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Novo programa usa dívidas de planos de saúde para atender pacientes do SUS

Hospital privado no Recife realizou os primeiros atendimentos do programa federal para ampliar atendimento aos pacientes do SUS, com previsão de expansão nacional a partir de setembro
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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Hospital Ariano Suassuna Hapvida para anúncio relativo ao Programa “Agora Tem Especialistas” do SUS
O motorista de aplicativo Lindemberg Xavier da Silva, 42 anos, foi um dos oito sete usuários do SUS que foram atendidos no moderno Hospital Ariano Suassuna, do Grupo Hapvida, no Recife. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Três dias depois de receber uma ligação do SUS, o motorista de aplicativo Lindemberg Xavier da Silva, 42 anos, estava operado em um hospital privado no Recife. Ele foi um dos primeiros atendidos pelo programa federal que usa dívidas de planos de saúde para bancar cirurgias, exames e consultas a pacientes da rede pública — modelo apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua visita ao Hospital Ariano Suassuna, da rede Hapvida, nesta quarta-feira (14).

“Ligaram perguntando se eu queria fazer a cirurgia e, em três dias, eu já estava no hospital, operado e aliviado. Fiquei surpreso com a rapidez, o cuidado e a atenção de todo mundo. Essa parceria do SUS com os hospitais privados é uma oportunidade que muda vidas”, disse Lindemberg, atendido no Hospital Ariano Suassuna, onde outros sete usuários do SUS também realizaram procedimentos.

Os primeiros casos envolveram duas cirurgias de vesícula, duas artroplastias de quadril, duas tomografias e duas ressonâncias magnéticas. Os pacientes têm entre 8 e 67 anos.
“Fazia três meses que eu esperava esse exame. Quando disseram que era amanhã, respondi: ‘pode ser qualquer dia, qualquer hora!’”, disse Marilete Augusto Valério Santos, 67 anos, empregada doméstica do Recife, que aguardava uma ressonância magnética pela rede pública.

O programa Agora Tem Especialistas, criado pelo Ministério da Saúde, transforma parte das dívidas de operadoras de planos de saúde com o SUS — que somam até R$ 1,3 bilhão por ano — em atendimento direto à população por meio da rede privada, com foco na redução de filas. A implementação nacional está prevista para setembro, com prioridade inicial de R$ 750 milhões convertidos em cirurgias, exames e consultas eletivas.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Hospital Ariano Suassuna Hapvida para anúncio relativo ao Programa “Agora Tem Especialistas”
Marilete Augusto Valério Santos, 67 anos, empregada doméstica do Recife, Aguardava uma ressonância magnética pela rede pública quando foi convidada a integrar o novo programa Agora Tem Especialistas. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Hospitais privados passam a atender SUS sem novo custo público

A política não gera despesa adicional ao sistema público. Os procedimentos são custeados diretamente pelas operadoras, sob mediação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do Ministério da Saúde.

A adesão ao programa é voluntária e regulamentada por edital. Para participar, as operadoras devem comprovar capacidade técnica e manter produção mínima mensal de R$ 100 mil — ou R$ 50 mil em regiões de menor porte.

“O primeiro paciente do SUS que será tratado dentro de um hospital de plano de saúde. Nós estamos trocando dívidas que os planos de saúde tinham com o SUS, por mais cirurgias, mais atendimentos e mais exames, como ressonância e tomografia”, declarou o ministro da Saúde Alexandre Padilha, durante a agenda em Recife.

A regulamentação está formalizada na portaria conjunta MS/AGU nº 7.702, de 28 de julho de 2025, que define os critérios técnicos e jurídicos para execução do programa.

Seis especialidades concentram a prioridade de atendimentos: ortopedia, oncologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, cardiologia e ginecologia.

A execução é acompanhada por um painel nacional de monitoramento, com fiscalização contínua da ANS. Em caso de descumprimento das metas, as operadoras estão sujeitas a multas e exclusão do programa.

Investimento fortalece oncologia no Hospital Português

Durante a mesma visita, o governo federal anunciou R$ 15,3 milhões para o Hospital Português de Beneficência, voltados à ampliação da capacidade oncológica no estado.

Do total, R$ 10,3 milhões foram utilizados para adquirir um acelerador linear, que dobrará a oferta de radioterapia para pacientes da rede pública.

A unidade passará a funcionar com três turnos diários, além de receber R$ 2,6 milhões para ampliar os atendimentos e R$ 2,4 milhões por ano incorporados ao teto de média e alta complexidade (MAC) de Pernambuco.

Também foi oficializada a integração entre o Hospital Português e a Unacon do Hospital Barão de Lucena, permitindo maior agilidade nos encaminhamentos oncológicos via SUS.

A medida integra o plano nacional de expansão da oncologia, que prevê a entrega de 121 novos aceleradores lineares até 2026, unidades móveis especializadas e Super Centros Regionais de Diagnóstico, além do uso de telessaúde para rastreamento remoto.

*Com informações da Agência Gov

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