
O Nordeste concentra sete das dez maiores taxas de desocupação do Brasil, com Piauí liderando o ranking nacional com 9,3% no consolidado de 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados nesta sexta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Bahia e Pernambuco empatam na segunda posição com 8,7% cada, ambos acima da média nacional de 5,6% — a menor taxa anual desde o início da série histórica em 2012. A taxa anual caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025.
Completam a lista de estados nordestinos com desocupação acima da média nacional: Rio Grande do Norte (8,1%), Sergipe (7,9%), Maranhão (6,8%), Ceará (6,5%) e Paraíba (6,0%). Apenas Alagoas (8,3%) da região não atingiu mínima histórica, mas registra desocupação 48% superior à média do país.
Em contraste, 20 estados registraram em 2025 a menor taxa de desocupação da série histórica, incluindo cinco estados nordestinos: Paraíba, Ceará, Maranhão, Sergipe e Bahia. A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e visita 211 mil domicílios em todos os estados. Pela metodologia, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou vaga 30 dias antes da pesquisa.
Dados trimestrais e desigualdades regionais
No 4º trimestre de 2025, a taxa nacional de desocupação caiu para 5,1%, redução de 0,5 ponto percentual ante o trimestre anterior (5,6%) e recuo de 1,1 p.p. ante o mesmo trimestre de 2024 (6,2%). A desocupação recuou em seis unidades da federação: São Paulo (0,5 p.p.), Rio de Janeiro (0,6 p.p.), Pernambuco (1,2 p.p.), Distrito Federal (1,2 p.p.), Paraíba (1,3 p.p.) e Ceará (1,4 p.p.), com estabilidade nas demais.
No 4º trimestre, Pernambuco liderou a desocupação com 8,8%, seguido de Amapá (8,4%), enquanto Alagoas, Bahia e Piauí empataram em 8,0%. As menores taxas trimestrais foram de Santa Catarina (2,2%), Espírito Santo (2,4%), Mato Grosso do Sul (2,4%) e Mato Grosso (2,4%).
O nível de ocupação anual (proporção de pessoas ocupadas dentro da população com 14 anos ou mais) chegou a 59,1% em 2025. Alagoas (47,5%), Ceará (47,8%) e Rio Grande do Norte (47,9%) apresentaram os menores percentuais do país, todos da região Nordeste. Os maiores níveis ficaram com Mato Grosso (66,7%), Santa Catarina (66,2%) e Mato Grosso do Sul (64,4%).
A taxa de desocupação por sexo no 4º trimestre foi de 4,2% para homens e 6,2% para mulheres, diferença de 2 pontos percentuais. A taxa por cor ou raça ficou abaixo da média nacional (5,1%) para brancos (4,0%) e acima para pretos (6,1%) e pardos (5,9%). A desocupação para pessoas com ensino médio incompleto atingiu 8,7%, superando as taxas dos demais níveis de instrução. Para pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi 5,6%, mais que o dobro da verificada para nível superior completo (2,7%).
Subutilização e desalento concentrados no Nordeste
A taxa anual de subutilização (pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas e na força de trabalho potencial) para o Brasil ficou em 14,5%. Piauí liderou com 31,0%, seguido por Bahia e Alagoas (ambos com 26,8%). As menores taxas anuais foram de Santa Catarina (4,6%), Mato Grosso (6,8%) e Espírito Santo (7,4%). No 4º trimestre, a taxa de subutilização foi de 13,4% no país, com Piauí (27,8%) mantendo a maior taxa.
A taxa anual de desalento (pessoas que desistiram de procurar trabalho) para o Brasil ficou em 2,6%. Maranhão (9,5%) teve a maior taxa, seguido por Alagoas (8,5%) e Piauí (7,8%), enquanto as menores taxas anuais foram de Santa Catarina (0,3%), Mato Grosso do Sul (0,6%) e Rio Grande do Sul (0,9%). No 4º trimestre, Maranhão (9,1%), Alagoas (8,0%) e Piauí (7,3%) mantiveram os maiores percentuais.
