
A Delta Brazilian Starch, empresa resultante da parceria entre o grupo argentino Molino Matilde e o Moinho Piauí, lançou na sexta-feira (6) a pedra fundamental de uma fábrica de fécula de mandioca e amidos na Zona de Processamento de Exportação do Piauí (ZPE-PI), em Parnaíba. O investimento previsto é de mais de R$ 40 milhões. O projeto foi aprovado pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportações (CZPE), em Brasília, em outubro de 2024.
A planta industrial terá capacidade inicial de processamento de 300 toneladas de mandioca por dia, com consumo anual estimado de até 100 mil toneladas, envolvendo produtores do Piauí e do Maranhão. A projeção de exportação é de 20 contêineres por semana ao atingir a capacidade máxima da primeira fase.
A operação deve gerar 40 empregos diretos na fase inicial e aproximadamente 500 empregos indiretos, distribuídos pela cadeia produtiva da mandioca, logística, transporte e serviços. A expectativa é que entre 500 e 600 famílias passem a ter renda vinculada à cadeia produtiva da mandioca na região. A previsão de início das operações é 2027.
A decisão de instalar a fábrica no Piauí, e não em Misiones, na Argentina, como originalmente planejado, foi tomada após avaliação de que o estado apresenta condições mais competitivas para o mercado mundial.
O sócio da Delta Brazilian Starch, Federico Musso, informou que o projeto está em desenvolvimento há dois anos. “Iniciamos esse projeto há dois anos e hoje ele começa a se tornar realidade. Estamos aqui para incentivar os produtores a adotarem tecnologia e elevarem o nível de produção na região, promovendo desenvolvimento sustentável”, afirmou.
O presidente da Investe Piauí, Victor Hugo Almeida, afirmou que o empreendimento reflete a estratégia do estado. “Priorizar as potencialidades do Piauí não é apenas discurso. O que estamos vendo aqui é o lançamento de uma grande indústria de fécula de mandioca que vai exportar para o mundo inteiro e, ao mesmo tempo, se conectar diretamente a uma ampla rede de produtores locais”, declarou.

Modelo de compra, sustentabilidade e diferenciais para o produtor
Entre os diferenciais do projeto estão a compra garantida de produção, pagamento baseado no teor de amido e não apenas no peso da raiz, e bonificação para produtores mais eficientes. O modelo de contrato de compra garantida já foi aplicado pela empresa em sua indústria de trigo na Argentina. O sistema estimula o cultivo de mandioca industrial em convivência com a mandioca de mesa e incentiva a adoção de tecnologias como a fertirrigação.
O Banco do Nordeste discutiu o uso de contrato de compra garantida como instrumento de acesso ao crédito para os produtores da região. Um dos desafios apontados é a disponibilidade de manivas-semente de qualidade, o que reforça a importância do projeto Reniva, da Embrapa, e de variedades como BRS Tapioqueira e Branquinha.
A empresa já está em conversas com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Instituto Federal do Piauí (IFPI) e a Embrapa para garantir acesso a tecnologias e capacitação aos produtores locais.
A fábrica vai gerar biometano a partir do tratamento de efluentes, utilizado como combustível nas caldeiras da unidade industrial. Quando o biometano não for suficiente, a empresa pretende utilizar biomassa, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. O projeto prevê que 100% da mandioca utilizada pela fábrica seja adquirida de produtores locais.
Agricultura familiar e programa de mandioca
A instalação da fábrica está vinculada a ações de fortalecimento da agricultura familiar. O presidente da ZPE-PI, Álvaro Noleto, informou que a empresa já promove ações estruturantes com produtores locais. No dia 6 de janeiro aconteceu também o encontro do Programa de Desenvolvimento da Cultura da Mandioca do Piauí-Maranhão, que reuniu produtores e instituições interessados em fornecer para essa nova indústria.
“A ideia é melhorar produtividade por hectare, com técnicas inovadoras, gerando mais renda sem necessidade de ampliar área plantada”, explicou Noleto. Ele acrescentou que o projeto, por estar inserido na ZPE de Parnaíba, conta com incentivos fiscais, aduaneiros e logísticos.
Fases futuras e mercado interno
O produto principal na primeira fase será a fécula de mandioca em suas diversas aplicações no setor de alimentos. Em fases posteriores, a empresa planeja produzir amidos modificados como sorbitol, dextrina e maltodextrina, ampliando o portfólio destinado ao mercado externo. A fábrica também produzirá ração animal destinada principalmente aos rebanhos bovinos da região. A empresa projeta que o volume de exportações contribua para a viabilidade econômica do Porto de Luís Correia.
Estudos de mercado realizados pela Delta Brazilian Starch indicam que cerca de 95% da fécula de mandioca consumida no Piauí vem de estados do Sul do Brasil. A empresa avalia direcionar parte da produção para o mercado local, caso o governo estadual manifeste interesse em fortalecer a autossuficiência regional na cadeia produtiva.
O diretor comercial da ZPE Piauí, Victor Augusto, afirmou que a instalação da Delta “não só fortalece o setor agrícola e industrial, como coloca o Piauí em uma posição privilegiada no mercado global de amidos e fécula de mandioca”.
*Com informações do governo do Piauí
Leia mais: Expansão do Piauí sustenta alta da produção de grãos no Nordeste em 2026










