
A corrida eleitoral de 2026 ganhou contornos definitivos nesta semana nas capitais nordestinas. O movimento de desincompatibilização, exigido pela legislação eleitoral, provocou uma “dança das cadeiras” no comando de importantes cidades. O ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), liderou as movimentações ao entregar o cargo nesta quinta-feira (2). Além dele, Eduardo Braide (PSD), em São Luís, e Cícero Lucena (MDB), em João Pessoa, também renunciaram com o objetivo comum de disputar os governos de seus respectivos estados, deixando a gestão municipal para seus vice-prefeitos.
Por outro lado, o cenário ainda é de articulação em outras praças. Em Maceió, João Henrique Caldas, conhecido como JHC, deixou o PL e se filiou ao PSDB. Embora tenha ventilado o desejo de disputar o Governo de Alagoas, ainda não oficializou. Já em Salvador, Bruno Reis (União) sofre pressão do seu grupo político para enfrentar o PT na disputa estadual, mas o prefeito tem evitado oficializar a saída, sinalizando que pode optar por concluir o mandato e apoiar um nome aliado para o governo baiano.
João Campos e a ofensiva em Pernambuco
A renúncia de João Campos aos 32 anos de idade é vista por analistas como um movimento de “tudo ou nada”. Ao deixar a Prefeitura do Recife com índices de aprovação que superam os 70% em diversas sondagens internas, Campos se consolida como o principal adversário da governadora Raquel Lyra (PSDB).
A corrida em Pernambuco promete ser uma das mais acirradas do país, com Campos explorando sua alta popularidade na capital para tentar avançar no interior, reduto onde a atual governadora mantém bases sólidas.
Pesquisas de intenção de voto realizadas no início deste ano apontam um cenário de polarização: João Campos aparece com números que variam entre 35% e 42%, enquanto Raquel Lyra flutua entre 28% e 33%.
A entrada de nomes como o ex-ministro Anderson Ferreira (PL) pode fragmentar os votos da direita, o que, em tese, beneficiaria a estratégia de centro-esquerda de Campos.
Prefeitos Braide e JHC: as apostas no Maranhão e Alagoas
No Maranhão, Eduardo Braide oficializou sua saída para tentar quebrar a hegemonia do grupo político ligado ao atual governo estadual. Braide conta com o apoio de setores da classe média de São Luís, onde mantém boa imagem administrativa.
No entanto, ele enfrenta um cenário estadual desafiador contra o governador Carlos Brandão (PSB), que possui uma máquina política capilarizada em quase todos os 217 municípios maranhenses. Levantamentos preliminares indicam Braide com cerca de 20% a 25% das intenções de voto no estado.
Já em Alagoas, se confirmar a renúncia, JHC deixa a prefeitura de Maceió como o grande nome da oposição ao clã Calheiros e ao governador Paulo Dantas (MDB). JHC aposta na comunicação digital e em obras de impacto visual na capital para convencer o eleitor do interior.
O prefeito, que frequentemente aparece em pesquisas com mais de 60% de aprovação em Maceió, deve enfrentar uma disputa dura contra o candidato indicado pelo MDB, que detém a maioria das prefeituras do estado.
Regras valem também para governadores e presidente
É importante destacar que a exigência de desincompatibilização não é restrita aos prefeitos. A legislação eleitoral estabelece que o Presidente da República e os Governadores também devem renunciar aos seus mandatos caso pretendam disputar um cargo diferente do que ocupam atualmente.
Se um governador deseja concorrer ao Senado ou à Presidência, por exemplo, ele precisa deixar o cargo definitivamente até o dia 4 de abril. A única exceção é para quem disputa a reeleição ao mesmo cargo: nesse caso, o titular pode permanecer na função durante toda a campanha.
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