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Na Amupe, Raquel detalha retomada da Transnordestina ainda no 1º semestre

Raquel Lyra detalha articulação para retomada da Transnordestina em Pernambuco, cita entraves do modelo privado, cronograma do edital e impacto logístico da obra
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A governadora Raquel Lyra destacou que as obras da retomada da Tranbsnordestina em Pernambuco devem ser retomadas ainda neste primeiro semestre Foro: Yacy Ribeiro/Secom
A governadora Raquel Lyra destacou que as obras da retomada da Tranbsnordestina em Pernambuco devem ser retomadas ainda neste primeiro semestre Foro: Yacy Ribeiro/Secom

Ao participar da Assembleia Extraordinária da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), nesta terça-feira (20), em Gravatá, a governadora Raquel Lyra fez um longo balanço da gestão estadual, de quase uma hora e meia. No discurso, ela dedicou um bom trecho à retomada do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina, detalhando a cronologia da retirada do estado do traçado original, as articulações em Brasília e os desdobramentos administrativos que permitiram o avanço do projeto. A expectativa apresentada pelo Governo Federal é de que a obra esteja em andamento ainda no primeiro semestre. “A meta é que a gente finalize junho com a obra acontecendo”, afirmou.

Ao destacar a importância da Transnordestina para Pernambuco, ela retroagiu a dezembro de 2022, quando foi assinado um aditivo contratual entre o Governo Federal e a concessionária privada que retirou o Estado do traçado da obra. A gestora lembrou que o desenho original, em formato de T, previa a ligação entre Piauí, Ceará e Pernambuco, mas foi alterado para um formato de L, concentrando a operação apenas no eixo entre o interior piauiense e o Porto do Pecém, no Ceará.

“Uma decisão tomada olhando do ponto de vista empresarial. O dono da Transnordestina, tem uma siderúrgica em Pecém, no Ceará, e tem a mina que onde ele pega o minério no Piauí, em Eliseu Martins”, destacou Raquel, acrescentando ele alegou que o Porto de Suape não apresentaria viabilidade econômica dentro do modelo privado.

A partir desse diagnóstico, a governadora sustentou que a estratégia do governo passou a ser não apenas reverter a exclusão do Estado, mas estabelecer metas objetivas para recolocar Pernambuco no eixo logístico do Nordeste, com início efetivo das obras ainda em 2026 e integração da ferrovia a um conjunto mais amplo de ativos de infraestrutura.

“Integrar com logística de ferrovia, rodovia, aeroporto, porto e deixar a gente de fora, deixa todos os outros estados, como Ceará, Bahia, competitivos. Muitos disseram para desistir. Que eu olhasse só para BR-232, que olhasse para outras coisas, isso (a Transnordestina) não ia sair. Mas agora, graças a Deus, a decisão do edital sai em março”, destacou Raquel Lyra.

Entraves do modelo privado

A governadora lembrou que o  aditivo contratual previa que, caso o trecho pernambucano viesse a ser novamente concedido à iniciativa privada, seria necessário cumprir uma etapa prévia de inventário das obras já executadas, análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e definição de indenização à concessionária original, um processo que poderia consumir pelo menos três anos antes mesmo da abertura de um novo contrato.

Segundo a gestora, a decisão de transferir a retomada para a esfera pública, por meio de empresa federal, eliminou esse obstáculo jurídico e administrativo, permitindo que o projeto avançasse sem depender do encerramento prévio das disputas contratuais com a concessionária privada.

A governadora lembrou que, no início da gestão, levou o tema diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendendo que a decisão sobre a Transnordestina extrapola a lógica empresarial e deve ser tratada como política pública estruturante de desenvolvimento regional. Sustentou com o presidente que a exclusão de Pernambuco representaria perda de competitividade logística por um horizonte de até duas décadas, em comparação com estados.

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Ferrovia Transnordestina em Pernambuco no trecho entre Salgueiro e Custódia que está com as obras paralisadas desde 2016. Foto: Movimento Econômico

Edital da Transnordestina

A governadora lembrou que o Governo Federal já lançou o edital para contratação das obras de 73 quilômetros do trecho pernambucano, com o julgamento das propostas prorrogado para março. A expectativa apresentada no evento é que o primeiro semestre seja encerrado com o início efetivo das obras.

No campo orçamentário, apontou que o projeto contava com R$ 500 milhões previstos em exercícios anteriores, enquanto o orçamento atual registra apenas R$ 50 milhões, mas afirmou que o ministro da área de infraestrutura se comprometeu a remanejar recursos de outras rubricas, especialmente de obras rodoviárias, à medida que os contratos da ferrovia avancem.

Interesse internacional na ferrovia

No balanço apresentado à Amupe, Raquel Lyra também relacionou a retomada da Transnordestina a uma agenda mais ampla de atração de investimentos. Citou agendas realizadas na China e na Dinamarca, além de contatos com grupos da Europa, países árabes e do Norte da África, que demonstraram interesse em ativos logísticos vinculados ao Porto de Suape e à malha ferroviária.

Mencionou ainda reunião com a presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, na qual foi apresentada a possibilidade de integração entre ferrovia e um plano de expansão da tancagem de combustíveis em Suape, conectando Pernambuco à malha nacional por meio da Ferrovia Norte-Sul.

Conexões Transnordestina Complexo de Suape
A governadora Raquel Lyra participou do encerramento do seminário Conexões Transnordestina, na etapa realizada em Suape Foto: Arthur Souza/Suape

Debate pelo Estado

A governadora também destacou os seminários Conexões Trnasnordestina, promovidos pelo site Movimento Econômico em seis cidades pernambucanas, que reuniram gestores públicos, empresários e especialistas para discutir o impacto da ferrovia na reorganização logística do interior. Ela lembrou que os encontros reforçaram o potencial de municípios ao longo do traçado para estruturar cadeias produtivas associadas ao transporte terrestre e à distribuição de mercadorias.

Ao reconstruir o histórico do projeto diante dos prefeitos, a chefe do Executivo estadual sustentou que a retomada da Transnordestina passou a integrar o núcleo estratégico da política de desenvolvimento econômico do governo, dentro da competição logística crescente entre os estados do Nordeste.

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