- Publicidade -

Pilar no topo: Origem faz campo alagoano liderar produção terrestre de petróleo

Sob gestão da Origem Energia, Pilar saltou de menos do 20º lugar para o principal campo de petróleo em terra do país em quatro anos de operação
- Publicidade -
Ouvir o Artigo
~9:55
  1. Campo de Pilar alcança posição de maior produtor terrestre de petróleo do Brasil em quatro anos.
  2. Origem Energia adquiriu polo alagoano da Petrobras por US$ 300 milhões em fevereiro de 2022.
  3. Três poços de Pilar ocupam segundo, terceiro e quarto lugares no ranking nacional de produção terrestre.
  4. Produção total cresceu 61% em petróleo e 156% em barris equivalentes de óleo entre 2022 e 2026.
  5. Petróleo de Pilar é comercializado integralmente com refinaria Acelen, adquirida da Petrobras pela Origem.
Pilar no topo: Origem faz campo alagoano liderar produção terrestre de petróleo - Estação de Anambé, Polo Alagoas
Campo terrestre de Anambé é um dos quatro que a Origem Energia explora em Alagoas para a produção de petróleo. Foto: Origem Energia/Divulgação

Não é na Bahia nem no Rio Grande do Norte que está a maior produção terrestre de petróleo do Nordeste. Em quatro anos, a Origem Energia fez do Campo de Pilar, em Alagoas, o maior campo extrator onshore não apenas da região, mas um dos maiores do Brasil. “Quando a gente assumiu Pilar, o campo não figurava nem entre os 20 maiores produtores brasileiros”, afirma o CEO Luiz Felipe Coutinho em entrevista ao Movimento Econômico. Os dados do Boletim Mensal de Produção de março de 2026 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que os três maiores poços de Pilar, 7-PIR-272D-AL (680 barris/dia), 3-ORGM-2D-AL (625 barris/dia) e 3-ORGM-19D-AL (601 barris/dia), ocupam o 2º, 3º e 4º lugares no ranking nacional de poços terrestres, atrás apenas de Arara Azul, no Amazonas.

Os boletins da ANP registraram, em março de 2026, a produção total de Pilar em 4.530 barris/dia de petróleo, 1.869 Mm³/dia de gás natural e 16.292 boe/d no total, crescimento de 61% no petróleo e 156% na produção total em relação a março de 2022, primeiro mês completo sob gestão da Origem. “Pilar é hoje o maior campo produtor onshore do Brasil”, afirma Coutinho. A avaliação exclui Urucu, no Amazonas, campo de acesso remoto no meio da selva amazônica, e Parnaíba, no Maranhão, que opera de forma intermitente — só produz quando há despacho de energia pelo operador do sistema elétrico. O avanço de Pilar contrasta com a trajetória do Rio Grande do Norte, historicamente o maior produtor terrestre do Nordeste, cuja produção registrou queda de 15% no período.

A Origem Energia adquiriu o Polo Alagoas da Petrobras por US$ 300 milhões, em contrato assinado em 5 de julho de 2021, com pagamento inicial de US$ 60 milhões, e fechamento em 4 de fevereiro de 2022, segundo comunicados registrados na Securities and Exchange Commission (SEC). O polo cobre 420 km² de área de exploração e inclui quatro campos terrestres — Anambé, Arapaçu, Furado e Pilar — além do campo de Paru, em águas rasas, a Unidade de Processamento de Gás Natural de Alagoas (UPGN-AL), com capacidade de 1,8 milhão de m³/dia, e uma malha de 480 km de dutos.

O Campo de Pilar, núcleo do polo, está localizado nos municípios de Marechal Deodoro, Pilar, Satuba e Rio Largo, a cerca de 20 km a oeste de Maceió, com área de desenvolvimento de 89,42 km² e produção desde dezembro de 1981, com concessão prorrogada até 2052, de acordo com o Plano de Desenvolvimento Aprovado pela ANP em abril de 2023.

O petróleo produzido, óleo leve de cerca de 40 graus API, é integralmente comercializado com a Acelen, operadora da Refinaria de Mataripe, na Bahia, também adquirida da Petrobras em 2021. No ano anterior, parte da produção foi destinada à exportação por meio da Shell. Coutinho destaca que, por ser uma empresa independente e integrada, a Origem pode direcionar a produção para o mercado doméstico ou internacional de acordo com a melhor oportunidade.

Três fases de desenvolvimento e perfuração de novos poços

O crescimento da produção de petróleo terrestre em Pilar foi estruturado em três fases. A primeira foi a reabertura de poços paralisados pela Petrobras. A segunda, intervenções técnicas nos poços existentes: melhorias nos métodos de elevação, instalação de bombas e otimização do gas lift, técnica que injeta gás nos poços para elevar o petróleo à superfície. A terceira, iniciada em julho de 2024, foi a perfuração de novos poços: 11 perfurados, com hidrocarbonetos em 10 deles e produtividade média superior a 400 barris por poço, índice considerado muito alto para o padrão onshore, segundo Coutinho.

O poço 3-ORGM-2D-AL, perfurado nessa campanha, aparece no boletim ANP de março de 2026 como o 2º maior produtor terrestre do Brasil, com 625 barris/dia. A quarta linha, em curso, vai introduzir pela primeira vez no campo técnicas de recuperação secundária, como injeção de água e gás, e novos métodos de elevação.

