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Hemobrás ativa blocos de produção de fábrica em Goiana com R$ 1,9 bilhão

Com obras finalizadas, estatal vinculada ao Ministério da Saúde entra em fase de qualificação para produzir até 500 mil litros de plasma por ano a partir de 2026. Inauguração da Hemobrás foi feita pelo presidente Lula
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A capacidade instalada da fábrica da Hemobrás em Pernambuco permitirá o fracionamento de até 500 mil litros de plasma por ano. Foto: Ricardo Stuckert / PR

A Hemobrás finalizou a construção dos blocos B02 e B03 da sua fábrica em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, com investimento acumulado de R$ 1,9 bilhão. A nova estrutura, inaugurada nesta quarta-feira (13/08), contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Os dois blocos entram agora na fase de qualificação técnica e abrigarão as áreas de fracionamento e envase de plasma humano, etapa necessária para a produção nacional de hemoderivados. A entrega ocorre após 17 anos de obras e investimentos no empreendimento, iniciado em 2008 e paralisado por diversas vezes até a retomada em 2023.

De acordo com a estatal vinculada ao Ministério da Saúde, os blocos serão responsáveis pela fabricação de seis medicamentos derivados do plasma, entre eles albumina, imunoglobulina e os fatores de coagulação VIII e IX.

A previsão é de que a produção comece de forma gradual em 2026, após a conclusão das etapas de validação, inspeção sanitária e certificação regulatória. A capacidade instalada da fábrica permitirá o fracionamento de até 500 mil litros de plasma por ano.

Segundo o Ministério, com a planta em operação, o Brasil poderá alcançar autossuficiência na produção dos principais hemoderivados utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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Inauguração dos blocos de produção da Hemobrás contou com a presença do presidente Lula, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do Super Plasma. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula defende importância da Hemobrás

“Esta fábrica é a prova de que é preciso acreditar no Brasil. Essa fábrica estava com obras paradas, com equipamentos jogados às traças, e foi retomada porque acreditamos que é possível fazer política de saúde com compromisso social. Temos que transformar essa fábrica em orgulho nacional. Isso aqui é um passo para garantir soberania na saúde”, afirmou Luiz Inácio Lula da Silva.

“Trazer a Hemobrás para cá foi uma decisão política, como tantas outras que tomamos para garantir que o Nordeste tenha as mesmas oportunidades que qualquer outra região. Hoje, a Hemobrás é a maior fábrica de hemoderivados da América Latina, símbolo da nossa soberania e da capacidade do povo brasileiro”, afirmou o presidente.

“O Brasil é um dos países que mais consomem hemoderivados no mundo. Esta entrega é um marco para reduzir nossa dependência externa e garantir acesso gratuito a quem precisa”, disse Alexandre Padilha.

Estrutura fabril foi retomada em 2023 com 2.800 trabalhadores

A planta da Hemobrás em Goiana abriga a sede da estatal desde 2008, sendo a única indústria farmacêutica pública federal instalada no Nordeste. A construção sofreu paralisações prolongadas e teve sua retomada em 2023, com reestruturação orçamentária.

Cerca de 2.800 trabalhadores atuaram diretamente nas obras civis e na montagem dos sistemas fabris. Além da nova área de fracionamento, a unidade já opera o bloco B07, onde é formulado e envasado o fator VIII recombinante. Toda a produção é destinada ao abastecimento do SUS.

A Hemobrás também é responsável pela logística nacional de medicamentos obtidos por meio de parcerias com a iniciativa privada. Atualmente, o plasma coletado em hemocentros públicos é enviado ao exterior para processamento industrial e posterior reimportação dos medicamentos.

Em 2023, segundo dados do Ministério da Saúde, foram coletados cerca de 200 mil litros de plasma no país, dos quais aproximadamente 160 mil foram exportados para fracionamento.

Entre janeiro e julho de 2024, a Hemobrás entregou 552 mil frascos de medicamentos ao SUS, além de 870 milhões de unidades internacionais de medicamentos recombinantes.

Capacidade do Nordeste pode ultrapassar 60 mil litros por ano

Com a ativação dos novos blocos, o governo federal estima que será possível reduzir progressivamente a dependência do modelo de externalização. Em Pernambuco, a média atual de coleta de plasma gira em torno de 13 mil litros por ano.

A expectativa da Hemobrás é de que esse volume possa dobrar nos próximos anos com investimentos em hemocentros estaduais e ampliação de campanhas de doação voluntária.

Em escala regional, levantamento da Rede Nordeste de Hemocentros indica potencial de captação superior a 60 mil litros anuais. A internalização da produção poderá ainda reduzir custos logísticos e acelerar a entrega de medicamentos às unidades públicas de saúde.

Certificação da Anvisa é prevista para 2025

A Hemobrás prevê concluir a qualificação técnica das áreas produtivas até o final de 2025. Após essa etapa, a empresa solicitará à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a emissão do Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF), requisito para o início da produção em escala industrial. A primeira entrega de medicamentos ao SUS está prevista para 2026.

Paralelamente, a estatal também projeta finalizar, até o mesmo ano, a produção nacional do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) do fator VIII recombinante, que atualmente ainda depende de importação.

* Com informações da Agência Gov e Folha de Pernambuco

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