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Em Suape, a economia circular e a sustentabilidade andam de mãos dadas

Suape se posiciona em primeiro lugar entre os 31 atracadouros públicos do Brasil no ranking da Antaq de desempenho ambiental
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Carlos Cavalcanti
Carlos Cavalcanti/Foto: divulgação Suape

Por Carlos Cavalcanti*

Na leitura do livro clássico da economia circular “Cradle to Cradle” ou C2C, escrito pelo arquiteto norte-americano William McDonough e pelo químico alemão Michael Braungart, são indicados os atributos para se atingir a sustentabilidade no fluxo da produção e do consumo. A obra aprofunda a questão da análise do ciclo de vida dos produtos, da circularidade que acontece do “berço ao berço” (tradução do título C2C), em contraponto a visão reducionista e mecanicista da lógica linear vigente, desde a extração dos recursos naturais, produção, consumo e descarte final na natureza.  

A publicação trata de apresentar uma visão arrojada e pragmática que ressignifica os processos econômicos, mostrando a necessária mudança no modo de conceber os sistemas de produção e consumo, aspirando sustentar o funcionamento da sociedade perenemente. Em síntese, a teoria C2C explica sobre a substituição da visão linear por uma visão circular, em que a matéria-prima e os recursos naturais são utilizados por longos ciclos circulares, proporcionando múltiplos benefícios à natureza e à coletividade.

E por que fazer a circularidade na economia é tão fundamental e urgente? Será que os recursos naturais que nos sustentam estão se esgotando? As evidências das alterações climáticas são contundentes e visíveis no nosso dia a dia? Faz sentido pensar numa economia circular? Primeiro crescer, mesmo poluindo, e depois limpar é correto? Qual o legado que estamos deixando para as gerações futuras?

São perguntas cruciais que nos colocam em uma encruzilhada extremamente complexa e desafiadora, pois o que está em jogo no final do dia é o funcionamento da vida em sociedade. Da outra banda, o que se vê germinar é o senso comum para se encontrar um caminho estável de desenvolvimento humano em que a paz, a igualdade, a educação, a sustentabilidade, a resiliência, a regeneração, a circularidade, a responsabilidade compartilhada, o olhar sistêmico e integrado; e a espiritualidade sejam referenciais imprescindíveis para a coexistência pacífica e harmoniosa entre a sociedade e a natureza.

A economia circular se coloca como uma dimensão estratégica na relação da produção e do consumo, pois impulsiona a requalifica a concepção dos processos econômicos, por meio de novos desenhos produtivos, que acolhe e cria sistemas circulares de longo prazo e descarte zero na natureza. Isto é sustentabilidade forte.

Suape na economia circular

E o que o Complexo Industrial Portuário de Suape tem a ver com essa temática da economia circular? Tudo a ver.

Oportunamente, cabe destacar que a Agência Nacional de Transporte Aquaviários (Antaq) confere,  a cada ano, um ranking de desempenho ambiental para os portos públicos e privados do Brasil. Atualmente, Suape se posiciona em primeiro lugar entre os 31 atracadouros públicos do Brasil, com uma nota de 99,89, segundo 38 critérios rigorosos de avaliação e atendimento ao certame.

São diversos atributos que fazem o Porto de Suape estar indo longe nessa jornada da sustentabilidade, que anda de mãos dadas com a economia circular. Os predicados estão bem-postos, legado de um bom planejamento e gestão ao longo de seus 46 anos de operação. Cito alguns exemplos de visão sustentável bem-sucedida acontecendo no território de 17,3 mil hectares, dos quais 59% estão destinados à preservação ecológica.

Já são mais de 3 milhões de árvores plantadas em quase 1.200 hectares de Mata Atlântica protegida e recuperada. Os projetos de restauração florestal não apenas ajudam a recuperar áreas degradadas, mas promovem a conscientização sobre a importância da conservação ambiental e incentivam práticas sustentáveis nas comunidades locais, como os Sistemas Agroflorestais (SAF), nos quais famílias residentes no território poderão cultivar gêneros alimentícios em áreas de preservação com acompanhamento técnico e respeitando as características da área, comercializando diretamente os produtos nas empresas do Complexo.

Há cinco unidades de conservação da natureza no território do Complexo de Suape (três são de proteção integral) e um viveiro florestal com capacidade de produção anual de 450 mil mudas. Diferentes inventários da flora nativa, da fauna silvestre e do sequestro de carbono nas matas, mangue e restinga já foram realizados pela estatal portuária. Monitoramentos ambientais periódicos dos sedimentos, espécies exóticas invasoras e qualidade da água também são produzidos por Suape.

Outra área estratégica e crescente é a agenda da descarbonização e da transição energética, em que Suape assumiu uma postura alinhada às melhores práticas globais de sustentabilidade e circularidade. Estar na vanguarda exige visão estratégica, inteligência aplicada, investimentos consistentes e articulação entre diferentes setores. A descarbonização no setor portuário é um grande desafio por uma combinação de fatores técnicos, econômicos, regulatórios e operacionais.  Todos esses projetos e ativos ambientais tornam Suape exemplo de porto verde, extremamente competitivo e muito mais do que um porto indústria.

Mais e mais empreendimento estão se associando a esses ativos ambientais e a visão estratégica da circularidade no complexo, a exemplo dos combustíveis verdes marítimos, projetos com uso de energias renováveis e a simbiose industrial com hidrogênio verde. Se instalar em Suape é naturalmente estar conectado a uma agenda dinâmica de sustentabilidade, na qual compromissos estão claramente indo no viés do diálogo, da justiça social e no crescimento em base ambientalmente correspondente.

Nesta toada, o Porto de Suape vai compartilhar seus projetos verdes ao integrar uma sessão de aceleração denominada “Infraestrutura Circular no Brasil: Desafios e Oportunidades”, que será realizada nesta quinta (15 de maio), na Arena B3, em São Paulo, com outros três encontros temáticos no “Accelerator Day”, evento integrante do World Circular Economy Forum (WCEF) 2025, na casa das empresas de capital aberto no Brasil. É o ambiente moderno apropriado para discussões de grande relevância para os cenários econômicos nacional e internacional, projetando o Complexo de Suape para o Mundo.  

*Carlos Cavalcanti é diretor de Sustentabilidade do Complexo Industrial Portuário de Suape.

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