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Conexão São Luís-Porto Digital amplia o mapa da inovação no Nordeste

Porto Digital leva metodologia ao Maranhão e São Luís lança seu parque tecnológico. Nordeste soma 19 iniciativas de inovação e registrou crescimento de 14,8% no emprego em TI entre 2023 e 2025
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Complexo Trapiche Santo Ângelo São Luís do Maranhão parque tecnológico Porto Digital
Complexo Trapiche, em São Luís, integra área da capital maranhense que terá parque tecnológico e de inovação nos moldes do Porto Digital recifense. Foto: Divulgação

O Nordeste conta atualmente com 19 parques tecnológicos entre operação, implantação e planejamento, o que representa 17% do total nacional de 113 iniciativas mapeadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em levantamento publicado em outubro de 2025. A região tem 6 parques em operação consolidada, distribuídos por Pernambuco, Paraíba, Ceará, Sergipe e Bahia, e avança na implantação de novos ecossistemas em estados que até recentemente não contavam com nenhuma estrutura do tipo. O mais novo integrante deste clube é o Parque Tecnológico de São Luís, que pretende alcançar 30 mil cidadãos, beneficiar 1.100 negócios e formar 500 jovens em tecnologia.

Para atingir esta meta, a prefeitura da capital maranhense formalizou, no dia 17 de março, uma cooperação institucional entre a Secretaria Municipal de Inovação, Sustentabilidade e Projetos Especiais (Semispe) e o Porto Digital, um dos principais ecossistemas de inovação da América Latina.

O acordo estabelece intercâmbio de metodologias de governança, articulação com entidades acadêmicas e privadas, compartilhamento de modelos de gestão já validados e realização de seminários e oficinas de boas práticas. “Com o Parque Tecnológico a gente tem um ambiente de inovação para formação de talentos”, afirmou o prefeito Eduardo Braide durante o lançamento.

“O Porto Digital completou 28 anos e temos muita similaridade com o objetivo de São Luís. Nós conseguimos ressignificar nosso território tombado, sendo responsável pela revitalização de mais de 200 mil m² que hoje congrega mais de 540 empresas intensivas em tecnologia e inovação, mas principalmente em dar oportunidade ao nosso povo”, destacou o diretor de Inovação e Competitividade Empresarial do Núcleo Gestor do Porto Digital, Heraldo Ourem Ramos Neto, que esteve na capital maranhense.

Lançamento do Parque Tecnológico de São Luís - prefeito Eduardo Braide e Heraldo Ourem Ramos Neto, diretor de Inovação e competitividade empresarial do Núcleo Gestor do Porto Digital
Lançamento do Parque Tecnológico de São Luís: prefeito Eduardo Braide e o diretor de Inovação e competitividade empresarial do Núcleo Gestor do Porto Digital, Heraldo Ourem Ramos Neto. Foto: Divulgação

Outras parcerias tecnológicas da capital maranhense

Foram firmados também Acordos de Cooperação Técnica com a Casa Azul Ventures e com o Centro Universitário UNDB, além de convênio com o Instituto Federal do Maranhão (IFMA).

A Casa Azul Ventures é uma aceleradora de startups sediada em Fortaleza (CE) que atua com programas de mentoria e aceleração voltados ao desenvolvimento de novos negócios inovadores — a parceria com o parque maranhense prevê a operação desses programas no novo ecossistema.

O Centro Universitário UNDB, sediado em São Luís, integra a estrutura de formação técnica e profissional do parque, com foco na capacitação dos 500 jovens previstos nas metas iniciais.

O convênio com o IFMA tem como objetivo fortalecer iniciativas de inovação, apoiar startups e desenvolver soluções tecnológicas voltadas aos desafios da cidade. As demais atividades previstas incluem incubação de startups, conexão com investidores, maratonas de inovação e cursos de formação profissional.

Porto Digital como modelo de referência regional

Fundado em 2000 no centro histórico do Recife, o Porto Digital encerrou 2025 com 541 empresas, 24.079 colaboradores e faturamento de R$ 7,4 bilhões — crescimento de 19% sobre 2024 —, consolidando-se como o maior distrito de inovação da América Latina, segundo levantamento anual conduzido pelo Porto Digital, Softex-PE, Assespro-PE/PB e Seprope. O crescimento foi puxado pela expansão do emprego formal em TIC no Recife: o município registrou alta de 15,8% nas vagas formais no setor ao longo de 2025, o melhor desempenho entre as capitais brasileiras, segundo o Caged.

