
O Ella Bank, primeiro banco digital brasileiro criado especificamente para mulheres, entrou em operação nesta quarta-feira (19), no Recife. A estreia coincide com o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino e marca a entrada no mercado de uma nova estrutura financeira com foco em inclusão econômica. A fintech opera com serviços bancários digitais e uma edtech integrada, voltada à capacitação de mulheres empreendedoras em todo o país. Com investimento inicial de R$ 1,2 milhão, a meta, segundo a presidente Rosana Bezerra, é alcançar 100 mil correntistas nos próximos cinco anos.
A instituição foi estruturada ao longo dos últimos cinco anos, com sede no Porto Digital, no Recife, e autorização como instituição de pagamento junto ao Banco Central. A operação combina conta digital, cartão virtual, transferências via Pix, pagamentos e abertura de contas para pessoas físicas e jurídicas. A tarifa mensal será de R$ 29,90, valor que dá acesso aos serviços bancários e à plataforma educacional.
Desde setembro, cerca de 200 mulheres já realizaram o pré-cadastro no site. Com o aplicativo já disponível nas lojas digitais, a campanha de ativação será ampliada em dezembro, com investimento previsto de R$ 200 mil em mídia digital e ações institucionais. “Vamos entregar o que está pronto. O carro já está na rua. Agora é operar com disciplina e escalar com consistência”, concluiu a presidente do banco.
Segundo Rosana Bezerra, o Ella Bank busca atender principalmente mulheres desbancarizadas, sub-bancarizadas e microempreendedoras em fase de estruturação ou expansão dos seus negócios. “Nosso foco é a emancipação financeira das mulheres por meio de uma estrutura que una serviços digitais, capacitação e suporte especializado”, afirma.
Universidade Ella oferece cinco trilhas formativas
A plataforma educacional, chamada Universidade Ella, será acessada dentro do aplicativo. O conteúdo será dividido em cinco eixos: trilhas gratuitas de iniciação (finanças, contabilidade, marketing digital e gestão de pequenos negócios); cursos profissionalizantes de curta duração com certificação; cursos técnicos com carga horária entre 800h e 1.800h; graduação e pós-graduação, em parceria com instituições reconhecidas pelo MEC; e mentorias individuais em áreas como gestão, finanças, tecnologia e design.
Mais de 50 cursos estarão disponíveis no lançamento. Os cursos pagos terão desconto médio de 50% para correntistas, podendo ser parcelados em até 10 vezes. Para isso, foi criado o Funding Educacional Ella, mecanismo próprio de financiamento educacional com aprovação facilitada.
Projeção prevê break-even ainda no primeiro semestre
O plano de negócios prevê captação mensal entre 1.000 e 1.500 clientes. A expectativa é atingir o ponto de equilíbrio (break-even) entre o quarto e o sexto mês de operação. A receita estimada para o primeiro ano é de R$ 12 milhões, com custo de R$ 9 milhões e lucro líquido de R$ 1,7 milhão. A projeção para o quinto ano é de R$ 95 milhões em faturamento, com margem operacional de R$ 55 milhões.
O valuation será baseado na carteira de clientes ativos, com valor estimado de R$ 3 mil por conta. A estrutura societária inclui a fundadora, o Grupo Teleport — responsável pelo desenvolvimento da edtech — e o investidor Luís Othon Bastos. A próxima rodada de captação de investimento está prevista para o primeiro semestre de 2026.
Modelo de expansão une estratégias B2C e B2B
A estratégia de expansão combina uma frente B2C, com campanhas em redes sociais, influenciadoras e captação direta via aplicativo, e um canal B2B, articulado diretamente pela presidência. “Nosso foco são empresárias que lideram equipes femininas. Em uma única parceria, podemos viabilizar o ingresso de centenas de clientes com acesso imediato a serviços bancários e capacitação”, explica Rosana.
A instituição também negocia com gestoras públicas e lideranças corporativas femininas. “Estamos dialogando com prefeituras que viram na proposta uma alternativa para promover formação e bancarização de mulheres em situação de vulnerabilidade”, afirmou.
Microcrédito e marketplace fazem parte do roadmap de 2026
O Ella Bank prevê, a partir de 2026, o lançamento de uma linha de microcrédito orientado, com recursos de fundos internacionais. O acesso ao crédito será condicionado à conclusão de cursos e à apresentação de plano de negócio. “O crédito não será o ponto de partida. A cliente precisa entender como administrar os recursos antes de acessá-los”, disse a presidente.
Também em 2026 será lançado o Marketplace Ella, uma funcionalidade dentro do aplicativo que permitirá às correntistas cadastrar produtos e serviços. O objetivo é permitir a criação de lojas virtuais vinculadas à conta digital, funcionando como uma plataforma interna de vendas para mulheres empreendedoras.
Plataforma educacional será exclusiva para mulheres
Embora qualquer pessoa possa abrir conta, a plataforma educacional será restrita a mulheres. “A conta pode ser aberta por homens, mas os cursos, mentorias e trilhas de capacitação são voltados à realidade das mulheres brasileiras”, explicou Rosana Bezerra.
O processo de adesão é 100% digital, com envio de documentos, verificação facial e validação cadastral. Para conta PJ, é exigido o envio do CNPJ e do contrato social. O banco também oferecerá conteúdo sobre formalização como MEI, previdência e benefícios legais vinculados à atividade empresarial. “Queremos conscientizar as empreendedoras sobre a importância de formalizar sua atividade. Isso dá acesso a direitos, proteção social e novas possibilidades de crescimento”, disse.
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