
O Nordeste conta atualmente com 19 parques tecnológicos entre operação, implantação e planejamento, o que representa 17% do total nacional de 113 iniciativas mapeadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em levantamento publicado em outubro de 2025. A região tem 6 parques em operação consolidada, distribuídos por Pernambuco, Paraíba, Ceará, Sergipe e Bahia, e avança na implantação de novos ecossistemas em estados que até recentemente não contavam com nenhuma estrutura do tipo. O mais novo integrante deste clube é o Parque Tecnológico de São Luís, que pretende alcançar 30 mil cidadãos, beneficiar 1.100 negócios e formar 500 jovens em tecnologia.
Para atingir esta meta, a prefeitura da capital maranhense formalizou, no dia 17 de março, uma cooperação institucional entre a Secretaria Municipal de Inovação, Sustentabilidade e Projetos Especiais (Semispe) e o Porto Digital, um dos principais ecossistemas de inovação da América Latina.
O acordo estabelece intercâmbio de metodologias de governança, articulação com entidades acadêmicas e privadas, compartilhamento de modelos de gestão já validados e realização de seminários e oficinas de boas práticas. “Com o Parque Tecnológico a gente tem um ambiente de inovação para formação de talentos”, afirmou o prefeito Eduardo Braide durante o lançamento.
“O Porto Digital completou 28 anos e temos muita similaridade com o objetivo de São Luís. Nós conseguimos ressignificar nosso território tombado, sendo responsável pela revitalização de mais de 200 mil m² que hoje congrega mais de 540 empresas intensivas em tecnologia e inovação, mas principalmente em dar oportunidade ao nosso povo”, destacou o diretor de Inovação e Competitividade Empresarial do Núcleo Gestor do Porto Digital, Heraldo Ourem Ramos Neto, que esteve na capital maranhense.

Outras parcerias tecnológicas da capital maranhense
Foram firmados também Acordos de Cooperação Técnica com a Casa Azul Ventures e com o Centro Universitário UNDB, além de convênio com o Instituto Federal do Maranhão (IFMA).
A Casa Azul Ventures é uma aceleradora de startups sediada em Fortaleza (CE) que atua com programas de mentoria e aceleração voltados ao desenvolvimento de novos negócios inovadores — a parceria com o parque maranhense prevê a operação desses programas no novo ecossistema.
O Centro Universitário UNDB, sediado em São Luís, integra a estrutura de formação técnica e profissional do parque, com foco na capacitação dos 500 jovens previstos nas metas iniciais.
O convênio com o IFMA tem como objetivo fortalecer iniciativas de inovação, apoiar startups e desenvolver soluções tecnológicas voltadas aos desafios da cidade. As demais atividades previstas incluem incubação de startups, conexão com investidores, maratonas de inovação e cursos de formação profissional.
Porto Digital como modelo de referência regional
Fundado em 2000 no centro histórico do Recife, o Porto Digital encerrou 2025 com 541 empresas, 24.079 colaboradores e faturamento de R$ 7,4 bilhões — crescimento de 19% sobre 2024 —, consolidando-se como o maior distrito de inovação da América Latina, segundo levantamento anual conduzido pelo Porto Digital, Softex-PE, Assespro-PE/PB e Seprope. O crescimento foi puxado pela expansão do emprego formal em TIC no Recife: o município registrou alta de 15,8% nas vagas formais no setor ao longo de 2025, o melhor desempenho entre as capitais brasileiras, segundo o Caged.
O número de startups no ecossistema cresceu 72%, de acordo com o Sebrae Startups Report Brasil 2025. “Os resultados mostram a consistência de um projeto que, ao longo do tempo, conseguiu articular política pública, iniciativa privada e formação de talentos em um mesmo ambiente. O Porto Digital hoje opera em escala, com capacidade de gerar impacto econômico e social e de se conectar com diferentes regiões do Brasil e do mundo”, afirmou Pierre Lucena, presidente do Porto Digital.
