
A configuração das eleições de 2026 sofreu uma mudança drástica com a decisão de sete governadores brasileiros de permanecerem em seus cargos até 31 de dezembro. O movimento, que atinge 25% das unidades federativas, é marcado por recuos estratégicos, especialmente no Nordeste. Em estados como Rio Grande do Norte e Maranhão, os chefes do Executivo abriram mão de cadeiras quase certas no Senado Federal para garantir o controle da máquina pública e tentar eleger sucessores de confiança.
No Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra (PT) confirmou que não disputará o Legislativo. A decisão foi forçada pelo rompimento com o vice-governador Walter Alves (MDB), que ameaçou renunciar caso tivesse que assumir o governo, o que provocaria uma eleição indireta na Assembleia Legislativa, onde o PT não detém maioria.
Em pronunciamento, a gestora afirmou que a manutenção do mandato era necessária para enfrentar o que chamou de articulação de elites políticas interessadas em retirar o PT do poder.
Tensão política marca permanência no Maranhão
Cenário semelhante ocorre no Maranhão, onde o governador Carlos Brandão desistiu do Senado para evitar que seu vice, Felipe Camarão (PT), assumisse o comando do estado e ganhasse visibilidade eleitoral.
Brandão agora foca em usar sua influência política para impulsionar a candidatura de seu sobrinho, atual secretário de Assuntos Municipalistas, ao governo estadual.
O clima no estado é de disputa interna na base aliada do governo federal. Enquanto Brandão tenta consolidar seu grupo, Camarão articula uma candidatura própria ou uma aliança com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD).
O governador alega estar sendo alvo de uma ofensiva política orquestrada por grupos ligados ao Judiciário e a antigos aliados, intensificando a batalha pelo controle do Palácio dos Leões.
Estratégia de sucessão em Alagoas
Em Alagoas, o governador Paulo Dantas também optou pela continuidade administrativa. A estratégia visa dar suporte direto à campanha do ex-ministro Renan Filho (MDB), que pretende retornar ao comando do Executivo estadual.
Ao permanecer no cargo, Dantas assegura a manutenção de alianças políticas e a execução de projetos que servem de vitrine para o grupo liderado pelos Calheiros no estado.
Governadores desistem de pleito presidencial no Sul
Fora do eixo nordestino, os recuos ganharam contornos nacionais. Ratinho Junior (PSD), no Paraná, e Eduardo Leite (PSDB), no Rio Grande do Sul, abandonaram pretensões presidenciais.
No caso paranaense, Ratinho Junior recuou após o PL decidir apoiar o senador Sergio Moro para o governo do estado. Para não perder o controle regional, o governador decidiu ficar no cargo e apoiar seu secretário das cidades, Guto Silva, contra Moro.
Já no Rio Grande do Sul, Eduardo Leite anunciou a permanência no Palácio Piratini após o PSD nacional oficializar o apoio a Ronaldo Caiado para a Presidência. Leite enfrenta dificuldades para manter sua base unida e agora tenta viabilizar o vice, Gabriel Souza (MDB), como sucessor, em uma disputa que promete forte polarização entre candidatos de direita e esquerda.
Crises com vices e foro privilegiado
Em Rondônia e Tocantins, as razões para a permanência misturam crises internas e questões jurídicas. Marcos Rocha (RO) decidiu não renunciar após um desgaste severo com o vice, Sérgio Gonçalves, que chegou a acionar a Justiça para garantir o direito de assumir o governo em viagens internacionais. Rocha agora deve apoiar o correligionário Adailton Fúria para a sucessão estadual.
No Tocantins, Wanderlei Barbosa confirmou que cumprirá o mandato integralmente. A decisão ocorre em um momento em que o gestor enfrenta processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre supostas irregularidades em compras de cestas básicas.
A manutenção do cargo assegura a Barbosa o foro privilegiado até o final de 2026, além de permitir que ele coordene pessoalmente a campanha de seu grupo político para o próximo pleito.
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