
A Projeart, uma das maiores fornecedoras de soluções tecnológicas em aço do país, está investindo R$ 60 milhões na construção de uma planta de galvanização a fogo no Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza, que deverá iniciar operações em janeiro de 2026. O aporte coloca a empresa entre as principais competidoras nacionais nesse processo industrial, ao mesmo tempo em que amplia a verticalização da cadeia produtiva e prepara a companhia para atender a um mercado que movimenta entre 120 mil e 130 mil toneladas de zinco por ano no Brasil.
A nova unidade terá capacidade estimada entre 4 mil e 5 mil toneladas por mês, impulsionada por um tanque de 15 metros, o maior do gênero no país, concebido para processar peças de grande porte destinadas a setores como logística, energia solar, transmissão e distribuição de energia, telecomunicações, infraestrutura industrial pesada e obras metálicas especiais.
Segundo Odmar Feitosa Filho, diretor da Projeart, o investimento representa um passo estratégico para a consolidação nacional da empresa. “O investimento reflete a visão da Projeart de ampliar sua competitividade nacional, verticalizar processos estratégicos e garantir maior controle sobre qualidade, prazos e desempenho anticorrosivo de nossas estruturas”, afirma.
Para ele, internalizar a galvanização a fogo, etapa determinante na durabilidade e no desempenho de estruturas metálicas, traz ganhos imediatos em confiabilidade, escala produtiva e eficiência logística, além de suprir uma demanda crescente por estruturas galvanizadas no país. “Internalizar a galvanização nos permite entregar soluções com ainda mais confiabilidade, escala e eficiência logística”, complementa.

Galvanização
O movimento também está alinhado ao plano estratégico de longo prazo da companhia. Feitosa afirma que a galvanização é parte de um projeto maior de expansão. “A galvanização integra nosso plano de nos consolidarmos como a maior e mais completa fornecedora de soluções tecnológicas em aço do Brasil”, diz. Nos próximos anos, a empresa pretende ampliar portfólio, fortalecer autonomia industrial e acelerar sua presença em mercados como energia renovável, logística, telecomunicações, infraestrutura e agronegócio, posicionando-se como referência em proteção anticorrosiva de alta performance.
A escolha do Eusébio para receber a nova unidade foi guiada por critérios logísticos e de integração operacional. “O Eusébio oferece uma combinação ideal de logística, infraestrutura industrial e proximidade com nossa operação principal”, explica o diretor. A localização também facilita o acesso aos portos do estado, Pecém e Fortaleza, e abre espaço para que a empresa atue na galvanização destinada à exportação. “A proximidade com os portos nos abre oportunidade estratégica de atender o mercado externo. A planta foi pensada para padrões internacionais”, diz.

Diminuir custo no NE
Um dos fatores que motivaram a Projeart a acelerar o investimento é a demanda reprimida de galvanização no Nordeste. Hoje, grande parte do material produzido na região precisa ser enviada para unidades localizadas em outras regiões do país, elevando custos de frete, prazos de entrega e riscos logísticos. A nova planta deve inverter esse fluxo. “Grande parte da galvanização destinada ao Nordeste é enviada para outras regiões, aumentando custos de frete, prazos e riscos. Com a nova planta, reduziremos significativamente o custo por tonelada e os prazos de entrega”, afirma Feitosa.
Para grandes obras e projetos industriais, essa previsibilidade logística é determinante. Além disso, a fase inicial da operação deve gerar entre 50 e 80 empregos diretos, número que pode crescer conforme a planta atinja sua capacidade máxima.

Reaproveitamento e meio ambiente
A Projeart também aposta em tecnologia e sustentabilidade como diferenciais competitivos. O projeto da unidade contempla queimadores de alta eficiência, sistemas automatizados de controle térmico, linhas robotizadas para movimentação de peças, monitoramento digital da produção e um processo de pré-tratamento otimizado que reduz o uso de produtos químicos. “Nossa planta incluirá tecnologias que reduzem o consumo de energia, melhoram a qualidade do revestimento e aumentam a vida útil das estruturas”, afirma o diretor.
No campo ambiental, o desenho da planta incorpora reaproveitamento de escória e cinza de zinco, sistema fechado de águas de lavagem, controle de emissões atmosféricas com filtros e lavagem de gases, uso de fluxos ecológicos e conformidade com padrões nacionais e internacionais. “O objetivo é ser uma das plantas mais sustentáveis do Brasil em galvanização a fogo”, reforça.
O processo de galvanização a fogo, utilizado industrialmente há quase dois séculos, envolve três etapas principais: preparação das peças, limpeza e fluxagem; imersão no banho de zinco fundido; e tratamentos finais de resfriamento e passivação. Trata-se de um método que aumenta significativamente a resistência das estruturas à corrosão, reduz custos de manutenção e prolonga a vida útil dos componentes metálicos. A combinação entre durabilidade, economia operacional e menor impacto ambiental tem impulsionado sua adoção por setores ligados à infraestrutura, energia e logística, justamente aqueles onde a Projeart busca expandir atuação.
Com mais de 30 anos de mercado, a Projeart já realizou 3.300 obras e conta com mais de 700 colaboradores diretos distribuídos em três unidades fabris no Eusébio, com área total de 130 mil m² e capacidade de produção de 7 mil toneladas de aço por mês. A companhia fornece estruturas metálicas para obras industriais e comerciais, além de telhas, perfilados, perfis soldados, torres para linhas de transmissão e telecomunicações e outros componentes metálicos.
Leia mais:
Stellantis vai produzir Leapmotor no polo de Goiana (PE) a partir de 2026
Cimento Apodi investe R$ 25 mi em energia limpa e avança na descarbonização










