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Lei formaliza doação do Colégio Pio XII para hotel do Vila Galé em João Pessoa

Publicação da Lei nº 14.521 no Diário Oficial do Estado formaliza repasse do imóvel histórico para instalação do Vila Galé Collection das Artes, com 80 apartamentos e abertura prevista em 2027
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  1. Colégio Pio XII é doado formalmente à Cinep para conversão em hotel Vila Galé em João Pessoa.
  2. Hotel Collection investirá R$ 100 milhões com 80 apartamentos e abertura prevista para 2027.
  3. Lei autoriza desafetação do bem com prazo de 60 meses e cláusula de reversão ao Estado.
  4. IPHAEP aprovou intervenções no imóvel tombado desde negociações iniciadas em janeiro de 2026.
  5. Vila Galé projeta R$ 900 milhões em investimentos no Brasil até 2028 em quatro países.
Antigo Colégio Diocesano Pio XII passará por obras de revitalização para se transformar em hotel do grupo português Vila Galé. Cerca de R$ 80 milhões serão investidos no local. Foto: Carlos Rodrigo/A União
Antigo Colégio Diocesano Pio XII passará por obras de revitalização para se transformar em hotel do grupo português Vila Galé. Cerca de R$ 80 milhões serão investidos no local. Foto: Carlos Rodrigo/A União

O antigo Colégio Arquidiocesano Pio XII, na Praça São Francisco, em João Pessoa, foi doado formalmente à Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep) através de lei publicada no Diário Oficial do Estado na última sexta-feira (29). É mais uma etapa para a conversão do imóvel histórico em hotel da linha Collection do grupo português Vila Galé. O empreendimento ocupará 8.297,89 m² de área total e 4.027,89 m² construídos, com abertura prevista em 2027.

A Lei nº 14.521, sancionada pelo governador Lucas Ribeiro Novais de Araújo em 28 de maio, autoriza a desafetação do bem e sua transferência à Cinep, que operacionalizará a cessão ao grupo hoteleiro. O texto prevê prazo de 60 meses para a instalação do hotel, com cláusula de reversão ao patrimônio estadual em caso de descumprimento.

Por integrar o perímetro de tombamento estadual delimitado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) pelo Decreto nº 9.484/1982, qualquer intervenção no imóvel depende de aprovação técnica prévia do instituto. Representantes do IPHAEP participaram das negociações desde janeiro de 2026, quando o então governador João Azevêdo recebeu o presidente do grupo, Jorge Rebelo, no Palácio dos Despachos.

O Vila Galé Collection das Artes terá 80 apartamentos e investimento de R$ 100 milhões. O empreendimento integra a linha Collection do grupo, voltada à recuperação de patrimônio histórico. O mesmo modelo está sendo aplicado em São Luís, onde dois hotéis da linha Collection ocuparão o antigo prédio da Defensoria Pública e a Casa do Maranhão, com investimento conjunto de R$ 105 milhões. A parceria com a Paraíba foi anunciada em fevereiro de 2026, durante a Bolsa de Turismo de Lisboa. O Vila Galé opera 52 unidades em quatro países e projeta R$ 900 milhões em investimentos no Brasil até 2028.

Vila Galé ocupará imóvel com mais de 120 anos de história na Cidade Alta

O prédio foi reformado na primeira década do século XX para abrigar o ensino confessional da Arquidiocese da Paraíba, dentro do projeto educacional do primeiro bispo da Paraíba, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, que governou a Diocese entre 1894 e 1935. Antes disso, o imóvel serviu de moradia episcopal até 1906. A construção original era uma edificação assobradada com formato distinto do atual, adaptada ao longo das intervenções para o uso escolar. A fachada, no entanto, foi preservada sem alterações ao longo das décadas, segundo especialistas.

O colégio que deu nome definitivo ao prédio se diferenciava dos demais educandários confessionais criados pelo mesmo bispo na capital. Enquanto o Pio X, o Nossa Senhora das Neves e o Nossa Senhora de Lourdes funcionavam sob a direção de ordens religiosas, o Pio XII teve, em seus primeiros anos, corpo docente e direção majoritariamente leigos. Os seminaristas do Seminário Arquidiocesano, separado do colégio por um pátio interno, assistiam às aulas do ensino regular no Pio XII. O imóvel abrigou ainda, em uso posterior, a Faculdade de Ciências Médicas.

O lote de esquina na Praça São Francisco é adjacente ao Centro Cultural São Francisco, complexo barroco tombado pelo Iphan em 1952 e descrito por Mário de Andrade como um dos monumentos mais perfeitos do Brasil. O prédio integra o eixo da Ladeira de São Francisco, considerada a primeira rua de João Pessoa, que conecta a Cidade Baixa à Cidade Alta. O Centro Histórico de João Pessoa foi tombado pelo Iphan em 2009, abrangendo 502 edificações em área de 370 mil m², com construções que vão do barroco ao art déco das décadas de 1920 e 1930.

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