com janeiro de 2025, as exportações recuaram 53,8%, enquanto as importações cresceram 8,9% no período.

A forte retração das exportações está diretamente relacionada à elevada concentração da pauta externa alagoana. Em janeiro, os açúcares e melaços representaram 95,4% de tudo o que o estado vendeu ao exterior, evidenciando a dependência do setor sucroenergético para o equilíbrio das contas comerciais.

Mesmo com menor volume exportado, Alagoas manteve relações comerciais concentradas em poucos mercados. Em janeiro, os principais destinos das exportações foram Iêmen (22,4%), Portugal (21,8%), Marrocos (20,4%), Senegal (12,1%) e Geórgia (16%). O peso desses países reforça o perfil da pauta: açúcar bruto e derivados, com baixo grau de diversificação.

Do lado das importações, o crescimento foi puxado principalmente por produtos ligados à indústria e à infraestrutura. Derivados de petróleo lideraram a pauta, respondendo por 6,3% das compras externas, seguidos por equipamentos de telecomunicações (3,6%), outros artigos manufaturados (3,3%) e máquinas e aparelhos elétricos (2,3%). A elevação das importações, em um cenário de exportações fragilizadas, ampliou o déficit comercial do estado no início do ano.

Alagoas mantém protagonismo nacional nas exportações de açúcar

Apesar da queda registrada em janeiro, Alagoas mantém posição de destaque no cenário nacional do setor sucroenergético. O estado aparece como o terceiro maior exportador de açúcar do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, segundo dados do comércio exterior.

O estado de São Paulo registrou US$ 450,8 milhões em exportações do produto, Minas Gerais contabilizou em janeiro US$ 101,6 milhões e Alagoas US$ 45,9 milhões.

A colocação reforça a relevância estratégica da produção alagoana para a balança comercial do país e ajuda a dimensionar o peso que o desempenho do setor exerce sobre os indicadores econômicos estaduais.

colheita de cana-de-açúcar mecanização
Produtores tem acumulado prejuízos por conta de clima adverso e oscilação nos preços no mercado internacional. Foto: Sistema FAEP/Divulgação

Clima, ATR e produtividade pressionam setor sucroenergético

Nos últimos meses, o setor canavieiro de Alagoas vem enfrentando um cenário adverso, marcado por condições climáticas desfavoráveis, queda na produtividade dos canaviais e recuo do Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador que impacta diretamente o rendimento industrial. A combinação desses fatores reduziu tanto o volume processado quanto o valor agregado do produto exportado.

Dados recentes do setor apontam uma queda superior a 15% na produção de cana-de-açúcar em relação à safra anterior, além de uma redução significativa no preço médio da tonelada padrão. Esse contexto ajuda a explicar a menor disponibilidade de produto para exportação e a perda de competitividade em valor, em um mercado internacional cada vez mais sensível a preços.

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Baixa produtividade e preços em queda afetam safra de cana em Alagoas

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