
Batalha, município do Sertão Alagoano e polo da Bacia Leiteira, passou a ter gás natural canalizado na quinta-feira (9) com a inauguração da Estação de Descompressão de Gás Natural Comprimido (GNC) operada pela Algás, investimento de R$ 5 milhões do governo do estado que viabiliza a instalação de 5 km de rede local de distribuição — a primeira do interior alagoano. A estrutura chega simultaneamente à entrada em operação de duas indústrias de laticínios no município: Natville e Alvoar Lácteos (antiga CPLA). Uma terceira empresa do setor, a Piracanjuba, já iniciou tratativas para se instalar em Monteirópolis, também na Bacia Leiteira. Juntas, as três unidades projetam a geração de mais de mil empregos diretos na região.
O modelo operacional da estação utiliza logística rodoviária de GNC. O gás é comprimido na unidade da Algás em Arapiraca e transportado por carretas até Batalha, onde passa pelo processo de descompressão e segue para distribuição canalizada aos clientes industriais. A infraestrutura foi implantada em terreno doado pelo Governo de Alagoas, por meio da Lei nº 9.621/2025, às margens da rodovia AL-220, ao lado do Parque de Exposições Mair Amaral. O custo do gás ofertado pela Algás em Batalha será equivalente ao praticado em sistemas interligados, segundo a distribuidora.

Bacia Leiteira como âncora industrial
Batalha produz aproximadamente um milhão de litros de leite por dia e integra um dos principais polos leiteiros do Nordeste. A chegada do gás natural substitui o uso de lenha e briquete nos processos produtivos das indústrias instaladas na região, reduzindo custos operacionais e emissões. A Natville e a Alvoar Lácteos são as primeiras unidades industriais de Batalha a serem beneficiadas pela estação de GNC.
Para a operação da Natville, o Governo do Estado também entregou a Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT) da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), com reservatório de 200 m³ e rede de 600 metros de extensão para abastecimento da unidade industrial.
Durante a inauguração, foi assinado o contrato de fornecimento de gás natural entre a Algás e a Cooperativa dos Produtores de Leite do Estado de Alagoas (CPLA). Segundo o presidente da Algás, Eriberto Omena, a estação de Batalha está concebida para atender toda a região da Bacia Leiteira. “Essa unidade da Algás vai ser modelo para o Nordeste. Temos a certeza que várias cidades leiteiras do Brasil virão à Batalha copiar esse modelo”, afirmou Omena.
Expansão da malha da Algás
A estação de Batalha integra o plano de expansão da Algás para 2026, que prevê investimentos totais de R$ 15 milhões em duas frentes: a rede local no Sertão e a construção do ramal de gás para Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió. No horizonte de médio prazo, a distribuidora executa o plano Rotas Operacionais de Desenvolvimento da Distribuição do Gás Natural de Alagoas, iniciado em 2024 e com previsão de conclusão até 2029.
O projeto inclui os municípios de Marechal Deodoro, Barra de São Miguel, Paripueira, Barra de Santo Antônio e São Luís do Quitunde, com investimentos de R$ 46 milhões no Litoral Norte (32 km de gasoduto) e R$ 34,9 milhões no Litoral Sul (27 km de dutos). Atualmente, a Algás atende 13 municípios alagoanos, com Maceió e Arapiraca como principais centros de distribuição. O governador Paulo Dantas anunciou que já está em tratativas para a instalação de mais uma indústria em Batalha, sem detalhar o setor ou o cronograma.
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