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Maceió cresce 21% e NE lidera intenção de compra por imóveis em 2026

Maceió teve um dos melhores desempenhos do país e deve manter ritmo forte em 2026, segundo a Brain
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Maceió apresentou crescimento de 21% nas vendas de imóveis verticais em 2025 e teve um dos melhores resultados do país, segundo dados da Brain. Foto: Secom Maceió

O mercado imobiliário de Maceió encerrou 2025 com crescimento de 21% nas vendas de imóveis verticais, totalizando um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 3,7 bilhões, o que posicionou a capital alagoana entre os melhores desempenhos do país. Estudo elaborado pela Brain Consultoria, apresentado nesta segunda-feira (9), em Maceió, aponta que, em 2026, o mercado deve se manter aquecido, com grande procura por imóveis. O Nordeste aparece em destaque nesse cenário, impulsionado por projeções econômicas que indicam estabilidade e manutenção da taxa de desemprego em patamar baixo.

Os dados foram apresentados durante evento Panorama de Mercado, que reuniu empresários, investidores e profissionais da cadeia da construção civil de Alagoas. Os números reforçam um desempenho fora da curva em um ano marcado por juros elevados e retração de lançamentos em diversas regiões do país.

Segundo o estudo da Brain, somente no quarto trimestre de 2025, o mercado imobiliário da capital alagoana movimentou mais de R$ 1 bilhão em vendas, a segunda vez no ano em que o VGV trimestral supera esse patamar. Para o head de Inteligência de Mercado da Brain, Lucas Finotti, o resultado evidencia a força da demanda local.

O desempenho de Maceió chama muita atenção quando comparamos com outros mercados do país e até do Nordeste. Foi um ano em que a cidade conseguiu sustentar vendas em um ritmo muito acima da média nacional”, afirmou.

Ao longo de 2025, foram comercializadas 6.106 unidades verticais, enquanto os lançamentos somaram 4.952 unidades no mesmo período. A diferença entre oferta e demanda contribuiu para a redução do estoque disponível, que fechou o ano em 3.745 unidades, queda de quase 24% em relação ao ano anterior.

“Quando a demanda cresce mais rápido do que a oferta, o mercado reage com redução de estoque e pressão positiva sobre os preços”, explicou Finotti.

Lucas Finotti, head de Inteligência de Mercado da Brain apresentou dados do mercado imobiliário de Maceió
Lucas Finotti, head de Inteligência de Mercado da Brain apresentou dados do mercado imobiliário de Maceió. Foto: Vanessa Siqueira

Minha Casa, Minha Vida puxa alta do setor imobiliário em Maceió

O programa Minha Casa, Minha Vida teve papel central nesse desempenho. Em 2025, 46% das unidades vendidas em Maceió estavam enquadradas no programa, ante 41% no ano anterior. Os imóveis de dois dormitórios concentraram a maior parte das vendas, respondendo por mais de 60% das unidades comercializadas. Segundo Finotti, o segmento econômico foi o principal motor do mercado no último ano. “As mudanças no programa e a ampliação do teto tiveram impacto direto no volume de vendas e lançamentos, sustentando o mercado mesmo em um cenário de crédito mais restritivo.”

A força das vendas também se refletiu na velocidade de comercialização. Em 2025, o índice médio mensal de vendas chegou a 10,6%, patamar considerado elevado para o mercado imobiliário. No acumulado de 12 meses, a velocidade alcançou 62%, com destaque para unidades entre 36 e 40 metros quadrados, que registraram velocidade de vendas superior a 75%. “Os produtos mais bem ajustados à renda do comprador continuam vendendo muito rápido. Já o padrão médio foi o segmento que mais sentiu o impacto dos juros altos”, avaliou.

Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Alagoas (Sinduscon/AL), Alfredo Breda, o crescimento observado em Maceió confirma uma tendência observada em anos anteriores e que vai continuar no próximo ano.

“A região que concentra os maiores volumes de vendas hoje é onde está o Minha Casa, Minha Vida. Esse segmento foi determinante para sustentar o mercado ao longo do ano e explica boa parte do desempenho positivo observado em 2025”, avaliou Breda.

Com o consumo acelerado do estoque, os preços acompanharam o movimento. O valor médio do metro quadrado em Maceió registrou valorização de 10,5% em 12 meses, passando de cerca de R$ 12 mil no fim de 2024 para R$ 13.260 em dezembro de 2025. Nos imóveis de dois dormitórios, a alta foi ainda mais expressiva, próxima de 20%. “A valorização está diretamente ligada à escassez de estoque em determinadas tipologias e à elevada liquidez desses produtos”, destacou Finotti.

Alta procura vai manter mercado imobiliário aquecido em 2026

Para 2026, a expectativa é de continuidade do aquecimento, sustentada por fundamentos macroeconômicos mais favoráveis. Pesquisa de intenção de compra realizada pela Brain aponta que 54% dos nordestinos afirmam intenção de adquirir um imóvel nos próximos meses, percentual superior à média nacional, de 50%.

O Nordeste lidera a intenção de compra no país. Mesmo com desafios no crédito, existe uma demanda latente muito forte, especialmente em mercados que vêm mostrando consistência, como Maceió”, afirmou o especialista da Brain.

Segundo Finotti, a combinação entre desemprego em nível historicamente baixo, expectativa de alívio gradual nos juros e retomada do crédito imobiliário deve criar condições mais favoráveis, sobretudo para a classe média, segmento que enfrentou maior dificuldade em 2025.

O mercado entra em 2026 mais seletivo, mas com fundamentos sólidos. A tendência é de manutenção da atividade, com oportunidades para quem souber ajustar produto e preço à nova realidade”, concluiu.

Para Alfredo Breda, a expectativa do mercado alagoano é de uma retomada mais forte do crédito via SBPE. “A tendência é de crescimento acima de 15%, especialmente porque as taxas de financiamento tradicional ficaram impraticáveis e o mercado começa a reagir com o alívio gradual dos juros”, afirmou.

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