
O antigo Colégio Arquidiocesano Pio XII, na Praça São Francisco, em João Pessoa, foi doado formalmente à Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep) através de lei publicada no Diário Oficial do Estado na última sexta-feira (29). É mais uma etapa para a conversão do imóvel histórico em hotel da linha Collection do grupo português Vila Galé. O empreendimento ocupará 8.297,89 m² de área total e 4.027,89 m² construídos, com abertura prevista em 2027.
A Lei nº 14.521, sancionada pelo governador Lucas Ribeiro Novais de Araújo em 28 de maio, autoriza a desafetação do bem e sua transferência à Cinep, que operacionalizará a cessão ao grupo hoteleiro. O texto prevê prazo de 60 meses para a instalação do hotel, com cláusula de reversão ao patrimônio estadual em caso de descumprimento.
Por integrar o perímetro de tombamento estadual delimitado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) pelo Decreto nº 9.484/1982, qualquer intervenção no imóvel depende de aprovação técnica prévia do instituto. Representantes do IPHAEP participaram das negociações desde janeiro de 2026, quando o então governador João Azevêdo recebeu o presidente do grupo, Jorge Rebelo, no Palácio dos Despachos.
O Vila Galé Collection das Artes terá 80 apartamentos e investimento de R$ 100 milhões. O empreendimento integra a linha Collection do grupo, voltada à recuperação de patrimônio histórico. O mesmo modelo está sendo aplicado em São Luís, onde dois hotéis da linha Collection ocuparão o antigo prédio da Defensoria Pública e a Casa do Maranhão, com investimento conjunto de R$ 105 milhões. A parceria com a Paraíba foi anunciada em fevereiro de 2026, durante a Bolsa de Turismo de Lisboa. O Vila Galé opera 52 unidades em quatro países e projeta R$ 900 milhões em investimentos no Brasil até 2028.
Vila Galé ocupará imóvel com mais de 120 anos de história na Cidade Alta
O prédio foi reformado na primeira década do século XX para abrigar o ensino confessional da Arquidiocese da Paraíba, dentro do projeto educacional do primeiro bispo da Paraíba, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, que governou a Diocese entre 1894 e 1935. Antes disso, o imóvel serviu de moradia episcopal até 1906. A construção original era uma edificação assobradada com formato distinto do atual, adaptada ao longo das intervenções para o uso escolar. A fachada, no entanto, foi preservada sem alterações ao longo das décadas, segundo especialistas.
O colégio que deu nome definitivo ao prédio se diferenciava dos demais educandários confessionais criados pelo mesmo bispo na capital. Enquanto o Pio X, o Nossa Senhora das Neves e o Nossa Senhora de Lourdes funcionavam sob a direção de ordens religiosas, o Pio XII teve, em seus primeiros anos, corpo docente e direção majoritariamente leigos. Os seminaristas do Seminário Arquidiocesano, separado do colégio por um pátio interno, assistiam às aulas do ensino regular no Pio XII. O imóvel abrigou ainda, em uso posterior, a Faculdade de Ciências Médicas.
O lote de esquina na Praça São Francisco é adjacente ao Centro Cultural São Francisco, complexo barroco tombado pelo Iphan em 1952 e descrito por Mário de Andrade como um dos monumentos mais perfeitos do Brasil. O prédio integra o eixo da Ladeira de São Francisco, considerada a primeira rua de João Pessoa, que conecta a Cidade Baixa à Cidade Alta. O Centro Histórico de João Pessoa foi tombado pelo Iphan em 2009, abrangendo 502 edificações em área de 370 mil m², com construções que vão do barroco ao art déco das décadas de 1920 e 1930.
Leia mais: Tauá abre resort de R$ 700 mi em João Pessoa e lança administradora hoteleira









