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Cortes de geração ameaçam expansão das renováveis no Nordeste

Presidente da Cigre-Brasil fala do impacto dos cortes de geração no setor elétrico e aponta soluções que podem ser adotadas
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Presidente da Cigre Brasil, João Carlos Mello, fala que o corte de geração é o principal problema do setor elétrico atualmente. Foto: Cigre-Brasil/Divulgação

Os cortes de geração podem inviabilizar a implantação de usinas de energia  renovável no Nordeste e em Minas Gerais, segundo o presidente do Comitê Nacional Brasileiro de Produção e Transmissão de Energia Elétrica (CIGRE-Brasil) –, João Carlos Mello, especialista que se dedica há mais de três décadas ao setor elétrico. Ele afirma que os investidores estão ficando apreensivos com as perdas de receitas e o tamanho dos cortes de geração. “A lógica é quem está operando tem problemas e o próximo empreendimento vai ter também”, comenta João Carlos.

Antes dessa crise dos cortes de geração, o Nordeste era apontado com um futuro muito promissor com relação a implanação de empreendimentos de geração de energia renováveis, como solar e eólica, que apresentaram grandes percentuais de aumento de capacidade instalada, pelo menos, até 2024. Os cortes de geração determinam que os geradores produzam menos energia do que o previsto e são determinados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) do Sistema Elétrico Nacional (SIN). 

João Carlos Mello considera que o problema é grandioso e daqui a três anos podem ficar maior. Segundo ele, 50% dos cortes de geração ocorrem por fatores ligados à falta de capacidade das linhas de transmissão e os outros 50% são provocados por falta de carga. “Em energia elétrica, há o hábito de que a carga tem que ser igual à geração. Então, se a carga está menor que a geração, tem que reduzir a geração”, explica ele. 

E, no  Brasil, a geração de energia é maior  em alguns horários, como pela manhã, devido principalmente as usinas solares. de Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), que são os pequenos sistemas instalados em telhados que geram para residências e pequenos comércios. Este tipo de sistema não tem qualquer tipo de corte de geração. As solares sujeitas a cortes de geração são usinas com potência superior a 5 megawatts que fazem a geração centralizada. 

João Carlos diz que o mais prejudicou a geração de energia solar foi a Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), que cresceu mais do que o esperado, porque quem instala um pequeno sistema de geração passa a pagar mais barato na conta de luz. A MMGD é formada por pequenos sistemas instalados em telhados que geram para residências e pequenos comércios. Este tipo de sistema não tem qualquer tipo de corte de geração.

“É a autofagia da solar. Ela prejudicando ela mesma”, explica. Ele diz ter sido formado na escola de um setor elétrico que, geralmente, planeja o que consegue planejar. “E a MMGD estava fora da alçada do planejador. Então, ela cresceu além do esperado, criando um problema de superoferta. A MMGD hoje é a segunda maior fonte geradora do Brasil depois das hidrelétricas”, comenta.

Soluções para os cortes de geração

João Carlos Melo defende que há várias soluções técnicas que podem ser adotadas para reduzir os cortes de geração. Uma delas seria o armazenamento em baterias da energia gerada, quando há excesso de oferta. 

“A outra é um sistema que usaria a água das hidrelétricas, como se fosse uma bateria, fazendo com que as usinas fossem reversíveis”, conta. A grosso modo, estas usinas usariam a água do reservatório e depois disso o líquido seria bombeado para ser utilizado de novo. Atualmente, as hidrelétricas respondem, em média, por 48% da geração de energia do País. 

“Tem que ter uma solução rápida para o curtailment (corte de geração), porque está próximo de um colapso”, diz João Carlos.

Outra preocupação do setor elétrico citada pelo especialista é o Brasil se preparar para receber os data centers, que vão consumir muita energia. 

Maior evento da América Latina

João Carlos veio ao Recife por causa do XXVIII Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica (SNPTEE), o maior evento de energia da América Latina. A capital pernambucana está recebeu mais de 3 mil especialistas e líderes empresariais em quatro dias de debates, troca de conhecimento e experiências que unem inovação técnica e integração em cenários inspiradores da cidade. O evento começou no domingo (19) e acabou na quarta-feira (22). 

Promovido pelo Comitê Nacional Brasileiro de Produção e Transmissão de Energia Elétrica (CIGRE-Brasil) e organizado pela Eletrobras, o SNPTEE 2025 contou com a presença de representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Também participaram do evento CEOs de empresas, profissionais do setor, pesquisadores e acadêmicos.

Reconhecido como o principal fórum latino-americano de debate sobre inovações tecnológicas, regulatórias e de mercado, o SNPTEE ocorre em um momento estratégico para o setor, marcado pela transição energética e pela proximidade da COP 30. “O setor elétrico passará por transformações ainda mais profundas nos próximos dez anos do que nas últimas décadas”, afirma João Carlos Mello.

*Com informações da assessoria do SNPTEE.

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