O país tinha 1,1 milhão de pessoas buscando trabalho há dois anos ou mais no 4º trimestre, recuo de 19,6% em relação ao mesmo período de 2024 (1,3 milhão). Por outro lado, 1,1 milhão buscavam trabalho há menos de um mês, recuo de 23,1% ante 2024 (1,4 milhão).
Informalidade supera 50% em cinco estados nordestinos
A taxa anual de informalidade para o país foi de 38,1% da população ocupada. As maiores médias anuais ficaram com Maranhão (58,7%), Pará (58,5%), Bahia (52,8%), Piauí (52,6%) e Ceará (51,0%). As menores taxas foram de Santa Catarina (26,3%), Distrito Federal (27,3%) e São Paulo (29,0%).
Completam a lista de estados nordestinos acima da média nacional: Paraíba (49,0%), Sergipe (48,2%), Pernambuco (47,8%), Alagoas (47,5%) e Rio Grande do Norte (39,0%). No 4º trimestre, a taxa de informalidade nacional foi de 37,6%. Na informalidade, trabalhadores não têm garantidos direitos como cobertura previdenciária, 13º salário, seguro-desemprego e férias.
No 4º trimestre, o percentual de empregados com carteira assinada era de 74,4% dos empregados do setor privado no país. Os maiores percentuais estavam em Santa Catarina (86,3%), São Paulo (82,2%) e Rio Grande do Sul (81,5%), enquanto os menores foram no Maranhão (52,5%), Piauí (54,3%) e Paraíba (54,8%).
O percentual da população ocupada trabalhando por conta própria foi de 25,3% no país no 4º trimestre. Os maiores percentuais foram do Maranhão (34,0%) e Pará (30,3%), e os menores do Distrito Federal (17,0%), Acre (18,8%) e Tocantins (20,8%).
Rendimento médio 36% abaixo da média nacional
O valor anual do rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.560. Os maiores valores foram do Distrito Federal (R$ 6.320), São Paulo (R$ 4.190) e Rio de Janeiro (R$ 4.177). Os menores valores foram de Maranhão (R$ 2.228), Bahia (R$ 2.284) e Ceará (R$ 2.394).
Nenhum estado do Nordeste alcança o rendimento médio nacional. Rio Grande do Norte registra o maior rendimento da região com R$ 3.003, 15,6% abaixo da média do país. Na outra ponta, Maranhão fecha com R$ 2.228, o menor rendimento do Brasil, 37,4% inferior à média nacional.
No 4º trimestre, o rendimento médio real foi de R$ 3.613, crescimento ante o trimestre anterior (R$ 3.527) e ante o mesmo trimestre de 2024 (R$ 3.440). As regiões Norte (R$ 2.846) e Sudeste (R$ 4.033) apresentaram expansão significativa do rendimento, enquanto as demais permaneceram estáveis. A massa de rendimento foi estimada em R$ 367,551 bilhões, crescimento tanto ante o trimestre anterior (R$ 356,668 bilhões) quanto ante o 4º trimestre de 2024 (R$ 345,521 bilhões).
Os demais estados nordestinos apresentam rendimento anual: Sergipe (R$ 2.855), Pernambuco (R$ 2.666), Paraíba (R$ 2.577), Piauí (R$ 2.561) e Alagoas (R$ 2.531).
Avanços regionais
Apesar dos desafios, cinco estados nordestinos atingiram mínimas históricas de desocupação em 2025: Paraíba (6,0%), Ceará (6,5%), Maranhão (6,8%), Sergipe (7,9%) e Bahia (8,7%). As taxas, embora sejam as menores já registradas desde o início da série em 2012, permanecem acima da média nacional de 5,6%.
William Kratochwill, analista da Pnad, explica que a mínima histórica em 2025 “decorre do dinamismo observado no mercado de trabalho, impulsionado pelo aumento do rendimento real”.
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