A Bacia de Alagoas é majoritariamente de gás: 75% a 80% das reservas são dessa commodity, segundo Coutinho. A Petrobras não desenvolveu plenamente a região porque, na época da descoberta, não havia uso relevante para o gás no Brasil nem no mundo. O reflexo é o baixo nível histórico de perfuração. “Eu costumo brincar que a Petrobras gerenciava uma bacia de gás para tirar o pouco petróleo que ela tinha e não o muito gás que ela tinha. A Petrobras perfurou no Rio Grande do Norte mais de 10 mil poços. A Bahia também nessa ordem de grandeza, de 8 mil, 9 mil poços. Sergipe em torno de 4 mil. O Espírito Santo, que veio depois, em torno de 2 mil. Em Alagoas, a gente só tinha 550 poços perfurados. Não há bacia com tanto ainda a ser desenvolvido”, disse Coutinho.

No Campo de Pilar, o Plano de Desenvolvimento Aprovado pela ANP registrava 297 poços perfurados em abril de 2023, com volume in place de petróleo — o total estimado de óleo presente no reservatório antes de qualquer extração — de 35,70 milhões de m³, dos quais 7,93 milhões de m³ extraídos até 31 de dezembro de 2022. Os reservatórios principais são arenitos deltáicos do Cretáceo Inferior da Formação Coqueiro Seco, com porosidade média de 16,3% e permeabilidade de 44 mD, saturados com óleo de 39 graus API, característica que confere ao petróleo de Pilar qualidade superior à média da produção brasileira, segundo o PDA/ANP.

Além do petróleo e gás: “do poço ao elétron”

A Origem não se define como produtora de petróleo, mas como uma empresa de soluções energéticas, segundo Coutinho. Toda a produção, inclusive a de gás, que cresceu 231% entre março de 2022 e março de 2026, segundo os boletins da ANP, converge para a Estação de Produção de Pilar (EPPIR), onde os fluidos são separados. Parte do gás retorna ao campo como insumo de gas lift nos próprios poços. O restante é processado na UPGN-AL e distribuído via malha nacional. O óleo segue por oleoduto até o Terminal Aquaviário de Maceió (TAMAC), cuja operação a empresa assumiu em fevereiro de 2025, verticalizando o escoamento do polo. A água produzida, após tratamento na EPPIR, é reinjetada no reservatório como método de recuperação secundária.

Em 2026, a Origem iniciou os investimentos em uma termelétrica a gás em Pilar, com licença ambiental do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) para 280 MW de capacidade. A empresa foi vencedora no leilão de reserva de capacidade promovido pelo governo federal, o que viabiliza a comercialização da energia gerada. Com isso, a Origem passa a operar o que Coutinho chama de cadeia “do poço ao elétron”: produz o gás, processa, transporta e converte em eletricidade. Nos próximos três anos, o investimento na termelétrica deve alcançar US$ 400 milhões, com 90% aplicados no Nordeste, segundo o CEO.

O aporte anual da Origem em Alagoas vai de US$ 100 milhões a US$ 120 milhões no upstream, segmento que engloba a exploração e produção de petróleo e gás diretamente nos campos, para aproximadamente US$ 200 milhões com a termelétrica. Para Coutinho, sem a segurança das termelétricas, não há crescimento de renováveis. Sem energia competitiva e segura, o Nordeste não se torna polo industrial. “Em todos os lugares do mundo o desenvolvimento aconteceu onde existia energia farta e barata. O Brasil tem transmissão para exportar energia do Nordeste para o Sul e Sudeste. A gente acredita que essa energia barata deveria gerar emprego de alto valor agregado na própria região”, afirma Coutinho.

CEO do grupo Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho. Foto: Origem Energia/Divulgação
CEO do grupo Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho, destaca projeto inédito que vai ampliar uso do gás natural no Nordeste. Foto: Origem Energia/Divulgação

Primeira estocagem subterrânea de gás da América Latina

O projeto de maior alcance é a Estocagem Subterrânea de Gás Natural (ESGN), descrita por Coutinho como o primeiro empreendimento do tipo em terra na América Latina. Vai utilizar reservatórios depletados do próprio Campo de Pilar, com capacidade inicial de 106 milhões de m³/ano e expansão prevista até 500 milhões de m³/ano. O projeto exigiu a criação de um arcabouço regulatório inédito no Brasil, construído junto com ANP, IMA e Ministério de Minas e Energia. Coutinho destaca o papel dos órgãos: “Quero fazer um elogio aos mais diferentes atores presentes no processo. A ANP, o IMA, o Ministério de Minas e Energia — todo mundo entendeu a importância desse projeto como infraestrutura estratégica para o Brasil, não para a Origem.”

Falta uma última licença do IMA para que o empreendimento fique disponível ao mercado, com previsão para o segundo semestre de 2026. Coutinho cita dois exemplos concretos: o plano enviado pelo presidente Donald Trump ao Congresso norte-americano, que inclui a armazenagem de gás como infraestrutura estratégica para segurança nacional, e a guerra na Ucrânia, quando a armazenagem foi decisiva para garantir o abastecimento europeu em contexto de crise energética.

Mais de 90% da força de trabalho da Origem em Alagoas é local, e a empresa prioriza fornecedores regionais. “A gente criou um ecossistema econômico muito pujante em torno das operações da Origem”, disse Coutinho, acrescentando que todos os fundadores e colaboradores originais continuam na empresa. Com as termelétricas, a Origem prevê ampliar esses efeitos. “A bacia alagoana tem décadas de desenvolvimento pela frente”, afirma o CEO, “e a gente vai continuar destravando esse valor.”

Leia mais: Equatorial amplia rede no Sertão de Alagoas com obra de R$ 30 milhões

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -