
A Acelen Renováveis, empresa de energia da Mubadala Capital, e a Transfigura comunicaram ao mercado que assinaram um acordo para fornecer matérias-primas e comercializar combustíveis renováveis. O material será produzido pela biorrefinaria do grupo, que está em construção em São Francisco do Conde, na Bahia, e tem investimento de US$ 1,5 bilhão e previsão de início de operação em 2029.
De acordo com os termos do acordo, a Trafigura participará do fornecimento de matérias-primas e da comercialização da produção futura da planta. Segundo a Acelen, esse modelo integrado aprimora a previsibilidade operacional, fortalece a segurança do fornecimento de matérias-primas para o projeto e reduz os riscos associados à sua implementação e operação.
Os contratos preveem o fornecimento, pela Trafigura, de aproximadamente 470 mil toneladas por ano de óleo de cozinha usado (UCO), um volume suficiente para produzir aproximadamente 459 milhões de litros de SAF. Em troca, a Trafigura comprará parte da futura produção de SAF, HVO e Nafta Verde (nafta renovável usada na produção de gasolina e plásticos renováveis), destinados principalmente aos mercados da América do Norte e Europa.
Todos os produtos comercializados sob o acordo atenderão aos padrões internacionais de sustentabilidade e rastreabilidade exigidos pelos principais mercados globais, incluindo certificações como ISCC EU e os requisitos estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA).
O vice-presidente de Comercial e Negociação da Acelen Renewables, Cristiano Costa, disse que a participação da Trafigura valida um modelo que consideram essencial para o sucesso da biorrefinaria, integrando o fornecimento certificado de matérias-primas com o acesso aos mercados finais.
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“Ter uma contraparte global operando em ambos os extremos da cadeia de valor traz maior previsibilidade à operação, reduz riscos de execução e contribui para a construção de uma plataforma comercial robusta e de longo prazo”, comentou.
Já Sebastian Jaworski, Head de Oil Trading para a América Latina da Trafigura, disse que o crescimento do mercado de combustíveis sustentáveis representa uma oportunidade significativa para o Brasil.
“Ao combinar a capacidade de produção em larga escala da biorrefinaria da Bahia com a expertise da Trafigura, ampliaremos o alcance desses produtos, ajudando mais empresas a avançar em seus objetivos de descarbonização”, afirmou.

Biorrefinaria de SAF vai operar na Bahia a partir de 2029
Em maio, a Acelen Renováveis anunciou US$ 1,5 bilhão para iniciar a construção de sua biorrefinaria de combustíveis renováveis no município de São Francisco do Conde, na Bahia.
A empresa divulgou que sua biorrefinaria terá capacidade para produzir 1 bilhão de litros anuais de SAF (sustainable aviation fuel) e diesel renovável (HVO) e terá tecnologia HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), considerada uma das principais rotas tecnológicas globais para a produção de combustíveis renováveis.
Ao todo, a primeira unidade integrada da companhia terá investimento superior a US$ 3 bilhões e contempla o desenvolvimento agroindustrial com plantação, extração e beneficiamento dos coprodutos da macaúba.
Ainda segundo a empresa, a biorrefinaria será construída em uma área industrial do município baiano e tem previsão de gerar até 3,6 mil empregos diretos e indiretos.
O projeto integra produção agrícola, desenvolvimento industrial e tecnologia para produção de combustíveis renováveis avançados a partir de matérias-primas tradicionais, como óleo de soja e UCO, e de macaúba, cultura nativa brasileira com alto potencial para biocombustíveis avançados.
A Acelen Renováveis prevê o cultivo em 144 mil hectares em áreas degradadas, considerando ganhos de produtividade já incorporados ao projeto, sendo 20% destinados a parcerias com agricultura familiar e pequenos produtores. O modelo busca combinar regeneração produtiva, inclusão social e descarbonização, alinhado às melhores práticas globais de sustentabilidade e desenvolvimento de baixo carbono.
Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a cadeia integrada do projeto pode movimentar até US$ 40 bilhões na economia brasileira e gerar cerca de 85 mil empregos diretos e indiretos na próxima década.
Comunicado da empresa diz ainda que parte do valor é financiada por um consórcio apoiado e liderado por HSBC e IFC e reúne dez instituições financeiras nacionais e internacionais: First Abu Dhabi Bank (FAB), Abu Dhabi Commercial Bank (ADCB), BID Invest, BNDES, Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), Development Finance Institute Canada (FinDev Canada), KfW IPEX-Bank, Bradesco, BBVA, Bank of China.
“O Brasil reúne condições únicas para liderar a transição energética global, combinando escala agrícola, excelência industrial e uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Com presença consolidada no país, o Mubadala Capital acredita no potencial do Brasil para desenvolver combustíveis renováveis em larga escala — e está comprometido a fazer parte dessa jornada”, afirma Leonardo Yamamoto, Sócio do Mubadala Capital.
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