
A digitalização ajudou a ampliar o acesso ao microcrédito. Por meio de aplicativos como o BNB Agro e o Crediamigo, ambos do Banco do Nordeste, o tomador do dinheiro assina documentos digitalmente, reduzindo custos operacionais e acelerando a injeção de capital nas comunidades.
O horizonte das microfinanças brasileiras aponta para uma integração cada vez maior com serviços de conectividade e acesso à infraestrutura. Ao facilitar o acesso ao crédito com documentação simplificada — exigindo apenas CPF e identidade para microempreendedores urbanos — o sistema remove burocracias que historicamente excluíram milhões de brasileiros do sistema financeiro.
Somente a digitalização do Agroamigo consolidou uma ruptura no tradicionalismo do crédito rural, substituindo a espera de 30 dias pela contratação em apenas 24 horas para mais de 30% das propostas em dezembro de 2025. O uso de tablets pelos agentes de crédito e o aplicativo para os clientes permitiram que propostas, aberturas de contas e seguros fossem formalizados diretamente nas propriedades, eliminando a necessidade de deslocamento para os grandes centros.
Como destaca Luiz Sérgio Farias Machado, superintendente de Agronegócio e Microfinança Rural do BNB, a tecnologia foca na agilidade e na conveniência. “A adesão ao uso do app foi determinante não somente para a celeridade no atendimento e ampliar o acesso, mas principalmente para dar maior comodidade ao nosso cliente”, diz.

Esse processo de modernização, acelerado pela pandemia em 2020, converteu ganhos operacionais em resultados sustentáveis e financeiros. Em 2025, com 40% dos contratos assinados eletronicamente, o banco poupou a impressão de mais de dois milhões de páginas, além de evitar o uso de outras 748 mil folhas apenas em atualizações cadastrais. Para viabilizar essa transição no campo, o Banco do Nordeste investiu R$ 28 milhões no financiamento de kits de conectividade rural por meio da estratégia Agroamigo Net, permitindo que o produtor comercialize sua safra e se mantenha atualizado sem depender de infraestruturas externas precárias.
Para superar o abismo do analfabetismo digital, os agentes de crédito assumiram o papel de educadores, utilizando álbuns seriados visuais e palestras informativas antes da coleta de dados. Luiz Sérgio Farias Machado reforça que o suporte humano é o que garante a eficácia da ferramenta. “Barreiras existem, mas o nosso público está cada vez mais capacitado e a ação de orientação do nosso agente de crédito tem sido essencial para essa evolução no campo”, explica.
O acompanhamento inclui desde a instalação do aplicativo via QR Code até o treinamento para assinaturas eletrônicas e uso do WhatsApp oficial da instituição. Assim, o microcrédito rural do Nordeste deixa de ser apenas um aporte financeiro para se tornar um indutor de inclusão digital e eficiência produtiva. A digitalização permitiu que o BNB escalasse suas operações mantendo a proximidade com o cliente, aliando a sofisticação dos algoritmos à realidade do campo brasileiro.

Campo conectado e microcrédito garantido
No campo, a tecnologia e a sustentabilidade se tornaram os novos pilares do microcrédito rural. Isaelle Viana Felix, agricultora em Capistrano (CE), vem recorrendo ao aporte financeiro desde 2015 para manter uma produção orgânica diversificada, atendendo mercados na capital.
Ela realizou sete operações de crédito junto ao Agroamigo, para diversificar sua produção, sem burocracia e usando os meios digitais. “Com apoio técnico e financeiro do programa, apendi a usar a internet para acessar o banco e tenho consolidado meu espaço no mercado e ampliado a produção de forma responsável. Antes só plantava cebolinha e coentro, mas consegui expandir para alface e agora produzimos vários legumes e outras folhas”, relata ela.
Apesar de estarem concentrados geograficamente no Nordeste e em partes do Sudeste, os programas operados pelo BNB detêm a maior fatia do mercado de microfinanças do Brasil. A liderança do BNB neste tipo de crédito deu ao país a expertise de transformar o microcrédito em uma engrenagem de geração de renda local que resiste a ciclos econômicos adversos. Mas sobretudo, estimulou a alfabetização digital, permitindo que mesmo em lugares ermos, produtores consigam ter acesso a crédito.
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