
A movimentação do fundador do Mêntore Bank, Vanderson Aquino, recoloca o Ceará no centro de uma estratégia de consolidação nacional no setor de refeições corporativas. Após adquirir 50% da Nutrinor, empresa cearense com 26 anos de atuação, mais de 1,3 milhão de refeições servidas por mês e presença em sete estados, o empresário projeta alcançar R$ 1 bilhão em receitas até 2026. A operação envolve um aporte total de R$ 100 milhões, iniciando com R$ 20 milhões, por meio da VA Investments, e deve impulsionar um ciclo de aquisições que inclui outras quatro empresas já em negociação no Nordeste e Sudeste.
Para Aquino, a oportunidade nasce tanto da expansão industrial e de infraestrutura no Nordeste quanto da fragilidade financeira de empresas do setor após anos de pressão inflacionária. “Muitas companhias de menor porte passaram a nos procurar em busca de crédito. Em vários casos, elas não conseguiam repassar o aumento dos preços da comida, especialmente no período mais crítico, e isso pressionou fortemente o caixa desses negócios”, afirma em conversa com a reportagem do Movimento Econômico. O empresário avalia que esse ambiente abriu espaço para uma estratégia mais agressiva de M&A, combinando escala, sinergia logística e gestão financeira mais estruturada.

Logística integrada
A aquisição da Nutrinor marca o início da formação de um player de abrangência nacional, apoiado principalmente na eficiência logística. “A logística é um dos principais gargalos do setor de refeições corporativas. Ao integrar operações presentes do Nordeste ao Sul, ganhamos uma estrutura logística muito mais robusta”, explica Aquino. A centralização de compras, a padronização de processos e a aceleração do abastecimento entre unidades deverão permitir ganhos diretos de margem.
O plano de investimento destinará 40% para expansão de operações, 30% para modernização e automação e 30% para novas aquisições, com foco em empresas do Sudeste e Sul que ofereçam sinergia operacional. A reestruturação da Nutrinor também inclui a renegociação de R$ 20 milhões em dívidas, a substituição de fornecedores locais por nacionais, o que pode elevar o lucro líquido em até 8%, e a implementação de um novo planejamento tributário para elevar a eficiência fiscal.
Do ponto de vista setorial, Aquino destaca a resiliência e a previsibilidade da demanda por refeições corporativas. “É um segmento com margens estáveis, forte potencial de escala e alta fidelização”, diz. O avanço do emprego formal e a busca das empresas por fornecedores que unam custo, qualidade nutricional e segurança operacional reforçam, segundo ele, a atratividade do setor.

Ceará como polo estratégico
Com a Nutrinor fortalecida e novas empresas no radar, o empresário projeta que o Ceará deve consolidar-se como um polo estratégico na cadeia nacional de serviços corporativos. “O Ceará já é referência em infraestrutura, conectividade e eficiência de gestão pública. Ao ampliar nossa operação a partir do estado, reforçamos o Ceará como centro estratégico de serviços corporativos, exportando know-how, gerando empregos e atraindo novos investimentos”, afirma.
A expansão pode gerar entre 600 e 900 novos empregos no estado nos próximos três anos, em áreas como operações, logística, nutrição e administração. A estratégia também se apoia no potencial de cross-selling junto à base de clientes do Mêntore, instituição de pagamento fundada por Aquino em 2021, com forte atuação no segmento corporativo e na oferta de crédito e serviços financeiros integrados.
O público prioritário inclui grandes corporações, indústrias e hospitais, embora empresas de médio porte permaneçam no radar. “O foco está em organizações que buscam alto padrão de qualidade alimentar, previsibilidade de custos, segurança operacional e atendimento técnico especializado”, resume.
Leia mais:
Demanda por obras faz Projeart investir R$ 60 mi em planta de galvanização no Ceará
Premium Essential Kitchen investe R$ 10 mi em nova unidade em Fortaleza










