
Mais da metade dos trabalhadores brasileiros considera improvável perder o emprego ou a principal fonte de renda nos próximos seis meses, segundo a Sondagem do Mercado de Trabalho divulgada nesta segunda-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
De acordo com os dados referentes ao trimestre encerrado em agosto de 2025, 53,8% dos entrevistados avaliam como improvável ou muito improvável enfrentar a perda da ocupação ou da renda no curto prazo, enquanto 16,6% acreditam que essa possibilidade é provável ou muito provável.
Outros 29,7% responderam que não sabem avaliar a chance de perder o emprego. Essa percepção de segurança no emprego está relacionada ao atual momento do mercado de trabalho brasileiro, que apresenta taxa de desocupação em níveis historicamente baixos, segundo a FGV.
O levantamento revela que a percepção de estabilidade no trabalho é maior entre os trabalhadores com renda mais alta. Entre os que recebem até um salário-mínimo, apenas 32,6% consideram improvável perder o emprego. Na faixa entre um e três salários-mínimos, esse percentual é de 41,3%. Já entre os que recebem acima de três salários, 62,4% se sentem seguros quanto à manutenção da ocupação.
Segundo o economista do FGV Ibre, Rodolpho Tobler, o cenário de mercado aquecido favorece essa sensação de estabilidade. No entanto, ele alerta que a expectativa de desaceleração da economia brasileira pode impactar negativamente essa percepção nos próximos trimestres.
Além da avaliação sobre a chance de perda de emprego, a sondagem também mediu a suficiência da renda do trabalho para cobrir os gastos essenciais. Entre os entrevistados, 69,1% afirmaram que a renda atual é suficiente para arcar com despesas como moradia, alimentação, saúde e educação. Por outro lado, 30,9% disseram que a renda não cobre essas necessidades.
Proteção social e insatisfação no emprego
Em relação à proteção social, 33,5% dos trabalhadores declararam sentir-se muito desprotegidos em caso de perda da principal fonte de renda, enquanto apenas 28,7% disseram estar protegidos. A maioria, 59,2%, afirmou que não teria acesso a programas governamentais ou benefícios sociais se ficasse desempregada.
A insatisfação no trabalho é explicada principalmente pela baixa remuneração, apontada como o principal fator por 43,1% dos entrevistados. Outros motivos mencionados incluem carga horária elevada (17,9%) e impacto na saúde mental (17,8%).
Quanto à percepção geral sobre o mercado de trabalho, 57,8% dos trabalhadores consideram difícil ou muito difícil conseguir uma vaga atualmente. Já as expectativas para os próximos seis meses são divididas: 32,8% acreditam que o mercado vai piorar, enquanto 26,8% esperam melhora e os demais projetam estabilidade ou não souberam responder.
Situação do mercado de trabalho no Nordeste
Embora a sondagem do FGV Ibre não tenha divulgado dados específicos sobre o Nordeste na edição de agosto de 2025, informações complementares do Boletim Macro Regional da FGV e do Caged permitem observar um cenário mais frágil na região. A taxa de desocupação no Nordeste foi de 9,8% no primeiro trimestre de 2025, acima da média nacional de 7,0%.
O nível de ocupação regional atingiu 48,8% da população em idade ativa, inferior à média nacional de cerca de 57,8%. Em relação ao rendimento, a renda média do trabalho na região ficou em R$ 2.383, o que representa aproximadamente 70% da média nacional, estimada em R$ 3.410. Apesar disso, a massa de rendimentos no Nordeste registrou crescimento de 11,4% no trimestre, totalizando R$ 53,7 bilhões.
O saldo de empregos formais também foi positivo: cerca de 39 mil novas vagas foram criadas em julho de 2025, segundo dados do Caged. No entanto, a taxa de participação da força de trabalho no Nordeste caiu de 55,2% no final de 2024 para 54,1% no primeiro trimestre de 2025, ficando abaixo da média nacional de 62,2%.
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