Parques consolidados no Nordeste
Os parques tecnológicos em operação no Nordeste têm perfis e históricos distintos. A Paraíba é o estado com a trajetória mais longa na região: a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), em Campina Grande, foi criada em 1984 — um dos dois parques mais antigos ainda em operação no país, ao lado do parque de São Carlos (SP) — e abriga atualmente 14 empresas, segundo dados da plataforma MCTI-InovaData-Br publicados na Revista Pesquisa Fapesp em dezembro de 2025.
No fim do ano passado, o estado inaugurou um segundo parque: o Parque Tecnológico Horizontes de Inovação (PTHI), em João Pessoa, que já havia apoiado mais de 100 startups de forma virtual desde 2022 e recebeu sede física no centro histórico da capital paraibana, com área para incubação, coworking e laboratórios.
O Parque Tecnológico do Nutec, em Fortaleza (CE), integra a estrutura da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial e atua em pesquisa aplicada e desenvolvimento industrial. O SergipeTec, fundado em 2004 e sediado em São Cristóvão (SE), foi um dos beneficiários do edital federal de 2024 que destinou R$ 100 milhões a parques em estados sem estruturas consolidadas.
O Parque Tecnológico da Bahia, em Salvador (BA), foi inaugurado em 2012 na Avenida Paralela e atua nos segmentos de TIC, biotecnologia, saúde e economia criativa, com requalificação do Tecnocentro em curso com investimento de R$ 20 milhões anunciado em 2025.
Em Pernambuco, além do Porto Digital, opera o Parqtel — Parque Tecnológico de Eletroeletrônicos e Tecnologias Associadas —, iniciativa do Governo do Estado vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), sediada no bairro da Várzea, no Recife, com 43 hectares de área. Voltado ao desenvolvimento empresarial e tecnológico no setor eletroeletrônico, o parque abriga mais de 20 empresas — entre incubadas e residentes —, além de sete laboratórios de manufatura avançada no seu Centro de Manufatura Avançada (CMA).
Setor de TI cresce no Nordeste e sustenta expansão dos parques
A expansão dos parques tecnológicos no Nordeste responde a um crescimento verificado no setor. O Nordeste encerrou 2025 com 347.940 novos empregos formais — 27,2% de todas as vagas criadas no Brasil no período —, crescimento de 6,3% sobre 2024, segundo o Caged analisado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene) do Banco do Nordeste.
Os serviços de informação, comunicação e atividades financeiras lideraram a geração de vagas na região, com 84.795 postos criados ao longo de 2025. O setor de TI no Nordeste empregava 72.329 profissionais em 2025, crescimento de 14,8% sobre 2023 — a maior expansão regional do país no período, segundo levantamento setorial.
No plano nacional, o macrossetor de TIC representou 6,5% do PIB brasileiro em 2024, com produção de R$ 762,4 bilhões e crescimento médio de 8,4% ao ano nos últimos três anos, conforme relatório da Brasscom.
Investimento federal em inovação
Em fevereiro de 2025, o MCTI e a Finep destinaram R$ 100 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) a 17 parques tecnológicos em 9 estados sem estruturas consolidadas. Do total, 7 iniciativas estão no Nordeste — 3 em Sergipe, 2 em Alagoas e 2 no Maranhão. O valor por proposta variou entre R$ 4 milhões e R$ 15 milhões.
No acumulado dos últimos anos, o MCTI e a Finep destinaram cerca de R$ 670 milhões do FNDCT ao apoio de 56 parques tecnológicos no país. Apesar do crescimento, a concentração regional persiste: as regiões Sul e Sudeste respondem por 66% dos parques em operação no Brasil, enquanto o Nordeste detém 17%, o Norte, 12%, e o Centro-Oeste, 7%, segundo levantamento da Fapesp publicado em dezembro de 2025.
“Os parques brasileiros ainda são jovens. Quando esses parques atingirem a maturidade, que normalmente ocorre com 20, 25 anos, esses números serão infinitamente melhores”, avalia Adriana Ferreira de Faria, presidente da Anprotec. Prazo que apenas os ecossistemas mais antigos da região, como o de Campina Grande e o Porto Digital, já alcançaram.
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