
A V.tal — Rede Neutra de Telecomunicações S.A. — anunciou nesta terça-feira (20), durante o evento Pacific Telecommunications Council, realizado no Havaí, o projeto Synapse, rota submarina de 9.700 quilômetros entre Tuckerton, em Nova Jersey (EUA), e São Paulo, com 16 pares de fibra e capacidade total de 320 terabytes, estruturada para o tráfego de inteligência artificial, computação em nuvem e fluxos hyperscale.
O sistema incorporará uma derivação obrigatória em Fortaleza, por meio de uma branching unit — dispositivo que permite a divisão do cabo principal para ramais regionais — adicionando 460 quilômetros ao traçado e conectando diretamente ao Mega Lobster, data center de 20 megawatts operado pela Tecto, unidade de infraestrutura digital do grupo V.tal. Maior operadora de fibra óptica do Brasil e líder em infraestrutura digital nas Américas, controlada por fundos do BTG Pactual, a V.tal não revelou custo do projeto. A construção terá início no segundo semestre deste ano, com conclusão prevista entre 2029 e 2030.
O CEO da V.tal, Felipe Campos, descreve o sistema como investimento estratégico no fortalecimento da conexão digital entre Brasil e Estados Unidos, integrando infraestrutura submarina, terrestre e de data centers em plataforma única capaz de sustentar tráfego de inteligência artificial, cloud computing, hyperscalers e provedores de conteúdo. O projeto atende à demanda crescente de big techs, empresas de nuvem e serviços de dados por largura de banda de última geração e maior resiliência de rota internacional.
O Synapse utilizará tecnologia Space Division Multiplexing (SDM) e arquitetura Open Cable, oferecendo circuitos de até 800 Gbps. A rota principal terá ancoragem em Praia Grande (SP), ligada por rede terrestre de fibra óptica até a capital paulista. Nos Estados Unidos, a entrada ocorrerá em Tuckerton, com interconexão direta aos sistemas de distribuição de tráfego da costa leste norte-americana. A branching unit cearense funcionará como ponto de derivação e acesso imediato ao Mega Lobster, maior data center da região Nordeste em potência instalada, permitindo transferência de grandes volumes de dados já no ponto de chegada ao território brasileiro.

Expansão territorial e hierarquia de nós
A V.tal estuda ramificações adicionais do Synapse em Recife, Salvador e Rio de Janeiro, além de possível extensão até a Colômbia, compondo malha de escalabilidade progressiva conforme evolução da demanda de tráfego internacional. No entanto, a posição de Fortaleza difere estruturalmente das demais: a cidade integra o eixo principal como nó obrigatório, associado ao data center de 20MW, funcionando como ponto de decisão onde o tráfego internacional se bifurca e é redistribuído para múltiplos destinos regionais. Rio de Janeiro, Salvador e Recife poderão receber ramais futuros, mas não compõem, neste estágio, o núcleo computacional equivalente ao instalado no Ceará.
O Mega Lobster vai operar como terminus operacional do segmento submarino antes da redistribuição terrestre seguir para São Paulo e para outros centros de consumo de dados. A capacidade instalada de 20MW permite que parte significativa do tráfego internacional seja armazenada, processada e roteada no próprio Nordeste. A V.tal, controlada por fundos do BTG Pactual, consolida ali um polo de potência computacional associado diretamente ao backbone internacional.
Portfólio integrado da V.tal e escala de infraestrutura global
A V.tal mantém mais de 22 milhões de casas passadas, 26 mil quilômetros de cabos submarinos conectando Brasil, Argentina, Chile, Venezuela, Colômbia, Bermudas e EUA, além de data centers distribuídos no Brasil e na Colômbia. O Synapse adiciona 9.700 quilômetros a esse acervo submarino, ampliando espinha dorsal de tráfego internacional da operadora.
A empresa é signatária do Pacto Global da ONU e opera portfólio de infraestrutura digital de longo curso voltado a redes neutras, conectividade internacional e soluções de alta capacidade. Com a construção do Synapse e integração da Um Telecom—aquisição de 100% anunciada em 29 de dezembro de 2025, incorporando mais de 20 mil quilômetros de fibra terrestre nordestina e aproximadamente mil contratos ativos — a V.tal consolida cadeia vertical de tráfego que vai do cabeamento submarino internacional até redistribuição regional via fibra densa de propriedade direta.
A conclusão da integração com a pernambucana Um Telecom está prevista para este primeiro trimestre, antes do início da construção do Synapse no segundo semestre.
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