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Milho do Piauí abre operações da Transnordestina rumo ao Ceará

A Transnordestina começa a operar com carga do Matopiba e prepara a conexão com o Porto do Pecém, criando um novo corredor logístico
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
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Ferrovia
Após os testes, que chegou a contar com a presença do presidente Lula e de governadores, a locomotiva vai puxar 20 vagões carregados com milho do Matopiba/Foto: Ascom Governo do Ceará

A ferrovia Transnordestina dá início a uma nova etapa em sua história com o começo das operações de transporte de cargas entre os estados do Piauí e Ceará. O primeiro trem, carregado com milho, partirá nesta sexta-feira, 24 de outubro, às 10h, de Bela Vista (PI), com destino a Iguatu (CE), onde chegará no dia 25, também com previsão às 10h. A viagem inaugura oficialmente a fase de transporte comissionado, recentemente autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), representando o início efetivo da utilização comercial da ferrovia.

Com 585 quilômetros de extensão, o trecho liga dois importantes polos produtivos da região. O carregamento ocorrerá em um ponto próximo ao futuro Terminal Intermodal de Cargas do Piauí (TIPI), infraestrutura própria da Transnordestina Logística S.A. (TLSA). Já a descarga será realizada nas imediações do Terminal Logístico de Iguatu (TLI) empreendimento privado, uma estrutura de propriedade de empresários da região.

O Terminal Logístico de Iguatu terá papel essencial nesta nova fase da Transnordestina. O empresário Eugério Queiroz, um dos sócios no empreendimento ao lado de José Renato Maia, é o primeiro comprador da carga de milho transportada pela ferrovia.

Os grãos, oriundos do município de Bom Jesus, no sul do Piauí, região do Matopiba (fronteira agrícola que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), abastecerão produtores rurais, granjas e avicultores de Iguatu e região, fortalecendo a cadeia do agronegócio local. Nessa primeira operação, o trem levará 20 vagões carregados com sacas de 50 toneladas, totalizando cerca de 1 mil tonelada de grãos, entre milho e soja, volume que deve se repetir semanalmente, de acordo com a demanda.

Ainda em construção, a expectativa é de que o Terminal Logístico de Iguatu esteja 100% concluído até fevereiro de 2026, ampliando a capacidade de armazenamento e distribuição da região. Segundo o empresário Eugério Queiroz, em conversa com o Movimento Econômico, a chegada da Transnordestina trará ganhos diretos de competitividade ao setor.

“As expectativas são as melhores. Esperamos dobrar essas demandas a partir da finalização do terminal em fevereiro. Queremos baratear o frete por saco de grãos, que hoje chega a R$ 18, para cerca de R$ 5 ou R$ 6”, afirmou.

O início da operação será acompanhado pelos governadores Rafael Fonteles (Piauí) e Elmano de Freitas (Ceará), além de autoridades federais, estaduais e municipais, em uma cerimônia que celebra um marco na integração logística do Nordeste.

Piauí da salto com Transnordestina

O governador do Piauí, Rafael Fonteles, ressalta um salto decisivo na logística de cargas, no escoamento da nossa produção e no fortalecimento da economia regional. “Com esse modal, nosso agronegócio, a mineração, a indústria e demais cadeias produtivas ganham competitividade real. Esse primeiro trem de milho marca não apenas o início de uma nova rota, mas o começo de um novo ciclo: melhor infraestrutura, menores custos, mais empregos e mais oportunidades para nossos municípios. O Piauí está pronto para aproveitar esse momento”, disse.

Rafael Fonteles
Rafael Fonteles, governador eleito do Piauí/Foto: divulgação

A ferrovia Transnordestina, que ao todo terá 1.206 quilômetros de extensão, já atingiu 78% de avanço físico na Fase 1, com 676 km concluídos e 280 km em obras, distribuídos em seis lotes. Atualmente, mais de 4 mil trabalhadores diretos estão envolvidos na execução do projeto. A expectativa é de que essa primeira fase seja concluída até 2027, conectando a ferrovia ao Porto do Pecém (CE), um dos principais complexos portuários do país.

A Fase 2, com 151 quilômetros adicionais em território piauiense, deve ter as obras retomadas no primeiro semestre de 2026, com previsão de conclusão em 2028, um ano e meio antes do cronograma original.

Mapa atualizado da Transnordestina - Divulgação
Mapa atualizado da Transnordestina – Divulgação

Pecém impulsiona potencial

Para o secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Domingos Filho, a chegada da Transnordestina representa uma oportunidade decisiva para o fortalecimento da economia regional, além de ampliar a visão estratégica de desenvolver as potencialidades dos municípios contemplados pelo projeto e fortalecer a integração econômica entre os estados nordestinos, levando ao desenvolvimento dessas localidades.

“Ao reduzir consideravelmente os custos logísticos, tem-se a oportunidade de criar condições favoráveis para o escoamento da produção, ampliando a competitividade entre setores e promovendo o crescimento equilibrado dos municípios, principalmente em relação ao MATOPIBA (fronteira agrícola do Brasil, abrangendo áreas nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Para se ter uma ideia, pelo Porto do Pecém, a expectativa é que sejam movimentadas cerca de 6 milhões de toneladas pela ferrovia só no primeiro ano de operação, previsto para 2028”, diz o secretário.

O secretário também destacou o papel estratégico de Iguatu na nova configuração logística do Estado. Segundo ele, um dos locais mais adequados para a instalação de um terminal itinerante para carga e descarga, essencial para o desenvolvimento logístico da região. “Isto foi idealizado através de um Estudo de Viabilidade de Terminal Ferroviário de Carga/Descarga, conduzido pela Empresa Júnior do Curso de Economia da URCA, projeto que contou com apoio de pesquisadores, entidades de classe, empresários, instituições financeiras e Prefeitura de Iguatu”, finaliza.

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