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Para frear o sumiço do sururu, Maceió terá cultivo sustentável nas lagoas

Desenvolvido pelo IABS, técnica dispensa mergulhos com apneia e vai cultivar sururu na superfície do complexo lagunar Mundaú-Manguaba
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Instituto IABS desenvolve projeto de cultivo de sururu na superfície das lagoas
Instituto IABS desenvolve projeto de cultivo de sururu na superfície do complexo lagunar Mundaú-Manguaba. Foto: IABS

Reconhecido como patrimônio cultural de Alagoas, o sururu é fonte de renda para diversas famílias de pescadores em Maceió e outras cidades que margeiam o complexo lagunar Mundaú-Manguaba. Entretanto, o molusco vem desaparecendo das lagoas sobretudo por questões ambientais. Para manter viva a tradição, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar iniciaram o desenvolvimento do cultivo de sururu na superfície das lagoas, gerando oportunidade de renda e trabalho às marisqueiras e aos pescadores do bairro Vergel do Lago, em Maceió.

Segundo o IABS, o projeto está em fase inicial realizando as contratações e estruturação de equipe para dar início às atividades até o mês de abril. Nas fases de estudo, ficou constatado que a pesca do sururu hoje é intensa e indiscriminada, o que tem degradado o meio ambiente e ecossistema da região. Além disso, havia os riscos para a saúde dos pescadores, o que vulnerabilizava a economia local.

A diretora regional Nordeste do IABS, Roberta Roxilene, explicou que a ideia do projeto surgiu a partir do diagnóstico apresentado no livro A Cada Lata, do IABS, que identificou alguns desafios importantes na cadeia do sururu, principalmente nas condições de trabalho da pesca e nas barreiras que limitavam a participação das mulheres na atividade.

“Foi pensando em soluções para essa realidade que surgiu o projeto do cultivo de sururu, que visa oferecer uma alternativa para somar com a pesca tradicional, aproveitando técnicas já utilizadas na aquicultura de moluscos, mas adaptadas à realidade do sururu. A proposta busca criar uma forma mais sustentável de produção, capaz de garantir maior regularidade na oferta, melhorar a qualidade do produto e gerar novas oportunidades de trabalho e renda, inclusive ampliando a participação das mulheres na atividade”, disse.

A proposta do projeto visa beneficiar diretamente 25 famílias, promovendo também maior autonomia financeira e equidade de gênero nessa cadeia produtiva.

Instituto IABS desenvolve projeto de cultivo de sururu na superfície das lagoas
Técnica que será utilizada dispensa mergulho por apneia para coleta do sururu no fundo da lagoa em Maceió. Foto: IABS

O sururu se deposita no fundo da lagoa e os pescadores fazem a coleta realizando mergulhos profundos sem o uso de nenhum equipamento. A técnica proposta pelo IABS dispensa a apneia, conhecida como long-time, o que reduzirá os riscos à saúde e facilitará a participação das marisqueiras nessa etapa produtiva. Atualmente, elas são responsáveis por separar a carne do molusco do cordão que os liga, fervem, peneiram e embalam para venda.

“Estamos falando de desenvolvimento socioeconômico mais equitativo, conciliando produção eficiente e sustentabilidade”, destacou o IABS.

São esperados que 100 módulos de cultivo sejam instalados no complexo lagunar e sejam produzidos 90 quilos de sururu por mês. Com isso, o projeto pretende reaproveitar 10 toneladas de conchas de sururu e fazer o destino de 4 mil metros quadrados ao cultivo sustentável.

O Instituto também irá, além de implantar toda a estrutura, realizar o monitoramento técnico, capacitação e aprimoramento das técnicas e metodologias produtivas.

Instituto IABS desenvolve projeto de cultivo de sururu na superfície das lagoas
Expectativa é que projeto beneficie diretamente 25 famílias que sobrevivem da pesca do sururu em comunidade de Maceió. Foto: IABS

Sururu vira moeda social em comunidade pesqueira

Desde 2021, o Instituto Mandaver, em parceria com o IABS, desenvolveu a moeda social Sururote, que é utilizada pela comunidade de marisqueiras do bairro Vergel do Lago, em Maceió.

A operação da moeda social é realizada pelo Banco Laguna, dentro de uma dinâmica que contribui para a circulação de recursos no próprio território. Cada Sururote equivale a R$ 1 e tem contribuído para movimentar a economia local.  

Em parceria com o IABS, 21 marisqueiras vendem as conchas do sururu para o IABS Empresa Social, e recebem o pagamento em Sururotes, que pode ser gasto em estabelecimentos da região. 

Este grupo também contribui para manter a unidade fabril pertencente ao projeto Sururu: Conchas que Transformam. Em parceria com a empresa de revestimentos cerâmicos Portobello, mais de 500 toneladas de conchas do molusco foram retiradas das ruas e reaproveitadas, gerando mais de R$ 800 mil em renda geral na comunidade.

Sururote moeda social em Maceió
Criado em 2021, Sururote virou moeda social que movimenta a economia no bairro do Vergel do Lago, em Maceió. Foto: Acervo IABS

As conchas que antes viviam espalhadas pelas ruas do bairro, tornando-se um problema de saúde pública ganharam uma destinação sustentável e geram renda a estas famílias.

Em 2020 a Portobello se uniu à iniciativa, para gerar alternativas de renda, trazer mais qualidade de vida para a comunidade e diminuir os impactos ambientais das conchas de sururu. Agora, essas conchas se transformam em produtos inovadores e de valor agregado, revertendo o lucro para a população local. Já foram lançadas três linhas de revestimentos criados a partir da casca do sururu, a Cobogó Mundaú, Solar e Fita.

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