
O cenário turístico do Nordeste ganha um novo e exclusivo componente com o avanço das obras do Villamor Tambaba Resort. Localizado em Pitimbu, estrategicamente próximo à praia de Tambaba (pioneira do naturismo no Brasil), o empreendimento surge como o primeiro resort de conceito liberal do continente. O projeto combina hospitalidade de alto padrão com uma proposta de entretenimento focada na liberdade e experiências sensoriais para adultos.
O idealizador do projeto, Márcio Pimenta, sócio do empreendimento ao lado da Camelo Construtora, destaca a magnitude da iniciativa. “Esse projeto realmente é ambicioso. Nós ousamos dizer que vamos ser melhor do que os resorts já existentes nesse segmento lá em Cancun, Jamaica e Ibiza”, afirmou Pimenta em entrevista ao Gera Podcast.
O conceito naturista e a boate no Boeing 737
A infraestrutura do Villamor Tambaba foge do convencional, com destaque para uma boate instalada dentro da fuselagem de um verdadeiro Boeing 737. O lazer inclui ainda piscinas de borda infinita, cine-teatro e áreas de jogos.
Sobre o conceito de nudez, que será obrigatória em áreas como piscinas e bares, Pimenta esclarece que o foco é o estilo de vida, não o erotismo. “O naturismo não está diretamente ligado ao sexo. Ele está muito ligado à aproximação de pessoas com o objetivo de ter um modo de vida diferenciado”, explicou.
“Gera uma grande sensação de liberdade e acaba a vaidade; as pessoas estão ali como vieram ao mundo, sem exigência de beleza. O que importa é a educação, a empatia e a comunicação”, acrescentou ao podcast.
Estrutura e preservação ambiental
Erguido em uma área total de 40 mil metros quadrados, o complexo prioriza a integração com a natureza. Ocupando apenas 12 mil m² com edificações, o projeto mantém um forte compromisso com a sustentabilidade.

“Estamos usando cerca de 27% da área. Além disso, compramos uma outra área de 16 hectares em Alhandra e cedemos como compensação ambiental. Para nós, é interessante manter o ambiente e a natureza, porque o turista vem em busca disso”, explicou ao Gera Podcast.
Com inauguração prevista para o início de 2027, o resort terá 284 apartamentos e capacidade para receber diariamente 750 hóspedes no sistema de multipropriedade. Segundo Pimenta, o modelo deve aquecer a economia local. “O hóspede vai ter a liberdade de circular por toda a região. Ele vai consumir nas praias ao lado, em Jacumã, na padaria, no mercadinho e na farmácia.”
Impacto econômico e mão de obra
Segundo gestor, o investimento de R$ 150 milhões deve impulsionar a geração de empregos na região de Pitimbu e arredores. De acordo com Márcio Pimenta, a estimativa é gerar cerca de 200 empregos diretos já na fase de construção, entre pedreiros e técnicos.
“Quando for inaugurado, teremos uma carteira de 300 funcionários diretos”, revelou o empresário, ressaltando que a equipe trabalhará devidamente trajada para atender ao público do resort.
Com um público-alvo majoritariamente vindo do Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil, o empreendimento busca agora atrair novamente o fluxo de turistas estrangeiros para o litoral sul paraibano.
Como funciona o modelo de multipropriedade
O empreendimento aposta em cotas de uso anual para democratizar o acesso ao luxo e garantir ocupação constante do complexo em Pitimbu. O modelo de multipropriedade adotado pelo Villamor Tambaba Resort funciona sob a lógica da economia compartilhada, onde o comprador não adquire a totalidade de uma unidade imobiliária, mas sim uma fração do imóvel.

Com uma estrutura total de 284 apartamentos, o projeto fraciona o direito de uso, o que, segundo o sócio Márcio Pimenta, otimiza o uso do ativo ao longo de todo o ano. Esse sistema permite que o imóvel seja utilizado de forma rotativa, evitando a ociosidade comum em casas de veraneio tradicionais.
Flexibilidade e ocupação o ano todo
Um dos grandes atrativos do modelo é a ausência de sazonalidade rígida na ocupação do resort. Como o clima no litoral sul da Paraíba permite o turismo durante os 12 meses, as cotas são programadas de forma a garantir fluxo de caixa para a administração e lazer para os proprietários.
Para o investidor e para a região de Pitimbu, o modelo de multipropriedade traz um impacto direto no consumo interno. Diferentemente de um resort de bandeira internacional, onde o turista muitas vezes limita seu gasto ao “all-inclusive” interno, o modelo de gestão do Villamor incentiva a circulação e o consumo externo.
Segundo Márcio Pimenta, a estratégia é clara. “O hóspede vai ter a liberdade de circular por toda a região. Ele vai consumir nas praias ao lado, em Jacumã, na padaria, no mercadinho e na farmácia.”
Relação com a cidade de Pitimbu
Para reforçar a infraestrutura e o impacto socioeconômico do empreendimento, o secretário de Turismo, Cultura e Desenvolvimento Econômico de Pitimbu, Allef Cristovam, detalhou as ações conjuntas entre o município e o Governo do Estado.
No campo da mobilidade, ele destacou a revitalização da PB-008 e a recente entrega da PB-028, que garante acesso direto ao resort. Segundo o secretário, a gestão municipal também monitora as contrapartidas ambientais e sanitárias do projeto.

“A Prefeitura de Pitimbu, em parceria com o Governo do Estado, conseguiu melhorar todos os acessos até o resort e exigiu no projeto um plano para o despejo desse esgoto da forma correta, atendendo às normas legislativas e ambientais”, afirmou Cristovam.
No que diz respeito ao mercado de trabalho e fomento à economia local, o secretário confirmou a existência de um acordo para que a mão de obra nativa seja priorizada nas mais de 300 vagas diretas previstas. O plano de integração inclui ainda a cadeia de suprimentos, com foco em agricultores e pescadores da região.
“Estamos investindo em cursos em parceria com o Sebrae e Senac
para a capacitação dos nossos agricultores, pescadores e empreendedores do município, visando ofertar um produto ou serviço de qualidade para o resort e ter a prioridade do fornecimento, gerando emprego e renda”, explicou.
A chegada do Villamor Tambaba Resort é vista pela administração municipal como o ponto de partida para um novo posicionamento de Pitimbu no mapa do turismo de luxo. Para ordenar esse crescimento e evitar a ocupação desordenada da costa, o município aposta na implementação de seu Plano Diretor.
Naturismo em suas características
Segundo a Federação Brasileira de Naturismo (FBRN), o estilo de vida é baseado em três pilares: nudez social sem conotação sexual; respeito a si e ao outro; e cuidado com o meio ambiente.
Ao Movimento Econômico, Paula Silveira, presidente da FBRN, confirmou que ainda não existe um resort naturista no Brasil. A entidade esclareceu ainda que a nudez social, sem conotação sexual, é possível e que existe uma comunidade que só sente necessidade de usar roupas quando o tempo esfria ou quando está num lugar no qual o corpo precise de proteção.
“A nudez social é algo natural, algo inato, algo que não precisa ser escondido. A nudez social vivida traz a sensação de pertencimento a este mundo. Não sou eu e o meio ambiente, não sou eu e o outro”, explica as diretrizes no site da federação.
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