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ROI elevado reforça aposta da Maida Health em IA para enfrentar custos da saúde suplementar

A saúde suplementar cresceu baseada no pagamento por volume de procedimentos — quanto mais exames, consultas e internações, maior a remuneração
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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André Machado
André Machado, CEO da Maida Health/Foto: divulgação MV

Com retorno sobre investimento (ROI) elevado em projetos de digitalização, a Maida Health vem se destacando como uma das healthtechs brasileiras focadas em aumentar a eficiência operacional de operadoras de planos de saúde e autogestões. A estratégia da empresa combina inteligência artificial, automação de processos e gestão integrada para atacar um dos principais gargalos do setor: o alto custo da operação.

Segundo André Machado, CEO da Maida Health, o sistema de saúde suplementar brasileiro não se tornou caro apenas pelo aumento do uso por parte dos beneficiários, mas porque o cuidado é desorganizado, tardio, mal coordenado e com ausência de integração tecnológica.

A Maida atua voltada exclusivamente ao setor de saúde suplementar, desenvolvendo sistemas de gestão que automatizam tarefas administrativas e operacionais dos planos de saúde. Suas soluções integram inteligência artificial aos processos de regulação, auditoria e análise de contas médicas, reduzindo erros, retrabalho e tempo de resposta.

Um dos fatores que preocupam esse setor é o envelhecimento da população. O Brasil passa por uma rápida transição demográfica. A pirâmide etária está se invertendo: há menos nascimentos e mais pessoas vivendo por mais tempo. “Naturalmente, à medida que a população envelhece, o gasto com saúde aumenta, especialmente quando não houve cuidado preventivo ao longo da vida”, explicou Machado.

Esse cenário cria uma pressão estrutural sobre os planos de saúde. Mais idosos significam maior prevalência de doenças crônicas, tratamentos de longa duração e uso mais intenso da rede assistencial — tudo isso em um sistema pouco integrado e com baixa coordenação do cuidado.

Uso excessivo não gera mais saúde

A saúde suplementar cresceu baseada no pagamento por volume de procedimentos — quanto mais exames, consultas e internações, maior a remuneração. “Esse modelo, ainda predominante no país, gera incentivos ao uso excessivo de serviços sem necessariamente produzir melhores resultados clínicos”, disse o CEO.

A falta de coordenação da jornada do paciente é apontada como um dos principais fatores de desperdício. Machado citou o exemplo de operadoras com média de até 69 exames por beneficiário ao ano em determinadas regiões do país — número considerado excessivo para populações sem doenças crônicas relevantes.

“O paciente muitas vezes entra no sistema pelo pronto-socorro, faz uma bateria enorme de exames, depois vai a outro médico e repete tudo novamente. Isso encarece o sistema e não necessariamente melhora a saúde da população”, afirmou.

Além do desperdício financeiro, esse modelo reduz o acesso: recursos utilizados de forma excessiva por alguns acabam indisponíveis para outros pacientes.

Cuidado integrado como estratégia de eficiência

A atuação da Maida Health combina tecnologia e operação. A empresa oferece sistemas de gestão para planos de saúde e um modelo de BPO assistencial, com equipes próprias formadas por médicos, enfermeiros, nutricionistas e outros profissionais de saúde.

Em 2025, eles realizaram mais de 120 mil visitas a pacientes internados. O objetivo é atuar sobre segurança do paciente, adequação do nível de cuidado e planejamento de alta hospitalar. Com isso, a Maida conseguiu redução superior a 35% de permanência desnecessária em UTI, com transferência segura para leitos convencionais junto a alguns clientes. Também registrou aumento de mais de 20% nos casos de alta segura, reduzindo reinternações em até 30 dias. “Tivemos queda significativa de eventos evitáveis, como infecções e quedas pós-alta”, relata o CEO. Essas ações têm impacto direto no custo assistencial e na qualidade do cuidado, especialmente em uma população mais envelhecida e vulnerável.

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Com tecnologia, Maida reduziu permanência em UTI em 35%/Foto: Pixabay

ROI mensurável e economia comprovada

O retorno financeiro das iniciativas é monitorado de forma sistemática. Um dos clientes da Maida, um plano com cerca de 500 mil vidas, o ROI chegou a 120%, o equivalente a R$ 2 de retorno para cada R$ 1 investido.

Em outro caso, envolvendo uma autogestão estadual, o uso de inteligência artificial aplicada à regulação oncológica resultou em redução de 42% no custo per capita, com melhora comprovada dos desfechos clínicos. A economia foi reinvestida na ampliação do acesso e na incorporação de novos tratamentos.

IA aplicada à regulação e à oncologia

A Maida Health também vem utilizando inteligência artificial para apoiar decisões médicas, especialmente em áreas de alto custo como a oncologia. Embora apenas cerca de 0,4% da população esteja em tratamento oncológico, esse grupo responde por 18% a 20% do custo assistencial total.

A IA cruza dados de gênero, faixa etária, região e histórico clínico para indicar quais tratamentos apresentaram melhores resultados em populações semelhantes. O médico mantém autonomia, mas passa a contar com informações estruturadas e rápidas — reduzindo o tempo de análise de dias para poucas horas.

Maida em escala nacional

Atualmente, a Maida Health administra 17 planos de saúde, com atuação sobre mais de 10 milhões de vidas por meio de sistemas e serviços. No modelo completo de terceirização operacional, atende cerca de 1,6 milhão de beneficiários.

A empresa conta com aproximadamente 900 colaboradores em todo o Brasil e integra o ecossistema da MV Sistemas Hospitalares, que concluiu a aquisição da Maida Health em fevereiro de 2024, junto à Hapvida, numa transação estimada em R$ 26,6 milhões.

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