O número de startups no ecossistema cresceu 72%, de acordo com o Sebrae Startups Report Brasil 2025. “Os resultados mostram a consistência de um projeto que, ao longo do tempo, conseguiu articular política pública, iniciativa privada e formação de talentos em um mesmo ambiente. O Porto Digital hoje opera em escala, com capacidade de gerar impacto econômico e social e de se conectar com diferentes regiões do Brasil e do mundo”, afirmou Pierre Lucena, presidente do Porto Digital.

Parques consolidados no Nordeste

Os parques tecnológicos em operação no Nordeste têm perfis e históricos distintos. A Paraíba é o estado com a trajetória mais longa na região: a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), em Campina Grande, foi criada em 1984 — um dos dois parques mais antigos ainda em operação no país, ao lado do parque de São Carlos (SP) — e abriga atualmente 14 empresas, segundo dados da plataforma MCTI-InovaData-Br publicados na Revista Pesquisa Fapesp em dezembro de 2025.

No fim do ano passado, o estado inaugurou um segundo parque: o Parque Tecnológico Horizontes de Inovação (PTHI), em João Pessoa, que já havia apoiado mais de 100 startups de forma virtual desde 2022 e recebeu sede física no centro histórico da capital paraibana, com área para incubação, coworking e laboratórios.

O Parque Tecnológico do Nutec, em Fortaleza (CE), integra a estrutura da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial e atua em pesquisa aplicada e desenvolvimento industrial. O SergipeTec, fundado em 2004 e sediado em São Cristóvão (SE), foi um dos beneficiários do edital federal de 2024 que destinou R$ 100 milhões a parques em estados sem estruturas consolidadas.

O Parque Tecnológico da Bahia, em Salvador (BA), foi inaugurado em 2012 na Avenida Paralela e atua nos segmentos de TIC, biotecnologia, saúde e economia criativa, com requalificação do Tecnocentro em curso com investimento de R$ 20 milhões anunciado em 2025.

Em Pernambuco, além do Porto Digital, opera o Parqtel — Parque Tecnológico de Eletroeletrônicos e Tecnologias Associadas —, iniciativa do Governo do Estado vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), sediada no bairro da Várzea, no Recife, com 43 hectares de área. Voltado ao desenvolvimento empresarial e tecnológico no setor eletroeletrônico, o parque abriga mais de 20 empresas — entre incubadas e residentes —, além de sete laboratórios de manufatura avançada no seu Centro de Manufatura Avançada (CMA).

Setor de TI cresce no Nordeste e sustenta expansão dos parques

A expansão dos parques tecnológicos no Nordeste responde a um crescimento verificado no setor. O Nordeste encerrou 2025 com 347.940 novos empregos formais27,2% de todas as vagas criadas no Brasil no período —, crescimento de 6,3% sobre 2024, segundo o Caged analisado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene) do Banco do Nordeste.

Os serviços de informação, comunicação e atividades financeiras lideraram a geração de vagas na região, com 84.795 postos criados ao longo de 2025. O setor de TI no Nordeste empregava 72.329 profissionais em 2025, crescimento de 14,8% sobre 2023 — a maior expansão regional do país no período, segundo levantamento setorial.

No plano nacional, o macrossetor de TIC representou 6,5% do PIB brasileiro em 2024, com produção de R$ 762,4 bilhões e crescimento médio de 8,4% ao ano nos últimos três anos, conforme relatório da Brasscom.

Investimento federal em inovação

Em fevereiro de 2025, o MCTI e a Finep destinaram R$ 100 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) a 17 parques tecnológicos em 9 estados sem estruturas consolidadas. Do total, 7 iniciativas estão no Nordeste3 em Sergipe, 2 em Alagoas e 2 no Maranhão. O valor por proposta variou entre R$ 4 milhões e R$ 15 milhões.

No acumulado dos últimos anos, o MCTI e a Finep destinaram cerca de R$ 670 milhões do FNDCT ao apoio de 56 parques tecnológicos no país. Apesar do crescimento, a concentração regional persiste: as regiões Sul e Sudeste respondem por 66% dos parques em operação no Brasil, enquanto o Nordeste detém 17%, o Norte, 12%, e o Centro-Oeste, 7%, segundo levantamento da Fapesp publicado em dezembro de 2025.

“Os parques brasileiros ainda são jovens. Quando esses parques atingirem a maturidade, que normalmente ocorre com 20, 25 anos, esses números serão infinitamente melhores”, avalia Adriana Ferreira de Faria, presidente da Anprotec. Prazo que apenas os ecossistemas mais antigos da região, como o de Campina Grande e o Porto Digital, já alcançaram.

Leia mais: Porto Digital cresce 19% e atinge R$ 7,4 bilhões em 2025

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