
As recargas de baterias de carros elétricos saíram de 3369 em 2023 para mais de 20 mil no ano passado num corredor verde instalado dentro de um programa de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da Neoenergia. Isso representou um aumento de quase 500%. O corredor é formado por 17 eletropostos, que vão de Salvador, na Bahia, até Parnamirim, no Rio Grande do Norte. Os pontos de recarga estão instalados em seis estados, dando ‘cobertura’ a uma área de 1200 quilômetros.
“Vários fatores contribuíram para isso. Mais pessoas aderiram a mobilidade elétrica no Nordeste. Os fabricantes de veículos passaram a dar uma garantia maior da vida útil das baterias. Tem montadora dando uma garantia de oito anos às baterias. E isso também tem representado economia para o consumidor”, comenta o diretor de P & D da Neoenergia, José Brito, acrescentando que as vindas de fábricas automotivas para a Bahia, Pernambuco e Ceará, também estão estimulando a adesão ao elétrico ou híbrido.
Até dezembro de 2024, a Neoenergia subsidiou o preço da energia usada pelos usuários dentro do corredor instalado no Programa de P & D. Este ano, a empresa espera um número menor de recargas, porque passou a cobrar em torno de R$ 2,50 por quilowatt-hora (kWh).
Brito faz uma estimativa de que uma recarga de 40 kWh sai por R$ 100 e dá para o motorista percorrer uma média, também estimada, de 250 km. Segundo ele, os valores são estimados porque cada carro tem baterias com tamanhos distintos, inclusive a dos veículos híbridos, e também às vezes, os motoristas preferem fazer uma recarga menor só para chegar ao destino final.
O executivo diz que “as baterias estão evoluindo. Com a mesma tecnologia, elas estão aumentando a densidade, conseguindo armazenar mais energia por metro quadrado”. Ele argumenta que o dono de um carro elétrico pode ir de Salvador a Natal, fazendo em média seis recargas num veículo que tenha autonomia de cerca de 200 km, totalizando, em média, seis recargas”. Isso daria daria um custo estimado entre R$ 500 e R$ 600, dependendo do veículo e da bateria.

Modelo de negócio do corredor verde da Neoenergia
O objetivo de implantar o corredor verde foi testar o modelo de negócio da recarga feita com energia que vai substituir os combustíveis fósseis no futuro. Dos 17 pontos de carregamento das baterias, 11 estão em rodovias e seis em shoppings. Como corredor com eletropostos em vários estados, o projeto começou em 2022 e a recarga era gratuita. Alguns eletropostos foram implantados em 2021.
Os eletropostos em rodovias têm a seguinte distribuição: quatro na Bahia – em Camaçari, Praia do Forte, Massarandupió e Salvador- , dois em Sergipe (em Estância e Propriá), um em Alagoas (no Rio Largo), dois em Pernambuco (Escada e Jaboatão dos Guararapes), e um no Rio Grande do Norte, em Parnamirim. Os shopping centers que têm o eletroposto da Neoenergia estão na Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba.
Atualmente, a Neonergia banca as despesas de manutenção dos eletropostos e a energia vendida com o pagamento dos usuários. “É um negócio que paga as despesas. Vai ser mais rentável, quando a população aderir mais ao carro elétrico. Isso vai fazer aumentar a frequência e crescer a margem de lucro”, conclui José Brito.
O Grupo Neoenergia é dono de três distribuidoras que atuam no Nordeste: a Neoenergia Pernambuco (antiga Celpe), Neoenergia Coelba, da Bahia, e Neoenergia Cosern, no Rio Grande do Norte. A holding atende cerca de 40 milhões de pessoas, sendo responsável pela distribuição de energia no Distrito Federal e outros estados, como São Paulo e Mato Grosso do Sul. Também atua na área de geração e comercialização de energia.
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